Posso ter tido sim alguns defeitos na minha criação. Não sou fruto de uma união perfeita, muito menos de uma educação modelo. Mas uma coisa que meus pais sempre fizeram questão de preservar e isso me foi ensinado, foi a respeitar a privacidade alheia.
Por que estou tocando nesse assunto? Porque aconteceu uma coisa desagradável com uma amiga minha essa semana, o que me deixou super indignada, desencadeou um desabafo no facebook sobre o assunto e me fez pensar em como não invadir a privacidade dos filhos em tempos de liberdade vigiada.
Sim, porque nem pensar em descuidar deles, ou do que acessam, ou com quem conversam online em tempos de maldades virtuais, pedofilia e drogas. Por outro lado, é horrível esse monitoramento, afinal, pra quê que a gente educa? Chega uma hora em que devemos confiar na educação dada, certo?
Segundo a Coumunicadora Bruna Brasil, que escreveu um artigo para o site Piccolo Universe, de Ricky Martin (você não leu errado!):
"O ideal seria que você participasse da navegação, dialogando, orientado e alertando quando perceber determinadas situações. Outra questão seria o limite de tempo, para que a criança não viva somente no mundo virtual"
Aqui em casa, a internet é dividida com e entre todos. Temos apenas 1 laptop como computador da casa e Pacotinho ganhou seu primeiro smartphone por ocasião de seu aniversário há pouco tempo, portanto, ainda está se ambientando e buscando equilíbrio entre nos ouvir, ou se desligar dentro do equipamento. Mesmo assim, a gente põe limite sem invadir.
Abaixo dou sugestões para os que procuram um meio termo entre a liberdade do filho diante desse mundo conectado e o respeito à privacidade:
- Ensinamos e vivenciamos a liberdade de expressão, de pensamento e de estar sozinho na frente do computador. Como tudo é conversado, não existe a necessidade de as crianças buscarem fora de casa pelos assuntos espinhosos, já que nunca ficam sem respostas em casa;
- Criamos uma conta no Facebook para Pacotinho quando houve pressão social na escola. Ele tinha 10 anos e todos os seus amigos tinham, menos ele e outro amigo. Fizemos de nosso filho nosso melhor amigo na rede, então para tudo o que ele posta recebemos notificação;
- Pacotinho só ganhou um Smartphone aos 12 anos e porque já andava sozinho, inclusive de ônibus; também porque passou de ano no 3º bimestre, então foi também por mérito, além da necessidade;
- Apesar de ter certa liberdade com o próprio celular, limitamos a inclusão de crédito, portanto, ele usa mais os aplicativos quando está em casa por meio do wifi do que 3G na rua. Quando está sozinho, não tem tanto controle sobre o próprio celular;
- Todos os dias eu olho os acessos dele. Felizmente, tenho um filho muito bacana que não entra em páginas de conteúdo inapropriado, ou chats com toda a sorte de malucos. Atribuo a isso a liberdade que tem para nos falar sobre tudo;
- Já o Sr. Cabeça de Bolinha (7 anos) já em fase de alfabetização, está experimentando os joguinhos online desde o fim dos 5 anos. A gente limita o tempo que ele fica online. São no máximo 2 horas por dia, divididos em blocos de 30min cada, porque ele nunca pode ficar direto todo esse tempo. A gente faz com que ele tenha outras atividades offline e raro são os dias em que completa as 2h. Nas férias somos mais flexíveis.
Infelizmente, para criar pessoas de bem, há que se lançar mão de certa caretice. Aqui damos liberdade, mas não damos dinheiro. Então essa pseudo-liberdade não nos foge ao controle. Não adianta, enquanto eles não forem maiores de idade e estiverem vivendo debaixo do nosso teto, estaremos engajados em formar bons cidadãos, por isso eles têm regras e rédeas curtas, usar internet com certa liberdade e respeitar os outros inclusive virtualmente.
O respeito é algo bastante martelado por aqui. Não raro fiz Pacotinho apagar ou editar certos posts por considerá-los de mau gosto, ou com posicionamentos radicais. Outro tipo de piada que eu peço para que ele evite são as de cunho machista. E felizmente, ele não é de brincar com esse assunto.
Parece suspeito vindo de uma pessoa que perde o amigo, mas não perde a piada não é mesmo? Contudo, tento sempre lembrá-los que do outro lado da telinha de um computador, bate outro coração. Em tempos onde o humor vem sendo colocado contra a parede, penso que quando são poucos os que riem, é porque a piada deixou de ser piada.



