Eu confesso, não rezei para ele ficar.
O bichinho estava todo estrupiado, com as horas já contadas, órgãos deixando de funcionar o os fiéis ainda ficavam rezando para ele melhorar.
Sabe de uma coisa, achei um puta egoísmo do povo, retendo o espírito do cara aqui.
Será que só eu tenho esse tipo de insight?
Quando minha vó estava prá morrer, eu fiquei super chocada quando o médico disse “infecção generalizada”. E quando se diz isso a tradução ao pé da letra quer dizer “FODEU! Não tem mais jeito”. E em menos de 24 horas ela se foi.
Foi ruim, mas foi bom. Porque eu a amo muito e detestaria vê-la sofrendo numa cama, mas parece que para a maioria das pessoas, o sofrimento do Papa, não foi o bastante.
As pessoas não se cansaram de vê-lo com mal de Parkinson, se arrastando de um país para o outro, levantando para falar na praça de São Pedro c/ aquela vozinha arrastada, quase indecifrável.
As pessoas tem que se dar conta de que tudo tem um fim e o dele, uma hora teria de chegar.
Se ele tivesse 84 anos e gozasse de saúde, eu também faria votos para que ele continuasse conosco, afinal, foi um espírito de luz, um homem honrado, de coração bom e que sempre pensou na coletividade (apesar de ter algumas idéias retrógradas – nada mais normal em se tratando de Igreja Católica).
Curioso que ele conseguiu me reportar para 1980, ano em q eu só tinha 7 anos.
Ouvia-se dizer q o Papa-móvel passaria pelo Rio Comprido (na época eu morava lá). Diziam q ele passaria na Campos da Paz. E eu me imaginava naquela época, descendo a ladeira escondida da minha mãe (já q ela era avessa a multidões), correndo por entre o povo, rompendo o cordão de isolamento, nesse momento, o Papa-móvel estaria passando justo quando eu conseguia chegar ao meio fio. Óbvio q na minha imaginação de criança, me via sendo abraçada por ele. Tal e qual, aquela baianinha q chorando, conseguiu entregar o presente para o Papa.
Eu não me lembro bem se já havia feito primeira comunhão naquela época, mas o certo é q na minha imaginação, eu teria um encontro com o Papa. E seria perfeito, confortador.
O que resta agora, são manchetes de jornal.
O Papa foi papado. Virou defunto, como todos os outros mortais. E se Deus quiser, não vai deixar um vazio, pois eu creio que anjos bons vão e vem. A gente nunca fica desamparado. Eles estão sempre por aqui, nos apoiando, nos dando força e suporte. Estão sempre torcendo pra que a humanidade dê certo, não importando de qual crença ou credo pertençam. Foi assim com Buda, com Madre Teresa, com Gandhi, com João Paulo II.
Que venha o próximo então. Com amor no coração e com as bênçãos divinas.
Amém.


