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segunda-feira, julho 15, 2013

PSORÍASE - PARTE 2

Eu realmente não sei como começar, porque é uma luta constante e por mais que você se esforce, parece que as coisas não melhoram. Parece um beco sem saída, sabe? Você rala, se esforça e não vê melhora.

Se assustou? Isso é psoríase. Precisa-se cavar mais fundo.
Não é uma doença de superficialidades. Longe disso.
É um cavar sem fim.



Mas não saia correndo ainda! Eu acredito que isso seja parte do processo.

Sr. Cabeça de Bolinha está fazendo Ludoterapia  (Joga no Google!) e isso consiste basicamente em levar a criança para através da brincadeira, derrubar a fronteira do imaginário infantil, buscar suas expressões enquanto indivíduo expressando-as à realidade à  que a gente é íntimo.
Um desafio né? E olha que esse conceito eu acabei de criar. É... mas é como eu enxergo.

Então a rotina, o dia-a-dia, vamos considerar, não revelam com certa clareza o que anda acontecendo. Porque você está imerso na rotina e não se dá conta. Felizmente há a tão famigerada luz no fim do túnel.

Descobri através dessa mesma analista que eu também sou ansiosa. Pois é, tinha esquecido de mim criança. Das dores de barriga ou enjoos diante de uma expectativa nova de fuga da rotina. Simples para me deixar mega ansiosa. 

O Sr. Cabeça de Bolinha já é um pouco diferente. Ele é ansioso naturalmente. Leonino, sente a necessidade do controle, o que para ele deve ser um infortúnio, haja vista que veio a ser o filho do meio, ou seja, sem controle algum. Entre Pacotinho e Dona Miúda, fica entre competir e imitar o irmão mais velho e se segurar pra não sentar a porrada na irmã, já mandona e taurina, mais nova. Deve ser barra.
Em face do corre-corre que é nossa rotina, isso deve provocar certa angúsita. Mais ainda depois que a Miúda nasceu e sua regalia acabou.

Fato é que conversando, eu e a terapeuta, descobrimos que o encerramento das atividades esportivas, devido a mudança administrativa do SESC vieram causar mais ansiedade nele. Ano passado, ele fazia natação, o que de certa forma lhe colocava um freio. Após a mudança, apenas crianças à partir dos 7 anos podem praticar esportes lá. Resultado, ele e Dona Miúda estão de bobeira depois da escola. O único que seguiu no futebol foi Pacotinho, que optou por trocar a natação.

Olha que coisa boa! Todas essas fichas caíram à partir da Ludoterapia, que felizmente ele ama. Chega a ficar ansioso e acordar com as galinhas, ao saber que no dia seguinte terá sessão.

Hoje foi um pouquinho diferente. A psicóloga quis conhecer o irmão mais velho e constatou esse lance da ansiedade dele, que apresentou um quadro de piora. Pois é, eu até andei pintando os cabelos brancos por conta disso, porque não está sendo fácil. 
Ela me contou que ele não concluía as brincadeiras e pedia pra trocar no meio. Não sei se queria apresentar todos os brinquedos de uma vez ao irmão, ou se foi ansiedade normal. 
Não foi né?

Fato é que ela passou um calmante infantil, aprovado pelo Suuuuperpediatra e isso será aplicado. Outra coisa que eu notei, é que por conta de tamanha energia e também por ele já ter 5 anos completos, a falta do soninho da tarde está fazendo com que ele fique mais irritado. Então controlei seus horários hoje. 
Pulamos elástico, já que as férias estão aí, depois futebol e queimado. Na volta, dei banho nos dois, almoço e botei o Bolinha pra dormir o soninho da tarde, porque ele estava digamos assim... insuportável, chorava à toa, inclusive por ser queimado no jogo. A boa notícia é que ele acordou outra pessoa, ainda que sem remédio. Então o cansaço pode ser um motivo.

Engraçadão chegou do trabalho e trouxe o remédio que já foi ministrado, justamente por ele ter dormido a tarde toda.

Como eu disse no parágrafo de entrada, o Sr. Cabeça de Bolinha e a psoríase são uma grande batalha, um puta desafio pra mim, no entanto, há luz no fim do túnel, a guerra contra esse mal não está perdida e seguindo os procedimentos, a piora inicial faz parte do processo.

Com sol, medicação, terapia e calmante até que seja possível voltar aos esportes, essa porcaria de doença vai estabilizar, já que cura não tem.

Essa semana ainda vou ao SESC chorar a possibilidade de incluí-lo na iniciação esportiva. Talvez consiga, dado o histórico da doença e os motivos de seu início.

Sabe, eu não tenho vergonha de pedir, afinal, eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estou apenas tentando "curar" meu filho amado.

quarta-feira, junho 05, 2013

PSORÍASE INFANTIL - CHOQUEI!


O Sr. Cabeça de Bolinha apareceu com um machucado feio do dia pra noite. Disse ele, que foi puxar uma pele (cutícula) no cantinho do dedo e deu naquilo. Estava horrível! Lavei o local com sabonete bactericida, em seguida, usei água oxigenada, pomada cicatrizante e isolei a área.
Dia seguinte, retirei o envólucro do dedo, pois abafar machucado não é legal e apesar da melhora significativa, nos dias subsequentes, o dedo não melhorava.

Claro, suspeitei de herpes. Eu tenho herpes labial, o troço é genético, portanto, a culpa é minha certo? Já vi gente com herpes no rosto, o que seria umazinha no topo do polegar, afinal? Liguei pro pediatra e ele descartou de cara essa possibilidade. Semanas haviam passado e a herpes já devia ter involuído. É, tem razão - pensei.

Marcamos então a dermatologista infantil que acompanha a família já há alguns anos, só que quem levou foi o pai e este como não é tão detalhista quanto eu e só acompanhou o caso de longe, deixou de detalhar informações preciosas. A médica é tão boa, que receitou baseada no quadro de melhora que presenciava e nos recomendou algumas medidas, como deixá-lo afastado do Nintendo DS para não lesionar o dedo ainda mais, com a pressão no polegar e apesar de eu ter ligado explicando o histórico, ela foi categórica em medicar de acordo com que estava vendo.

Voltamos lá semana passada, dessa vez eu fui junto e meu queixo caiu quando ela diagnosticou Psoríase. Pronto. A culpa é do pai. Doença genética, eu não tive, mas o pai teve. Então voltamos pra casa com novos remédios e novas medidas. Só que, olha o que eu encontrei ao pesquisar o assunto! 
Antes de irmos direto pro popular senso comum da bagaça, procurei por fontes acadêmicas sobre o assunto e choquei, porque apesar de eu não ter transmitido o gene, estou diretamente ligada ao problema:


Ao ler esse artigo baseado no conceito de Wittin, a criança não conhece bem os limites de onde começa ou termina seu eu e a derme delimita esse espaço no ser (entre corpo e espírito) e em todos os casos, a criança tem dificuldade de expôr seus sentimentos, porque simplesmente não sabe fazê-lo. Há relatos de agressividade por parte da criança, ansiedade dela ou materna e abandono em diversos níveis, além dos traumas que quem é vivo, invariavelmente é acometido por ao menos unzinho.
Infelizmente, eu reconheço meu filho em todos os casos citados, com exceção do trauma.

Sr. Cabeça de Bolinha é agressivo. Seu lado leão dá uma porrada primeiro, pra depois perguntar o que foi e isso têm sido trabalhado há tempos, inclusive melhorou bastante. Pacotinho já não apanha diariamente do irmão. Acho que ele transferiu as porradas no irmão para sua  brincadeira preferida, que é botar os bonecos pra brigar, tendo inclusive quebrado parte deles, já que o som das porradas devem atingir as unidades vizinhas à nossa; apesar de estar prestes a completar 6 anos, esperar na concepção do Sr. Cabeça de Bolinha ainda é uma tortura, coisa que ele já deveria ter aprendido. 

O abandono, eu posso com segurança caracterizar pela chegada da Dona Miúda. Quando ela nasceu, Sr. Cabeça de Bolinha estava para completar 3 anos. Antes disso, nossa relação era muito próxima, de amor, cuidado, admiração, encantamento... lembro que a gente tomava banho junto quase todo dia, ria e brincava muito, eu contava muitas histórias e tenho isso filmado inclusive... Posso dizer que foi um baque, porque tudo isso acabou com a chegada dela, de uma só vez ou parte, foi transferida para o pai, que também nessas horas bate um bolão.

Não que eu não tivesse consciência disso. Eu sofri muito nas semanas antes de Miúda completar 1 mês. Eu senti esse afastamento, além do mais,  Sr. Cabeça de Bolinha é turrão pra dedéu. As coisas têm que acontecer no tempo dele e não  no meu. Então se naquela hora eu não podia dar carinho, não adiantava tentar depois. Já era tarde demais. E a rotina, infelizmente faz a gente se adaptar a tudo. Com o afastamento,  com os carinhos minguados, com o filho botando os bonecos pra brigar em detrimento do quebra-cabeças que amava antes.

Nesse artigo que li, os dois exemplos de meninos avaliados com psoríase, monstram crianças controladoras, ansiosas, que mudam as regras em seu favor. Todas adoram jogos de guerra ou que envolvam virilidade. Ao ler, me deparei com meu filho. Mas o que fazer a essa altura pra mudar nosso padrão?

Bem, além da medicação tópica, consta terapia para ele e é de suma importância que eu esteja presente, levando-o nas sessões, que eu me envolva e faça com que ele acredite que é amado. E é claro que ele é amado, só que talvez não sinta isso. 

Comprovadamente, desde o dia da última consulta, passando pelo tratamento que eu pessoalmente venho cuidando, notei que o ferimento está melhor. Passo hidratante todo dia nele, cuido quando ele já dormiu e ponho o adesivo-remédio no dedinho... outro dia tomamos banho juntos e eu cuidei dele como há muito não fazia, porque a galega ocupou esse lugar e já com uma semana de carinho intensivo, cuidado e atenção, ele está apresentando melhora.

Claro que quem me vê contando, pensa que o moleque tá com o corpo cheio de feridas e não chega nem perto disso. É uma feridinha no topo do dedão esquerdo que teima em não fechar. Às vezes sangra. O que nos deixa em pânico. 
Ok, EU fico em pânico. Mas pela primeira vez está evoluindo.

O tratamento além do psicoterápico, envolve medicação cutânea, hidratante na área afetada, sabonete de glicerina para não sacrificar o local e banho de sol nos horários saudáveis (até às 10h e após às 16h). 
Carinho, atenção, amor, muita conversa e paciência, porque as crianças que sofrem dessa doença, têm algo em comum: o temperamento explosivo ou agressivo e têm uma necessidade de acreditar que são amadas. 
Acho que o meu não acredita tanto, mas como minha própria irmã me disse, eu tenho o dom de desfazer minhas cagadas e recuperar o tempo perdido.

O meu leãozinho costuma rugir alto às vezes e a chicotada, definitivamente NÃO é a melhor saída. Nesse caso, o lenitivo é só o amor através das minhas atitudes. Basta isso.

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