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segunda-feira, agosto 25, 2014

A ESCOLA PÚBLICA - VILÃ OU HEROÍNA?


Como já contei outro dia, faço parte de um grupo de mães no facebook, onde é possível trocar algumas ideias, conhecer mães blogueiras e participar de discussões sadias acerca da maternidade - dores e delícias Ltda.

Lá, eu pude conhecer uma mãe que criou o filho em escola pública, a Débora Domingues e pôde trocá-lo recentemente para a particular, o que em situações normais de temperatura e pressão, seria aplaudida de pé pela comunidade. 

Infelizmente, não foi essa Coca-Cola toda. Como se trata de uma mãe atuante, pôde perceber diferenças gritantes entre uma e outra, e cogita fazer justamente o caminho inverso. Retirar seu filho da particular e colocá-lo de volta na Pública. Seria simples, não fosse a pressão da família, das outras mães da escola particular e da sociedade em geral.

Não é de hoje, existem escolas e escolas e profissionais bons e ruins trabalhando em ambas.
O exemplo dos meus dois meninos está aí pra provar essa máxima.

Sr. Cabeça de Bolinha foi parar numa escola muito bem recomendada. Daquelas públicas que quando há greve de professores, eles não param. É uma escola imensa, com atividades bem compatíveis a idade dele (7 anos) e na medida do possível, mas é fraca em termos de atividades extra-curriculares. Os dirigentes da escola é que são bastante rígidos em relação às próprias normas. Por exemplo, não toleram atraso de forma alguma, tanto na entrada, quanto na saída. O Sr. Cabeça de Bolinha apesar de adorado, um dia ficou do lado de fora por eu ter escolhido um caminha infeliz e engarrafado. Felizmente, eu podia ficar com ele, mas imagina se eu trabalhasse? Teria de faltar o trabalho?
Então essa falta de negociação, me faz pensar que estão ali mais por obrigação cumprindo horários rígidos, que por amor à profissão. Inclusive, essa fama já é conhecida até em outras escolas da região.
Se ano que vem tiver oportunidade na escola de Pacotinho, pedirei transferência sem piscar. Quanto ao ensino, eu realmente não tenho do que reclamar.

A escola de Pacotinho é um achado. Ela visa a meritocracia e está acima da média do IDEB, já tendo sido matéria em jornais de bairros, pelo sucesso dos alunos.
Esse ano, Pacotinho ganhou uma bolsa de Inglês de 3 anos do IBEU, onde duas vezes por semana, chega mais cedo para estudar. Semana passada mesmo, premiaram os melhores 15 alunos da escola, com um curso na SOS Computadores e novamente Pacotinho foi contemplado. 
Eventualmente fazem passeios e fazem parcerias com ONGs que fornecem bolsas de estudo em universidades e colégios de expressão no Rio, cujo critério é a participação do aluno, notas altas e bom comportamento, fator que também reprova.

Portanto, a melhor coisa que eu fiz, apesar de todo o sofrimento, foi colocá-los para viver essa experiência na escola pública. Mas só isso não basta. A gente dá um duro danado aqui em casa com eles, fazendo apostilas para que estudem todos os dias e não deixem a peteca cair. Pois às vezes eles se acomodam. 

É muito comum ver pais e mães colocando os filhos na escola, relegando o fator educação a terceiros. Eu era assim também. Quando trabalhava, todos três ficavam no integral e era muito cômodo nem ter que mandá-los estudar. A fase de adaptação aconteceu quando parei de trabalhar e agora, com o pezinho na adolescência, está bem difícil. Ele tem muita preguiça de estudar, então é um trabalho diário de não desistir dele. Não deixá-lo esmorecer, desmotivar  (O Sr. Cabeça de Bolinha nasceu responsável e perfeccionista, então não precisa ser mandado). Afinal, ter responsabilidade com os nossos filhos, é prova do nosso amor e amor plantado é felicidade colhida.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

CONSELHO TUTELAR, NEURAS E PRIMEIRO DIA NA ESCOLA PÚBLICA


Dado meu nível de ansiedade, bem que esse poderia ter sido meu primeiro dia de aula na escola pública. Mas não, Pacotinho e Sr. Cabeça de Bolinha fariam o debut nas novas escolas e eu tive que deixar o prazer de levá-los relegado aos cuidados da Advi. 

Aliás, devo agradecer à Deus e à Santa Advi, que tem segurado uma bela onda como tia postiça que é. Mais, Advi tem feito papel de alguém da família, alguém do mesmo sangue. Aliás 2, preciso reconhecer que minha mãe, Dona Engraçada tem feito o caminho de volta rumo a responsabilidade de avó. Não que ela não tivesse. Mas a distância das nossas casas, minha rotina causticante, os compromissos religiosos dela, além dos sociais, nos manteve bem afastadas e por isso, eu nunca contava com ela pra nada. Nem pedia.
Agora, minha mãe tem sentido uma necessidade genuína de estar junto de nós, de nos ajudar verdadeiramente. Desde que ela assumiu essa postura, eu tenho me aberto mais, estou feliz pelas crianças e pela convivência. Tanto, que nesta segunda feira, foi ela quem buscou a Dona Miúda na escola, depois ficou com os três sozinha aqui em casa e ainda tirou de letra! Fiquei tão feliz. Isso é uma bênção. 

E por falar em escola, quanta dor de cabeça nesse início! Começa com meu estágio e o dilema de com quem deixaríamos as três crianças. Sim, você não leu errado! São três e não são anjos. 
Apesar de boas crianças, eles disputam muitas coisas, ainda que haja diferença de idade. E disputam as coisas mais banais, mais ridículas, desde o mais velho, até a mais nova. Isso desgasta... E perde-se um tempo precioso. 
Para começar, ficar com criança requer todas aquelas formalidades trabalhistas que convenhamos, não temos possibilidade financeira. Daí, que no auge do desespero, cogitei deixá-los sozinhos, sob a responsabilidade do irmão mais velho. Tão logo o fantasma do conselho tutelar começou a nos assombrar, eu chorava, rezava e ligava pros mais chegados, inclua a Tutti nessa, para pedir conselhos e tentar encontrar uma saída diferente. Foi aí que rolou esse mutirão entre minha mãe e Advi, enquanto não resolvíamos nosso dilema. 

Sim, eu já estava pensando em bater na porta do Conselho Tutelar me entregando, vomitando meus problemas, levando as contas de casa, nossas despesas mensais e contra-cheques, mandando que eles fizessem um cálculo que fechasse uma contratação de carteira assinada. É nessa hora que eu vejo que o Estado nos deixa desamparados ao relento e o tempo todo, mas cobra de seus cidadãos, todos os deveres de um Estado presente, coisa que aqui no Brasil está longe de ser. 

Então, resolvi chamar um conhecida da família, que está passando por condições de enorme dificuldade e hoje, é adepta da filosofia tailandesa-budista-espiritualista-greco-romana, "É melhor pingar do que faltar!" Sim, quem me lê sabe, já fui muito adepta desse mantra. Portanto, estou lendo os sinais que Deus manda e resolvemos contratá-la para a próxima semana, dando uma ajuda compatível com o tempo em que ela ficará aqui, que será bem pouco diariamente.

Teve muito choro, muita reza e mandinga mental é verdade, Deus de saco cheio, resolveu nos dar uma força pra ter sossego, as coisas estão transcorrendo nos conformes e hoje foi o grande dia! Uma pena eu não estar lá, mas dei um jeitinho de estar na hora da saída pra saber tudo!

Pacotinho fez amigos já no primeiro dia e está muito empolgado com a nova escola, que não ficará, com a graça do mesmo Deus que não me aguenta mais! Contou de um amigo que fez logo de cara e que esse menino o apresentou prum bando de garotas. Dentre as garotas que conheceu, duas já estão gamadinhas. 
Ele diz que sabe, pelo jeito que elas olham pra ele e pela entonação da voz. Bom, se são duas, a gente já sabe que alguém vai sair perdendo, já que é de uma apenas que ele mostrou interesse. 

Ele também contou que as outras meninas na sala o chamam de Ném, ou de Nerd. Cara, nem preciso contar que soltei aquela gargalhada pombagirística né? Hilário, porque o que eu mais fiz nessa semana que antecedeu, foi chamá-lo de Ném pra ele ir se acostumando. Ainda disse que ele se tornaria o rei das néns e voilá!

A parte do nerd, foi porque toda vez que os professores perguntavam alguma coisa em sala, Pacotinho respondia e adivinha, o melhor amigo dele, o Jorge, é apelidado de George, O curioso, porque tem uma forte veia jornalística e tenta se inteirar de tudo o que as meninas conversam. RYSOS. 

Então, o papo estava ótimo quando chegamos na escola do Sr. Cabeça de Bolinha e o que mais me chamou atenção, foi a cor da camisa do mini-sujeito! Terrível. Estava com a cor daquelas camisas do comercial de Omo, toda cagada de bola. 
Entrou no carro falando animadíssimo que amou a escola, que fez um monte de amigos, que jogou futebol, basquete (disso é certo!), que jogou bola com efeito, que o amigo defendeu com a cabeça, contou que conseguiu ler uma frase... Só tinha uma coisa que o Sr. Cabeça de Bolinha não sabia responder:

EU - E qual o nome da sua professora, meu amor?
Sr. Cabeça de Bolinha - Ih mãe, esqueci!

Pois é, a escola foi tão boa e ele deve ter brincado tanto, que realmente não lembrou o nome da professora. Mas o importante é a felicidade na voz deles, no jeito que contavam sobre a escola, naquele brilho nos olhos.

Sinceramente, eu acredito nos profissionais de educação e que as escolas daqui são boas. O que falta mesmo, é empenho da Prefeitura em cumprir prazos, remunerar dignamente esses profissionais e dar suporte para que um trabalho sério e de respeito seja desempenhado com nossas crianças. 
Casos como o do "cara do ar condicionado" nas licitações para prestação de serviços na escola, é brincar com a nossa cara. 

Potencial, nossas crianças e escolas têm, profissionais engajados com o ensino de qualidade também é possível encontrar, haja vista o depoimento do meu próprio filho hoje, contando do entusiasmo dos professores, como diferencial entre as escolas que ele conheceu. 
O que falta realmente, é o comprometimento dos nossos representantes políticos e nossa resposta à altura nas urnas. Isso é o que eu quero ver!

domingo, fevereiro 02, 2014

A SAGA DA ESCOLA PÚBLICA - REPESCAGEM


Ficar para a repescagem da escola pública, me fez desmoronar por dentro. Parece que todo aquele sentimento represado, toda aquela esperança de que os meninos começariam uma etapa nova, mágica, diferente e que seria um marco em suas vidas, foi por água abaixo.

Isso, porque no dia 29 ao tentar fazer a matrícula tanto de Pacotinho, quanto do Sr. Cabeça de Bolinha, apenas de um deles consegui encaixar na escola que queria. Justo Pacotinho... não consegui colocá-lo em nenhuma das escolas que visitamos. Fiquei paralisada por dentro, quando nenhum dos nomes que eu jogava, aparecia na tela do computador. Justo com ele, que já tem uma memória afetiva, lembranças dos amigos e que mais temia a escola nova. O jeito foi escolher uma escola qualquer para ele não perder a vaga e depois, vamos tentar a transferência. 

Ao chegar na escola para efetuar a matrícula, tinha a esperança de ao menos gostar de lá, de sentir alguma empatia. De fato, lá, é relativamente grande, tem uma quadra e empatia... Quer dizer, empatia eu sinto por quase qualquer coisa. Tenho o velho hábito de não julgar as coisas pela capa e tentar ver sempre o lado bom, até me encontrar num beco sem saída e enxergar o que há de ruim. 

Isso nem demorou tanto. Na secretaria, fui atendida por um arquétipo do professor de geografia (com cordãozinho artesanal, brinco na orelha), que se encarregou de fazer a matrícula. O atendimento easy going e nada burocrático da escola, me fez gostar bastante, só que a sinceridade de que a escola está com uma pontuação no IDEB próxima da localização do inferno, me fez desencantar e pensar que Pacotinho não ficará lá por muito tempo.

Feito isso, fui na antiga escola solicitar o histórico escolar e encontrei a coordenadora de lá, que ainda não sabia da saída de Pacotinho. Com tudo resolvido tão em cima, esquemos mesmo de contar a ela, já que centralizávamos o pagamento das duas escolas, na dos menores. Então conversamos e ela ficou emocionada pela saída de um querido aluno. A emoção dela, me fez ter um daqueles mini flashbacks sobre a história de vida do meu filho naquela escola, dos passeios e amigos que ele fez, das vezes em que fui buscá-lo em todas as séries que cursou, o quanto ele era querido e compreendido... Daí os olhos marejaram e eu voltei pra casa chorando pelo caminho, pensando no por quê tudo tinha de ser tão difícil. 

Muita gente diz que eu sou corajosa por fazer uma mudança tão grande na vida familiar em busca dos meus sonhos. Ninguém imagina o quanto é difícil. Primeiro, porque foi mais necessidade que uma busca. Ficar aonde estava, fadada a estagnação não estava resolvendo as nossas vidas. Segundo, que existe algo chamado "O tempo de Deus", que claro, não bate com o nosso. Ele é lapidado dia a dia, conforme nosso merecimento, esforço e trabalho. A outra, é que antes da guinada profissional, vem o fundo do poço. Há que se ter paciência e perseverança, que no papel combina bem, já na prática dói na alma!

Ao convencer marido desta empreitada, lembro que falei que em 6 meses estaria empregada, mesmo que no Mc Donald's. No entanto, você começa a estudar e sente uma enorme vontade de exercer a profissão, de não abandonar seu grupo e de nunca mais em sua vida, voltar a ficar fora de seu nicho. Nem tanto pelo esforço da caminhada, mas pelo sentimento de pertencimento. 

Acho que existe uma grande diferença, quando você escolhe fazer uma faculdade aleatoriamente, visando ser alguém formado, numa cadeira a qual nunca vai exercer, então você vai pro mercado de trabalho e tanto faz, como tanto fez qual nicho, tchurma ou galera você convive diariamente, porque seu objetivo, que é ter um diploma, já foi cumprido. Diferentemente de quando se tem um sonho, ou um dom desde pequeno e está fora do seu mundo, trabalhando em outra coisa. Uma vez realizando seu sonho, a sensação de pertencimento é tão grande, que não dá pra ir pro Mc Donald's viver tudo aquilo novamente, ainda que temporário. Eu pensava que enquanto estaria trabalhando em qualquer outra coisa, automaticamente fechava meu caminho para aquilo que queria, então toda vez que mandava currículo, era em busca de estágio na minha área. 

Seguir essa linha de raciocínio não é nada fácil. Talvez aí entre o fator coragem, no entanto, a culpa é cúmplice. Ela martela todos os seus fracassos dia após dia e o episódio da escola pública é um deles. 

Pacotinho me disse uma frase outro dia, quando eu teimava em repetir o meu mantra:

EU - Filho, tenha fé, as coisas vão melhorar esse ano!
PACOTINHO - Mãe, você disse exatamente isso ano passado e até agora...

Melhorar pra quem? Essa é a grande questão. 
Eu creio de fato que vai melhorar e vai. Ano passado, tiveram muito boas coisas. Ano passado, plantei muita coisa, plantei exercício, roteirização, conhecimento, entrevistas, edição... esse ano chegou a hora da colheita. Estou indo prum estágio afinal e ainda que apertada, com duas crianças em escola pública, tudo vai se ajeitar e essa capacitação é só o início de outras melhores.

Não sem dor, claro. A dor é companheira desse mundo e está aí pra nos ensinar. Há que se chorar quando se tem vontade para expurgar aquilo que aperta o coração. Mas se deixar paralisar não é indicado. Lembra que o universo é movimento? Além do mais, estamos tendo ajuda. Aquela terapeuta maravilhosa que nos ajudou no processo de cura da Psoríase do Sr. Cabeça de Bolinha, agora está ajudando Pacotinho a enfrentar as mudanças com mais segurança. Inclusive, ele está adorando, apesar de só ter ido em uma sessão!

Naquele dia, subi à pé, chorando pela rua, lembrando das coisas boas, achando que a vida nem sempre era justa, mas já tinha um plano traçado na mente. Mesmo chorando e morrendo por dentro, as aulas vão iniciar e nós vamos procurar as escolas que gostamos. Aquela fé que me move, vai comigo dentro da bolsa e será retirada no minuto em que pisar numa das escolas. Quero meu filho numa das boas, porque ele é bom e merece estudar num lugar que o alavanque, que extraia o melhor que há dentro dele e eu vou conseguir.
É assim que vai ser.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

ESCOLA PÚBLICA - A SAGA PARA OS QUE QUEREM MATRICULAR


A grande maioria das pessoas anda a carregar uma malinha pra cima e pra baixo. A gente acorda, faz o asseio matinal, se arruma para sair e nunca, nunca, esquecemos da malinha. A gente esquece fone de ouvido, aquele batom de que mais gosta, a gente esquece nossa música predileta, bem como coisas importantes que vamos utilizar durante o dia, mas a danada da malinha, jamais! E não pense você que estou exagerando! A malinha tem até nome. Chama-se preconceito

As pessoas um pouco mais esclarecidas podem pensar que o preconceito vem apenas de cima. Mentira. Ele é multidirecional. Vem de um lado, do outro, de cima e pasme, de baixo também. Das maiorias e minorias, ou dos que pensam que não julgam. 

Tenho visto muita gente carregando malinha nessas andanças pelas escolas públicas. A primeira a carregar a malinha fui eu. Ex-aluna, não sou do tempo das greves, mas sofri bullying. Portanto no meu juízo, julgo que é mais fácil você tomar porrada na escola pública, que na particular. Ainda mais em tempo de web onde geral sai na porrada e pede prum corno qualquer filmar a briga. 

Um dia na 19ª delegacia resolvendo assuntos de fraude, me aparece uma menina com a cara tão arrebentada, que eu mal conseguia encará-la. Pois é, ela sentada ao meu lado, estava triste de admirar. Adivinha qual uniforme ela vestia? De escola pública. Nessa hora, tocou o alarme da minha malinha (sim, todas vêm equipadas com esse componente, que desperta ao menor sinal preconceito). 

Só que mais de 20 anos se passaram de lá pra cá. Sem contar que vivi boas experiências também na escola pública, assim como meus queridos leitores que aqui estiveram prestando solidariedade, além do post que fiz no Facebook. 

Vou enumerar aqui os três dias de rolézinho para conhecer as escolas, bem como meu estado de espírito em cada um deles, o que desconfio, fez toda a diferença... ou não! As escolas que visitei estão todas concentradas na Tijuca, portanto querido leitor, se você mora em outro bairro não posso ajudá-lo. Apenas com o método que adotei, com nossas experiências. No entanto, você terá de fazer do seu jeito, caso resolva matricular seus filhos na rede pública de ensino.

1º dia - 3 Escolas - Eu, a chorona

Estava mega fragilizada por conta do chororô de Pacotinho, então confesso ter desmoronado na frente da inspetora de uma das escolas, o que de certa forma ajudou, já que elas resolveram me dar dicas preciosas sobre algumas instituições das cercanias. Preciso eleger 3 escolas em ordem de prioridade.
Vamos enumerá-las:

1ª Escola: Nave (Núcleo Avançado em Educação) - Rua Uruguai
Essa escola tem um nome, mas eu não prestei muita atenção, porque todo mundo chama de Nave, graças a um projeto tecnológico da Oi, que em parceria com a Prefeitura ou Governo do estado, oferece formação técnico para o Ensino Médio. 
A escola é toda novinha e conta com instalações modernas e informatizadas, voltada para área tecnológica, artes e mídias sociais, .
Não entrei, mas já havia visitado num dia em que minha irmã palestrou lá. 
Infelizmente meus filhos estão fora do perfil para estudar lá, por enquanto.

2ª Escola: Almirante Barroso - Rua Torres Homem 
Bati na porta alternando entre olhos marejados e picos de coragem.
A equipe que me atendeu foi muito solícita, me deram todas as dicas acerca da data de matrícula, o site que deveria entrar e outras escolas que deveria procurar e que apresentam um ensino de qualidade, na opinião deles. Gostei muito dessa escola, mais pelo atendimento. Não visitei as instalações, nem obtive informações acerca de merenda, uniformes, nem conheci as salas. Vai do 1º ao 6º ano apenas e se colocar Pacotinho esse ano, no próximo terei de peregrinar novamente em busca de uma nova. 
Portanto, essa vai ficar em 3º lugar para Pacotinho, na nossa lista de prioridades;

3ª Escola: Barão de Itacurussá - Rua Andrade Neves
Cheguei lá desmoronando mesmo, ao contar sobre os meninos. Claro, fui interpretada com a velha malinha ao lado. Só que não chorava por detestar a rede de ensino, mas pela dor de Pacotinho ao ter de se afastar dos amigos, etc. Foi bom, porque a secretária me levou à diretora que me passou algumas escolas de sua confiança, que apresentam um bom sistema de ensino, que são um pouco menores e apresentam IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em bom nível.
Essa escola é muito bem falada entre os meus conhecidos e era a única que possuía referência. O melhor dos mundos seria colocar os meninos lá, infelizmente, não tem vaga para o 6º ano já que das três turmas que haviam de 5º ano, apenas duas de 6º foram abertas. Ela iria para o topo da minha lista de imediato, se eu não tivesse visitado outras.
Não conheci as instalações. Estava abalada e sem pensar direito. Contudo, essa escola é tombada pelo patrimônio público e tem uma bela estrutura, apesar de mal cuidada, não por culpa dos funcionários e frequentadores né? Mas porque dependem da prefeitura se coçar para promover benfeitorias. 
Ela ficará em 1º lugar para o Sr. Cabeça de Bolinha, na minha lista de prioridades.

2º dia - 3 Escolas - Eu, a esperançosa

Estava mais animadinha para visitar as escolas. Várias amigas e amigos deram dica, além dos funcionários das escolas que visitei. Dessa vez, levei a família toda, só que apenas Pacotinho e Sr. Cabeça de Bolinha me acompanhariam, enquanto Engraçadão tentava estacionar. Aliás, a Tijuca está ficando igual à Ipanema em termos de estacionamento. Só fazendo pacto com o catiço pra conseguir vaga!

1ª Escola: Laudímia Trotta - Fundos para  Av. Maracanã
Pacotinho afoito foi andando na frente e fez careta assim que entrou. O pátio contorna todo o prédio e encontramos as latas de lixo padronizadas pelo caminho, dando péssima impressão. Ele imediatamente disse um sonoro não gostei! sem nem mesmo ver o restante (olha a malinha aê mermão!). 
Fomos recebidos pela Vice-Diretora Lígia, que tratou de promover o city college conosco. Levei os três, então vocês imaginam a balbúrdia. Achei a escola um pouco escura, mas em tempo de férias, estão pintando e instalando novos ar condicionados em todas as salas à pedido do prefeito. 
Aliás, essa história é linda, não fosse trágica. 
Dizem, que o cara que ganhou a licitação para instalar o ar condicionado nas salas é só O CARA. É isso mesmo que você entendeu! É apenas um homem que vai instalar todos os aparelhos nas escolas que ainda não tem. 
Bem, esperamos que até 31 de Dezembro de 2014, ele tenha conseguido dar conta de tudo. APALUSOS PRO PREFEITO!
Essa informação obtive em outra instituição, que fique claro.
Bem, essa escola tem um projeto de oficina, que inclui capoeira, grafitte, língua estrangeira, sala de leitura (biblioteca) artes e mais duas disciplinas que não me recordo, em horários extra-aula; fornece merenda diária e lanche nos dias que tem oficina, vai do 6º ao 9º ano. É pequena, mas adorei a recepção da funcionária. Ela inclusive, parece ser ótima solucionadora, pois já foi me apresentando as quadras de esporte que não existem na escola, imitando um guia turístico. É das minhas! 
Pacotinho e eu nos apaixonamos pelos projetos que lá existem (rapidinho ele guardou sua malinha do preconceito) e pelo espírito entusiasmado da funcionária, quase batemos o martelo de imediato. 
Ela ficaria em 1º lugar no nosso ranking. 

2ª Escola: Orsina da Fonseca - Rua São Francisco Xavier
Ouvia falar muito mal dessa escola no meu tempo (o bordão era: Orsina da Fonseca, perna fina e bunda seca), todavia as coisas mudaram para melhor, felizmente. Hoje ela é referência. Vários profissionais das outras escolas falaram nesse nome. 
Enquanto Engraçadão estacionava, eu e os meninos entramos. A escola é gigante, infelizmente, só tem do 7º ao 9º ano. Ela apresenta o programa de educação extendida, mas o povo já apelidou de integral e tem foco nos esportes, além da grade curricular normal.
Percebi que ela foi reformada, mas manteve sua história. O que me chamou a atenção, foi o entusiasmo da porteira que nos atendeu. Não deu pra conhecer as instalações, mas ficamos empolgadíssimos com as novidades. 
Acho que em algum momento, os meninos podem ir pra lá um dia.

3ª Escola: General Euclides Figueiredo - Fundos da Orsina da Fonseca (na outra rua)
Tive uma péssima impressão da escola, não pela fachada, mas pelo atendimento.
Na porta, lia-se ATENDIMENTO DE 8 ÀS 14h, chegamos às 13:50h aliviados, afinal, queríamos conversar e conhecer, no entanto, a pessoa do outro lado do interfone disse que não poderia nos atender, porque já estava fechado. E não teve conversa.
Voltei inconformada com esse cliché do atendimento público, de que as pessoas não gostam de trabalhar. Não pela malinha que carrego comigo, mas por saber que em alguns casos essa máxima ainda é válida. E dá raiva!


3º Dia - 3 Escolas - Eu, a entusiasmada

Fomos eu e Pacotinho apenas, já com outro estado de espírito, amarradões, procurar as últimas escolas. Começamos pela última, a qual não conseguimos atendimento da última vez.

1ª Escola: General Euclides Figueiredo - Fundos da Orsina da Fonseca
É, infelizmente, a primeira impressão é a que fica em alguns casos. Hoje chegamos bem mais cedo, tinham vários funcionários, mas a impressão que ficou é que existe uma preguiça pairando no ar. Primeiro, cumprimentei a funcionária da escola e disse que estava ali pra visitar a escola. E fiquei incrédula com a resposta:

FUNCIONÁRIA - Nós não estamos autorizados a mostrar a escola.

Daí, fui obrigada a ser arrogante:

EU - Senhora, meu filho está vindo da rede particular. Eu tenho 3 escolas em ordem de prioridade para escolher no ato da matrícula. Como a senhora espera que eu escolha, pelo nome?

Então ela nos levou até outra pessoa, que realmente não deixou a gente dar um rolézinho na escola e se limitou a responder minhas perguntas com certo ar de tédio. 
Depois dessa, Pacotinho falou umas 50 vezes que não queria estudar lá de jeito nenhum. Eu garanti, que ele vai sim, mas em caso de castigo, claro. 
Se um dia ele aprontar demais, já sei onde vou matriculá-lo. 
Essa escola portanto, apesar de bem recomendada, não vai entrar na nossa lista nem à pau, Juvenal!

2ª Escola: Prudente de Morais, rua de fundos do Tijuca Tênis Clube
Outra escola tombada que está passando por reformas. Essa, a gente não teve acesso mesmo! Vi um tiquinho pela fresta da porta por onde fui recebida. Tinha técnicos da prefeitura no local. Mas a arquitetura me pareceu divina pela fresta. 
Eles admitem alunos do 1º ao 5º ano.
Entrará em 3º lugar na lista do Sr. Cabeça de Bolinha, mais por questões de distância por qualquer outro motivo, já que foi muito bem indicada.

3ª Escola: Afonso Penna - Rua Barão de Mesquita
Ironicamente, fica ao lado da rede escolar em que os meninos estudavam. Sim, é no passado mesmo, já que cancelamos a matrícula deles. É pra valer agora.
A escola deve ser tombada pelo patrimônio histórico também, pois conserva traços arquitetônicos bem clássicos.
Estava de portas abertas e fomos muito bem atendidos pela secretária. Apesar de não possuir oficinas ou horário extendido, percebi um capricho e orgulho da moça, que se refletia nos trabalho expostos pelas paredes.
Essa escola sim, possui quadra de esportes, figura com pontuação acima da média no IDEB e funciona do 1º ao 9º ano, ainda que em espaços separados, como deve ser. Segundo ela, além do Ingês, à partir do 8º ano, tem Francês e Espanhol (meus olhinhos brilharam). Ainda que não tenhamos certeza quanto à vaga para Pacotinho, vamos tentar.
Lá possui ótimas instalações, ar condicionado em todas as salas, à exceção dos pequenos (pois é, estão esperando "o cara do ar"), quadra de esportes, sala de leitura, laboratório de ciências, além dos passeios que inspiram trabalhos futuros e música. 
Ao ser perguntada de algum tipo de brigas, a moça sacou sua malinha, pensando que me referia à comunidade. Então eu tive que contar sobre o histórico da Dona Miúda, para ela saber que meus filhos frequentam a comunidade. Queríamos saber quanto à brigas, se acontecem mesmo. Ela nos garantiu que não. Que problemas Facebookianos são resolvidos na secretaria, já que essa é a nova origem das confusões, contudo, nada grave.
Sendo assim, apesar de divididos, eu e Pacotinho batemos o martelo. 
Essa será a 1ª da lista dele.

Então o ranking geral ficou assim:

Pacotinho
1º lugar - Afonso Pena
2º lugar - Laudímia Trotta
3º lugar - Almirante Barroso

Sr. Cabeça de Bolinha
1º lugar - Barão de Itacurussá
2º lugar - Afonso Pena
3º lugar - Prudente de Moraes

segunda-feira, janeiro 13, 2014

MUDANÇAS: A ESCOLA PÚBLICA


Pensando aqui com meus botões, é possível que fosse lesada, não soubesse me defender direito. Talvez porque não tomasse o outro por inimigo. Talvez por não julgar o povo pela capa, talvez por aceitar desde muito cedo, as pessoas como elas se apresentavam a mim. Só não ia com a cara de alguém se ela "se traísse" de alguma maneira. 

Estou voltando no tempo. Na época em que estudei em escola pública. A história, acho que já contei. Minha melhor amiga havia saído da nossa escola, a particular, para estudar numa escola municipal perto de casa, porque os pais dela, separados, estavam passando por dificuldades. Minha família não. 
Eu podia ficar sem qualquer coisa, menos sem a minha amiga. Então não perdi tempo. Depois de uma corrida inclusive no MEC para tentar ir para a mesma escola que ela, eu, do alto dos meus 12 anos, fui sozinha à escola em que ela estudava, mandei um caô na secretaria e acabei sendo aceita. Não me perguntem como uma criança de doze anos é capaz de convencer um adulto a se matricular numa escola que já não tem vaga, na base do caô. 
Eu consegui. O problema, é que só conseguimos ficar juntas por um dia. Os pais da amiga, convenceram a escola particular a aceitá-la de volta, negociaram e a minha amiga voltou e eu fiquei.

Conto essa história, porque eu e Engraçadão estamos passando por uma fase difícil. Engraçadão anda sob forte tensão e seu humor anda nas picas das galáxias dos universos saltitantes. Anda longe, não o culpo. 
Eu sempre ajudei em casa. Há quase dois anos sem fazê-lo, ele se sente perdido e desesperado. Daí que sugeri que tirássemos os meninos da escola particular. Foi no meio de uma discussão daquelas que a gente não sabe nem porque começou. Aquele tipo de discussão de casal bem surtação mesmo! Então eu soltei a bomba, partindo da premissa de que sobrevivi à escola pública, ele próprio sobreviveu, minha irmã também, dentre tantas outras pessoas de bem. 

Engraçadão calou. Ensaiou um não, não... mas eu fui firme. 
Pensa, não tem como a gente fingir que está tudo bem. Nem com estágio entrando, Janeiro é um mês peludo. Engraçadão que saiu de férias e conseguiu tapar o rombo, não passaria de fevereiro a voltar pro rombo. A iminência disso acontecer o estava deixando surtado. 
Como sou uma solucionadora nata, mesmo sendo inimiga da matemática, quando me dão um problema, eu resolvo, ainda que chore, ainda que doa. 

E choro? Teve muito. 
Pacotinho ouviu a discussão da cozinha e deprimiu de imediato. Argumentou que não queria deixar os amigos, que não queria sofrer bullying... claro, está com um olhar cheio de preconceitos, só que naquele momento, nem eu tinha um argumento pra detê-lo. Ainda mais com meu histórico em escola municipal, da que sofreu bullying por um longo período, da que viu coisas cabeludas, da que foi perseguida e ainda sim, escapou da surra. Não ousei falar sobre tais coisas com ele, porque percebo a mudança nas gerações. Acredito mesmo, que existam escolas onde bullying não entra. E mais! Acredito que bullying não seja exclusividade de escola pública, mas muito mais um problema das particulares, guardadas as devidas proporções.

Daí que acordei com uma ideia na cabeça. Primeiro fiz um post lamento no Facebook, porque né, é o hábito. A gente vomita coisas lá. Depois tomei o café da manhã determinada a ir em seguida, chorar as pitangas nas escolas de perto de casa. 

Falei com algumas pessoas que me aconselharam começar pelo Pedro II, onde Pacotinho fez a prova eletiva para o 6º ano (e não passou na 2ª fase). Fui na unidade da Tijuca, pingando de suor, contudo eles centralizam o processo em São Cristóvão. Voltei pra perto de casa com minha cabeça, ou meu coração sei lá, martelando que eu conseguiria alguma coisa nas municipais mesmo. 

Dito e feito. A melhor escola das redondezas, que inclusive não adere às greves, me recebeu e orientou. Infelizmente Pacotinho não poderá ir pra lá, pois houve uma redução nas turmas de 6º ano, todavia o Sr. Cabeça de Bolinha poderá ir. 
Já a Dona Miúda vai continuar na particular por enquanto, já que é muito nova.

Conversando com a diretora, me emocionei e rolou um chororô básico. Não por vergonha de estar dura recorrendo ao ensino público. Eu acredito que muito do aprendizado, quem faz é o aluno. Se o aluno não estiver a fim, não adianta você colocá-lo na melhor escola do universo, que ele não vai render e vai te boicotar. Mas pelo fato de Pacotinho deixar seus amigos para trás. Nós sabemos que ele fará novos amigos, sabemos o quanto ele será querido, já que é carismático, é gente boa e mega comunicativo. Mas são anos e anos de convivência diária, amizade e história juntos, que ele terá de se despedir. Além do mais, os amigos verdadeiros vão ficar, ele vai ver.

A gente sabe o quanto a vida é feita de mudanças o tempo todo. Muito embora ele não goste, terá de se adaptar desde cedo a elas. 
Ainda temos de saber reconhecer a misericórdia divina, que atenua nossas quedas. Aqui em casa, quando a gente cai, nunca é de cara, porque a gente não planta o mal. A gente só quer viver dignamente. Então a gente tropeça, cai de bunda, mas levanta, limpa a roupa e segue em frente.

Essa diretora que conversei, me indicou três escolas muito boas. Escolas pequenas, cujo controle sobre o que acontece é maior. São escolas quase invisíveis, onde o ensino é bom e a clientela idem. Fiquei mais tranquila e esperançosa, inclusive pretendo visitá-las amanhã com Pacotinho, para que ele sinta o clima e escolha a prioridade das três em que vamos inscrevê-lo.

E para os pais cariocas que pretendem matricular seus filhos numa escola Municipal de seu bairro, o processo agora é informatizado. Basta entrar no site Matrícula Digital entre 29/01 a 04/02/2014 (já é a terceira e última oportunidade), escolher três escolas em ordem de prioridade, preencher o cadastro e aguardar o contato, através de email ou celular. Esse contato informa para qual escola seu filho vai. 
Existem escolas que funcionam em período integral, outras disponibilizam merenda, uniforme escolar, Riocard e material didático. 

No nosso caso, vai significar muito, já que agora em janeiro além da matrícula escolar dos três, teríamos de comprar material escolar também, o que foderia a bicicleta de vez e provavelmente provocaria um infarto em Engraçadão. Conversando com funcionários das escolas que fui, ouvi uma senhora idealista tentando me consolar, dizendo que a classe média tem de voltar para a escola pública. Só assim, o governo do estado será cobrado o suficiente para promover melhorias. 
Gostei dela! Infelizmente acabamos não nos despedindo.

Hoje Pacotinho acordou melhor e mais conformado. Depois do meu passeio matinal, passei mais segurança a ele e o lembrei que lá, será possível conhecer várias néms que se tornarão suas fãs e amigas. 
Ele riu. 

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