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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

A VIZINHA


Com tanta coisa boa pra falar, eu resolvo falar logo da vizinha?
Mas é que a encontrei no elevador antes de ontem e claro, ficou um silêncio constrangedor entre nós. Eu, sem a menor vontade de dirigir palavra; ela muito provavelmente me xingando em pensamento de intrometida, filha da puta, dentre outras pérolas.
Não estou nem aí.
Acho mesmo que vai haver uma seleção e a humanidade seria separada que nem o joio do trigo em outras épocas. O cerumano é foda! Farinha pouca, meu pirão primeiro e a coletividade que se foda. Pois sim!

Tudo bem que escorpiano tem fama de egoísta, mas péralá! Já foi o tempo do provérbio acima. Esse tempo já passou, sabe? Mesmo que uns e outros teimem em conjugá-lo, essa época já passou. A humindade está se dando conta que somos uma grande coletividade, responsáveis uns pelos outros e que juntos, fazemos a máquina Terra andar. Fazemos parte dessa centelha e somos parte do elo. Simples e perfeito. Tudo é progresso e movimento. Assim o é. Então não cabe mais esse tipo de comportamento e pensamento tacanho.


Fato é, que Engraçadão deu pra ser síndico já tem 2 anos e claro, ele não sindica sozinho! Senão aquele prédio ia virar um não sei o quê! Porque o cara dá conta de filhos, mulher, emprego, faxina e tantas outras cositas, ainda tendo que levar um prédio nas costas? Não rola. Já teria enfartado!

Como eles montaram um conselho para assuntos administrativos, onde meu digníssimo é orientado, mas também é quem põe o pelagar lá no local da assinatura, os assuntos chatos nunca ficam por conta da vasta assessoria. Sobra pra ele mesmo. De maneira, que não raro, o interfone toca.

Lá no prédio, as vagas são escrituradas e cada unidade tem direito a sua. Daí que ninguém briga, certo? Errado!

A crasse mérdia anda nadando em dinheiro - essa é a impressão que me passa, porque tem um povo lá que possui mais de um carro e haja sustento pra isso né não? Os bunitos então, deram para pedir favores em termos de estacionamento, já que muito pra uns e nada pra outros continua como reza a lenda...


Então, se aproveitando das unidades que não possuem vagas, volta e meia o interfone lá de casa toca e do outro lado da linha pode-se ouvir algum pedido lamurioso, de posso estacionar aí? Só essa noite?

Eu tenho minha listinha particular do que seriam os pedidos aceitáveis. Apesar de não ser síndica e ser contra meu marido sê-lo... tipo:

a) Vc está recebendo UMA visita e eles têm carro e a rua está deserta e tem vaga sobrando. Porque tem vaga sobrando mesmo. Aí vc toca no síndico e pede. Resposta: Ok, beleza.

b) Sua mãe enferma vai te visitar porque vcs irão no médico dia seguinte e a garagem tem espaço e tals e aí vc pede para ela deixar o carro lá, só essa noite vai? Resposta: Ok, beleza (não quero ir pro inferno, vai que a velha tem um infarto só de raiva!)


Eu acho que não tem mais exemplos que eu poderia consentir estacionar na vaga alheia não...
Só que o povo NÃÃÃÃÃO TEEEEEM BOOOOM SEEENSOOO!

Tanto que rolou de um vizinho pedir pra irmã dele estacionar lá, só que dentro do seguinte contexto: Eles viajariam juntos. O carro dele ficaria na garagem, ela viria lá da pulta que a paríl, deixaria o carro dela só por 2 semaninhas e depois, todos ficariam felizes. Porra...

Porra.

Poorrra! Realiza?! Realiza essa porra!

Claro que Engraçadão não deixou mas é assim que funciona:

ENGRAÇADÃO - Eu seeei fulano, eu entendo fulano, é mas... nããão... sim eu entendo, mas... é... infelizmente... (bota aí 1 hora vc ouvindo ele dizer isso repetidamente, Ok?)

Aaah se fosse comigo!

COMIGO - Pessoa, eu entendo, mas não fode! Na caceta da escritura está escrito uma vaga só por morador, caralho! Vc é analfabeto? Eu não posso fazer nada porra! Não sabe q isso é anti-ético seu merda? E eu teria que abrir as pernas pra geral, não tô abrindo nem pro meu marido, caceta! Read my lips NÃÃÃÃÃÃÃÃO! Ah vc não tá vendo my lips daí...?
Duas semanas depois, estou eu lá negociando com a TIM o preço do meu IPhone 4S, quando toca o interfone e o porteiro que já tinha contado pro síndico o desejo da vizinha - e o que tinha sido veementemente negado - anuncia que ela estaria subindo para conversar com ele. Enquanto a TIM me fazia aguardar, eu prestava atenção em tudo.

Engraçadão abre a porta e a mocinha entra. Novinha, bonitinha.

Sr. Cabeça de Bolinha chega na sala de cueca e já vai fazendo todo um trabalho de sedução,  perguntando nome, dando a mão a ela, mostrando o brinquedo, etc, etc... (enquanto Pacotinho sai correndo e gritando porque também estava de cueca) e eu sentada na mesa ao telefone.

A menina começa:


VIZINHA - Pois é, é q meu namorado que trabalha viajando estará aqui essa semana e eu gostaria que ele estacionasse aqui. Sabe como é, é só uma semana, final das férias dele e como tem vaga sobrando, eu achei que não custava nada.
ENGRAÇADÃO - Mas vc já tem vaga no prédio.
VIZINHA - Sim, eu tenho, só que eu alugo minha vaga e eu fico assim de desfazer o negócio! (mas tem a cara de pau de vir aqui pedir o impedível, né não safada?)
ENGRAÇADÃO - Olha, ali na outra rua, logo na esquina, tem um estacionamento. Ele pode deixar o carro lá. (gente, eu tô resumindo tá? Claro q ele não respondeu isso logo de cara! Dãããã. Só depois de meia hora!)
VIZINHA - Mas é que aí eu vou ter despesa e aí seria ruim (ela é filha de judeu? Não tinha cara com aquele sotaque carregado pro Norte...) Pensa seu Engraçadão. É só uma semana, tá cheio de vaga e não custa o Sr. deixar. (E não custa vc levantar o seu rabo e levar sua cara de pau daqui! Hunf!)
ENGRAÇADÃO - Mas eu acabei de negar um pedido igual a esse 2 semanas atrás!

VIZINHA - Mas ninguém ia saber! Eu peço pros porteiros serem discretos. Estou aqui pedindo pro senhor... (Se ainda tivesse pagando... Me lembrem de nunca votar nessa mulher se ela se candidatar um dia!)

Aí eu já me coçando e pinicando toda, saio lá de trás da minha insignificância e...

EU - É muito complicado o que vc está pedindo. Imagine se vc é a outra pessoa, descobre que ele negou pra vc e deixou pra um outro. Vc ia gostar? Além do quê, o modelo de gestão tem de ser igual pra todos... (sifudê sua egoísta escrota, cara de aço, insistente, inconveniente. Sai da minha casa!)
Aí a piranha da TIM me atende justo na hora em q eu ia mandar a mulher largar de ser uma egoísta, fia d'ua égua.

Sem sacanagem, ela ficou insistindo com ele cerca de 1h. Pedindo, implorando, argumentando e praticamente chorando miséria, ao ser proposta a desfazer o negócio do aluguel da vaga. Tinha hora que rolava um silêncio pra lá de constrangedor, porque apesar de parecer mole, Engraçadão não cedia e nem ela. Eu disse parecer hein meu povo!

Ora, a mulher já tem a vaga alugada pra outra pessoa, acho q do prédio mesmo, existe um estacionamento na esquina, que ela se recusa a alugar (até parece q sairia do bolso dela) e ainda acha q Engraçadão é intransigente! (bote aqui uma cara de pasma!)

E não levantava do sofá nem por outro caralho! Deu vontade de perguntar se o namorado tinha quantas pirocas pra ela ser tão insistente assim! Me segurei, juro! Se eu não fosse casada ia lá conferir, porque né...?

Ficou o maior climão e ela só se levantou, quando Engraçadão propôs que ela conversasse com a vizinha de frente que não possui carro. Só assim ela se foi.

Quando ela entrou e segurou o elevador pra eu entrar, a única coisa que eu consegui dizer além do boa noite, foi cri-cri-cri-cri.
Aaah não sou obrigada! Pois sim...

quarta-feira, setembro 21, 2011

CONSTATAÇÕES

Andei caladinha por um tempo é verdade. Ando observando as pessoas. Eu, quietinha no meu canto, só observando o comportamento humano e a fogueira das vaidades.
É que ser diferente, antenado e novo, muitas vezes incomoda. Não dá pra dar mole pra Kojak, não é?
Então vamos ao mini-flashback!

Ano de 1994, eu começo a trabalhar na primeira empresa jornalística da minha vida como Assistente Administrativo. Numa época em q não existia mp3, não existia celular e o walkman, se atirado de uma certa distância era capaz de matar o infeliz que estivesse passando na direção.
Eu morava muuuito muuuito longe. Não tão longe quanto em Campo Grande, mas semelhante era a distância.

Minha fama naquele lugar infecto era de atrasada, maluca, piranha e dorminhoca.

Tinha uma série de coisas a consertar em mim. Tinha um péssimo relacionamento com minha chefe direta, que na minha opinião era alguém grossa, estúpida e que se deixava manipular pelo gerente. Um magrelo, babaca, da voz fina, que se trepasse com a mulher dele era capaz de se quebrar ao meio.

Um dia, eu fiquei sabendo que quase todos que me sorriam pela frente, falavam muuuito mal de mim pelas costas e eu, ao invés de tentar me defender, como vejo muitos fazendo por aí, ou ainda, guardar rancor de quem me massacrava (até porque eu não sabia quem eram eles), resolvi conversar com quem me conhecia (e me julgava) para saber o porquê daquilo tudo. Claro, nada disso foi num estalo. Não foi do dia pra noite, de qualquer modo, eu levei 2 anos e 6 meses naquela empresa, mas a mudança também não demorou 1 ano e meio para acontecer!

Eu observei que logo que cheguei lá e logo que me acostumei com o ambiente de trabalho, achei que todos (os mesmo q zoavam o chefe junto comigo), absolutamente todos eram meus amigos. Achei que todos por falarem besteira, tinham a cabeça aberta e ao ser questionada sobre minha vida pessoal, eu inocentemente contava causos, inclusive que tinha 3 namorados (que se juntasse os 3 não dava 1 e q desses 3, um voltara para América do Norte). Eu não comia ninguém. Mas tinha fama de puta. Claro, um dia um anjo bom me falou com delicadeza que parte do meu sofrimento se devia a minha postura. Em outras palavras, ela disse: feche a boca! E eu fechei. Nada de assuntos pessoais.
Eventualmente eu esqueço a minha própria regra, no entanto, as coisas se revelam e eu não cometo o mesmo erro duas vezes.

Descobri que chegar atrasada não era necessariamente o problema. O problema em si, era q eu não pedia desculpas ou não me justificava perante minha chefe direta. Aquela q eu achava escrota. Descobri isso da pior maneira possível. Um dia, ela não quis conversar comigo me ignorando no banheiro. Eu fui atrás dela e fomos lavando a roupa suja do corredor até a sala. Quem via, pensava que a porrada ia mesmo estancar.
Felizmente, eu pude observar coisas a serem corrigidas no meu jeito que incomodavam a ela profundamente e fazia com que ela não me respeitasse. Da mesma forma, que eu a fiz entender que o jeito com q ela vinha me tratando estava me fazendo mal e pior, não resolveria as coisas.
Ambas mudamos. Viramos as melhores amigas até o dia que saí de lá.

A fama de maluca eu infelizmente ainda carrego. Neguinho confunde maluquice com extroversão. Eu sou alto astral, extrovertida e não raro, falo o que penso. Adoro brincar, me divertir e fazer as pessoas rirem, por isso a fama. Nunca liguei pra isso. Só quando me atrapalhava profissionalmente. Então era o momento de pôr o pé no freio.

Dorminhoca é porque eu morava longe e mesmo sem saber, sofria de hipotireoidismo. Ainda sofro, mas tomo medicação. Naquela época, aonde quer que eu encostasse, eu dormia. Era um sono incontrolável. Podia ser após o almoço no sofá da sala de espera dos operadores, na ante sala do escritório em que eu trabalhava, na recepção de qualquer lugar... então, tinha essa fama.

Eu consegui reverter a situação e mudar minha imagem naquele lugar. Mas não foi tentando convencer ninguém de que eu tinha mudado verbalmente. Foi apenas com o meu trabalho. Eu aprendi o serviço. Eu me tornei vigilante quando pessoas que não tinham respeito por mim estavam próximos. Eu não dava mole de ler revista durante o expediente - coisa q uma amiga fazia, mas q era tão foda e competente, q ela podia se dar o direito - eu não. Eu estava chegando, eu estava me firmando ainda. Não podia, não devia e não fazia!
Passei por 3 setores diferentes e as coisas melhoraram quando saí do meu setor de origem. Fui mostrando minha competência ali e funcionou como um disseminador da boa nova. Àqueles q tinham uma visão negativa a meu respeito, começaram a divulgar q não era nada do que diziam e assim foi. Quando voltei para o meu setor de origem, todos me respeitavam, inclusive minha ex-chefe direta que voltara a ser minha chefe direta.

Por q eu comecei a contar tudo isso? Porque vejo acontecer com uma pessoa que conheço daqui do tronco.
No caso dela, ninguém fala diretamente pra ela. Ela também não tem fama de piranha, nem de atrasada, muito menos de dorminhoca ou maluca. Não.
Ela tem fama de fraca, de desatenta, de alguém que não se cuida, que vive na internet seja pelo celular, seja pelo computador mesmo, que não liga para aparência, que não tem postura para trabalhar numa multinacional do ramo de petróleo e gás... tudo isso falam dela e todos que falam, dizem exatamente a mesma coisa sempre. São eles os errados, eu me pergunto?

E mesmo se alguns poucos amigos tentam falar pra ela q tudo se deve a forma como ela se apresenta. Ela não liga. Talvez não ligue, porque sua chefe direta ainda não tenha se pronunciado (o meu gerente magrelo naquela época, também nunca havia se pronunciado).
O problema, é que as pessoas são extremamente ardilosas e combatem o diferente como um virus.
Essa minha conhecida, adora um celular, adora uma internet, adora uma música no ouvido e apesar de estar se sentindo mais segura, está ficando extremamente queimada ao redor. Tanto, que outras gerências que poderiam olhá-la com bons olhos, estão sendo afetados de maneira negativa.

A coisa se alastra e a pessoa simplesmente não entende, retruca... ou diz que vai mudar, mas não muda significativamente. E a fama se instala.
Eu queria muuuito mudar toda essa situação. Eu queria q ela mudasse agora.
Mas que mudasse a forma de se vestir, que cuidasse da aparência, que fosse mais profissional nas atitudes, que não desse motivo... mas sinto que ela tem que sofrer de verdade para crer que tudo o q já foi dito, não é brincadeira e que pode ter consequências desagradáveis para ela. Só para ela. É a vida dela porra!

Eu sei que se ela olhar ao redor e ver como as outras na mesma posição se vestem, como se apresentam, como se portam... se ela atrelar isso em sua apresentação profissional, as pessoas talvez deixem de falar do seu desleixo consigo mesma. Porque é muito fácil conseguir uma fama, desfazê-la é que é a grande pedreira.

Não sou mágica. Não sou sua parente, nem tenho o poder de fazê-la entender o quanto ela tem de mudar para que as pessoas a olhem com outros olhos. Postura sabe? Não é qualquer coisa.
Eu não aguento mais ouvir. Eu além de não aguentar, não queria mais que as pessoas viessem falar comigo e elas vem. Sempre vem.
Estou cansada, estou cheia disso e nada posso fazer. Eu não sou ela.
E ando calada quando vejo lamentos por aí, quando leio esses lamentos estéreis sem mudança de atitude.
Muito cansada.

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