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sábado, setembro 06, 2014

SEU FILHO PRECISA DE TERAPIA? CONHEÇA LUDOTERAPIA

ESSE POST NÃO É PUBLIEDITORIAL!
 
Um dia, por causa da Psoríase que o Sr. Cabeça de Bolinha começou a apresentar no dedinho, eu me vi forçada a ler textos acadêmicos sobre terapia infantil e acabei descobrindo que se tratava de uma doença psicossomática. 

Você sabe o que é isso? 
A grosso modo, são doenças de fundo emocional. 
Uma grande verdade. Eu já havia tentado de quase tudo para fechar a ferida no dedinho que ora cicatrizava, ora voltava a abrir. Afinal, sabia que Psoríase não tem cura. Numa das passagens, constava que o tratamento da Psoríase deveria ser acompanhado de terapia, além do tratamento tópico, ou seja, cuidados no local do ferimento.  Assim começou a busca por um profissional que pudesse atendê-lo e com a ajuda da escola das crianças, consegui a indicação de uma Psicóloga cuja especialidade era Ludoterapia. Mas que raio é isso de Ludoterapia? 

Elementar meu caro Watson, se você quiser aprofundar, esse site aqui vai te ajudar, mas na minha linguagem for dummies é mais fácil. Te explico. É psicologia para crianças dos 03 aos 12 anos, no entanto, de forma lúdica (o nome vem daí). Através da brincadeira, com jogos, desenhos, colagens, pinturas, o psicólogo tem condições de avaliar a criança por meio de comportamento, sentimentos, bem como se há indicação para pais ou terapia familiar.

No nosso caso, Sr. Cabeça de Bolinha levava o irmão para a sessão por vontade própria e nossa querida terapeuta apontou a necessidade de Pacotinho fazer sessões individuais também. Sr. Cabeça de Bolinha nunca apresentou o desejo de levar a irmã mais nova, o que foi respeitado por nós. 

Na ocasião não colocamos Pacotinho de imediato, contudo, com a mudança radical das escolas, achamos apropriado ele também ter sessões. Como se trata de um pré-adolescente a sessão é um pouco diferenciada da do irmão menor. Inclui jogos, bate papo, leitura de livros e muito esclarecimento, já que Pacotinho está bem na fase dos questionamentos.

Existe uma coisa em terapia que é o enfrentamento, né? Geralmente é nessa hora que os pais correm. As pessoas querem que o terapeuta conserte seu filho, mas não querem ser consertados. 
Aqui não é bem assim que a banda toca. A gente enfrenta a cada quatro semanas aproximadamente. Já teve choradeira, tiro, porrada e bomba. Já teve conotações de terapia de casal, coisa que gente como eu, que odeia uma DR, evitava a todo custo. Mas é bom, sabia? Conhecimento é sempre bom. A gente se torna seres humanos melhores à medida que vai se conhecendo melhor, sem contar que eu e marido ficamos mais unidos desde então. 

Sem contar que a nossa querida terapeuta já me tirou de algumas sinucas de bico por telefone. Me orientou muito em situações de stress, onde me via com vontade de esganar as crianças (quem nunca?) e acabava ligando pra ela pedindo socorro. Foi ela, a Drª Rosana Turlão que me ensinou REPETIÇÃO, PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA (multiplica por 3, já posso me rasgar toda?). Palavras chave na tarefa de educar filhos.

Então qual o propósito de uma criança fazer terapia? No nosso caso, foi por meio da doença, depois por meio da dificuldade financeira. Mas morre aí? Claro que não.
Crianças que passam por problemas de separação; crianças que apresentam um baixo rendimento escolar; aquelas que têm um dos cônjuges muito ausente; as que são extremamente abastadas com uma realidade muito distante da maioria da população; as que têm contato com a fama muito cedo... as que sofrem abusos de todo tipo e infelizmente isso existe de sobra; as crianças que apresentam histórico de violência na escola; fora os problemas de ordem psicológica que são evidentes, dentre tantas outras indicações.

Partindo da premissa que nós pais não somos perfeitos, que erramos com eles muito embora tentemos o melhor diariamente, a terapia vai ajudar a criança a se conhecer melhor, a adquirir segurança, a entender as diferenças familiares e por fim se sentirem amadas, porque saberão que seus pais estão de mãos dadas lhes dando autonomia para caminhar. 

A terapia dá isso a criança. Por meio da brincadeira, eles aprendem coisas que nós simples pais mortais nem sempre conseguimos ensinar. O barato da terapia é a visão neutra sobre as coisas e diferentemente da sua ou da minha visão, é salutar, dentro de valores éticos e educacionais.

Mas não adianta fazer terapia e na reunião de feedback correr. Ou ainda, pai ou mãe não levar as crianças às sessões, delegando esse "fardo" a terceiros. Faz parte do tratamento, a criança sair da sala e ver um dos dois esperando por ela. Nesse momento, o sorrisão da criança mostra o quanto estar ali para ela é importante. Eles se sentem cuidados.

Depois de quase um ano e meio fazendo Ludoterapia e faltando a pouquíssimas sessões, a Psoríase do Sr. Cabeça de Bolinha deu um descanso. Descobrimos nesse meio tempo, que a culpa que eu sentia em relação ao nascimento da Dona Miúda acabava por passar insegurança a ele, no entanto, não era esse o problema central. Que nada! Esse problema era muito mais meu que dele! O que mais afetava esse menino era a mania de perfeição. É um extremado perfeccionista e levava a sério demais esse negócio de querer ser o melhor em tudo. 

As atividades físicas que ele fazia no SESC e que teve de parar, por conta da mudança na gestão esportiva, vieram também atrapalhar as coisas. Antes, ele nadava duas vezes por semana e com a mudança, crianças abaixo dos 7 anos ficaram a ver navios. Então, esse tempo ocioso prejudicou os sentimentos dele, ainda que de uma maneira inconsciente. Não fosse a terapia, jamais teríamos descoberto, afinal, a vida com sua rotina de rolo compressor nos atropela e a gente não se dá conta de certos detalhes.

Hoje, os meninos fazem atividades ao longo da semana, além da terapia. O Sr. Cabeça de Bolinha está numa escola bem grande, onde pode jogar futebol quase todos os dias e aos sábados, é conhecido como Jojô do Agogô na Bateria de Jovens Surdos patrocinada pela TIM, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, projeto esse que terei o grande prazer de mostrar pra vocês aqui no blog.

Por tudo isso, a Ludoterapia nos ajudou e eu sou uma defensora, pois acredito que amor e cuidado, vem de dentro para fora. No coração e na cabeça. 

Fonte:

Definição de Ludoterapia, site Psychs
Drª. Rosana Turlão - Ludoterapia e Psicoterapia - Tel.: (21) - 98181-8511
Posts sobre Psoríase Infantil neste blog: Post 1 e Post 2

segunda-feira, julho 15, 2013

PSORÍASE - PARTE 2

Eu realmente não sei como começar, porque é uma luta constante e por mais que você se esforce, parece que as coisas não melhoram. Parece um beco sem saída, sabe? Você rala, se esforça e não vê melhora.

Se assustou? Isso é psoríase. Precisa-se cavar mais fundo.
Não é uma doença de superficialidades. Longe disso.
É um cavar sem fim.



Mas não saia correndo ainda! Eu acredito que isso seja parte do processo.

Sr. Cabeça de Bolinha está fazendo Ludoterapia  (Joga no Google!) e isso consiste basicamente em levar a criança para através da brincadeira, derrubar a fronteira do imaginário infantil, buscar suas expressões enquanto indivíduo expressando-as à realidade à  que a gente é íntimo.
Um desafio né? E olha que esse conceito eu acabei de criar. É... mas é como eu enxergo.

Então a rotina, o dia-a-dia, vamos considerar, não revelam com certa clareza o que anda acontecendo. Porque você está imerso na rotina e não se dá conta. Felizmente há a tão famigerada luz no fim do túnel.

Descobri através dessa mesma analista que eu também sou ansiosa. Pois é, tinha esquecido de mim criança. Das dores de barriga ou enjoos diante de uma expectativa nova de fuga da rotina. Simples para me deixar mega ansiosa. 

O Sr. Cabeça de Bolinha já é um pouco diferente. Ele é ansioso naturalmente. Leonino, sente a necessidade do controle, o que para ele deve ser um infortúnio, haja vista que veio a ser o filho do meio, ou seja, sem controle algum. Entre Pacotinho e Dona Miúda, fica entre competir e imitar o irmão mais velho e se segurar pra não sentar a porrada na irmã, já mandona e taurina, mais nova. Deve ser barra.
Em face do corre-corre que é nossa rotina, isso deve provocar certa angúsita. Mais ainda depois que a Miúda nasceu e sua regalia acabou.

Fato é que conversando, eu e a terapeuta, descobrimos que o encerramento das atividades esportivas, devido a mudança administrativa do SESC vieram causar mais ansiedade nele. Ano passado, ele fazia natação, o que de certa forma lhe colocava um freio. Após a mudança, apenas crianças à partir dos 7 anos podem praticar esportes lá. Resultado, ele e Dona Miúda estão de bobeira depois da escola. O único que seguiu no futebol foi Pacotinho, que optou por trocar a natação.

Olha que coisa boa! Todas essas fichas caíram à partir da Ludoterapia, que felizmente ele ama. Chega a ficar ansioso e acordar com as galinhas, ao saber que no dia seguinte terá sessão.

Hoje foi um pouquinho diferente. A psicóloga quis conhecer o irmão mais velho e constatou esse lance da ansiedade dele, que apresentou um quadro de piora. Pois é, eu até andei pintando os cabelos brancos por conta disso, porque não está sendo fácil. 
Ela me contou que ele não concluía as brincadeiras e pedia pra trocar no meio. Não sei se queria apresentar todos os brinquedos de uma vez ao irmão, ou se foi ansiedade normal. 
Não foi né?

Fato é que ela passou um calmante infantil, aprovado pelo Suuuuperpediatra e isso será aplicado. Outra coisa que eu notei, é que por conta de tamanha energia e também por ele já ter 5 anos completos, a falta do soninho da tarde está fazendo com que ele fique mais irritado. Então controlei seus horários hoje. 
Pulamos elástico, já que as férias estão aí, depois futebol e queimado. Na volta, dei banho nos dois, almoço e botei o Bolinha pra dormir o soninho da tarde, porque ele estava digamos assim... insuportável, chorava à toa, inclusive por ser queimado no jogo. A boa notícia é que ele acordou outra pessoa, ainda que sem remédio. Então o cansaço pode ser um motivo.

Engraçadão chegou do trabalho e trouxe o remédio que já foi ministrado, justamente por ele ter dormido a tarde toda.

Como eu disse no parágrafo de entrada, o Sr. Cabeça de Bolinha e a psoríase são uma grande batalha, um puta desafio pra mim, no entanto, há luz no fim do túnel, a guerra contra esse mal não está perdida e seguindo os procedimentos, a piora inicial faz parte do processo.

Com sol, medicação, terapia e calmante até que seja possível voltar aos esportes, essa porcaria de doença vai estabilizar, já que cura não tem.

Essa semana ainda vou ao SESC chorar a possibilidade de incluí-lo na iniciação esportiva. Talvez consiga, dado o histórico da doença e os motivos de seu início.

Sabe, eu não tenho vergonha de pedir, afinal, eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou apenas tentando "curar" meu filho amado.

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