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sábado, fevereiro 21, 2015

MATERNIDADE: PELA REAL BELEZA


Não me perguntem qual foi o buzz gerado pelas fotos da Cindy Crowford, 48 anos, mãe de dois filhos, ao sair na Marie Claire gringa, com a barriga à mostra e sem photoshop. Exigência dela. Sei que deu o que falar, mas não sei o que disseram. A mim, não importa o que os outros dizem. Importa como me sinto em relação a isso.

Acho mesmo que está na hora de as pessoas pararem de fingimento. Mulher de 80 se esticando para parecer ter 30, resultando numa cara de morta-viva, repuxada, artificial e assustadora. Não me refiro aqui, àquelas que REALMENTE necessitam de cirurgia, porque há casos e casos. No entanto, assim como virou moda a dieta da sopa, a cirurgia bariátrica, o remédio mata rato pra secar e os milhares de Whey Protein que nego toma, porque todo mundo toma, é hora de repensar a mensagem (claro e sempre), que estamos passando pros nossos filhos e pras nossas filhas. 

Pensa bem. Quando você luta por uma aparência dentro dos padrões, mesmo sabendo que terá de fazer sacrifícios demais, ainda que suprima o prazer da sua vida, que tipo de mensagem está passando pros meninos? 
  • Que mulher boa é a que tem barriga tanquinho? 
  • Que a mulher que tem rugas ou cabelos brancos não prestam? 
  • Que a estética deverá ficar em primeiro lugar, acima da boa índole, de uma mente sã, ou de uma pessoa bacana por trás da aparência? 
  • Que basta ser magra e sarada pra ser aceita, enquanto as separadas, viúvas, com rugas e histórias de vida; que são agradáveis, belas mulheres e bem resolvidas se fodem aê né? 

Bem, para as meninas a mensagem é cristalina: NÃO ENVELHEÇA, SEJA BELA A QUALQUER CUSTO, COSTURE A VAGINA SE FOR PRECISO PARA PARECER MAIS NOVA. Afinal, tem mulher fazendo correção vaginal para ficar com a xana novinha, então tudo pode, certo?

Errado. Eu e Cindy Crowford (mais algumas mulheres que não conheço, mas que vivem de forma igual) escolhemos dizer não à ditadura do corpo perfeito. 

Não nasci na Grécia antiga e nem nunca fui estátua, pra ser aquela perfeição toda. O perfeito não existe, meus caros. Tenho três filhos, já passei dos 40 e por conta das limitações que o peso da idade me imputa, passei a malhar em casa, para conseguir acordar quando o relógio toca e aguentar as brincadeiras, que crianças abaixo dos 10 anos exigem. 

Não me iludo quanto aos cabelos brancos que me cercam. Aliso-os, por uma questão de tempo e logística, faço umas mechas para me sentir bonita, mas cobrí-los, não mesmo.  Penso seriamente em raspar tudo, depois que meus filhos estiverem criados, para então libertar meus cachos. Um dia chego lá.

Minha filha que já nasceu linda e gostosa nessa ordem, nunca ouviu de mim que não poderia comer isso ou aquilo para não engordar, nem ao menos ouviu minhas lamúrias sobre peso, ainda que eu faça cara feia internamente. Não é problema dela. 

Meu biquini, como de toda boa carioca, é de lacinho, com as bandas da bunda aparecendo, obrigada. Se elas têm celulite? Tô nem aí. Minhas celulites são um sinal de que comi os hambúrgueres com bacon e ovos que quis e as cervas de fim de semana ao lado do meu marido (de barriga tanquinho). Inclusive, não me privo de nada, nem do miojo. 

Claro, que ir à praia no Rio de Janeiro é um processo. Você olha pro lado e vê mulheres lindas e lembra que um dia seu corpo foi assim e tals, só que o nome disso, de uma maneira geral, é juventude. Poucas mulheres agraciadas com a maternidade, ou com um bando de filhos têm tudo no lugar. Se têm, depois de uma certa idade, um dia vai cair. É a lei da gravidade. Então se a gente não se amar e não ensinar nossas meninas a fazerem o mesmo, essa doença não vai acabar nunca. 

Quero menos mulheres mal resolvidas no mundo. Quero meninas que se achem lindas magrinhas ou gordinhas. Quero mulheres seguras de si, muito embora acredite que se trate de uma utopia, já que as criações são diversas. Mas que pais e mães pensem bem antes de abrir a boca, tecer comentários machistas ou irreais acerca do corpo da mulher perto das crianças. Que tenham consciência. 

Já reparou como somos muito mais generosas com os homens? Já reparou como a gente aceita o outro careca, com barriguinha de chopp, baixinho, longe do ideal das revistas? Pois é. Então por que que com a gente não pode ser do mesmo jeito? Tá na hora de parar de fingir. Tá na hora de se aceitar. A começar pelas mulheres que se deixam aparecer com photoshop até no couro cabeludo. 

Por isso, palmas para Cindy Crowford, palmas para Cléo Pires, que quando saiu na Playboy recusou esse artifício, palmas para as agências de moda que contrataram aquela modelo com vitiligo, palmas para as pessoas de verdade, que têm coragem de mostrar algo muito simples, a verdade de seu corpo e a força de suas crenças. Por menos tratamento de imagem e mais realidade, por favor. 

Fontes:

Link no Tumblr sobre o assunto
Site onde saiu a matéria. 

quarta-feira, novembro 19, 2014

BLOGAGEM COLETIVA: O QUE VOCÊ APRENDEU COM A MATERNIDADE?


A Alessandra Nunes do blog Da Fertilidade à Maternidade convidou o Ah, Manhê!!! para participar da blogagem coletiva com o tema aprendizado com a maternidade.

Acho que o mito de que nós sabemos muito mais só porque somos adultos está definitivamente caindo por terra, graças à Deus!

As minhas contemporâneas e gerações mais novas já se ligaram que a gente é capaz de aprender com tudo a nossa volta, ainda mais em se tratando de criança. Pra isso é preciso ser atenta e humilde.

Nesse post coletivo, você fica conhecendo outras mães, novos horizontes e opiniões.



Blog Da Fertilidade à Maternidade 
Autora Alessandra Nunes 

Bjs e boa leitura!

quinta-feira, novembro 13, 2014

DAS RELAÇÕES ENTRE MÃES E FILHAS



Se os pais têm maturidade psíquica para reconhecer no filho um outro, diferente deles mesmos, as fronteiras psíquicas entre pais e filhos podem desempenhar uma importante função na qualidade desse relacionamento.Mariana Ribeiro, (Psicanalista, professora do curso "Entrelaces psíquicos entre mães e filhas" no Instituto Sedes Sapientiae; autora do livro Infertilidade e reprodução assistida - Desejando filhos na família contemporânea (Casa do Psicólogo, 2004), mestre e doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae) 
Falamos sobre quase tudo, menos das relações entre mães e filhas. Pode parecer óbvio para a grande maioria das mães, que se trata de um contato quase cercado de magia. A magia do amor. A mágica e simbiótica relação mãe - filha. Apesar de parecer óbvio para um multidão de mulheres, para mim essa relação teve data de validade.

Claro, vivenciei aquele primeiro amor da infância, onde filhas são apaixonadas, do tipo, quatro pneus arriados pelas mães. Admirava profundamente minha mãe, era louca por ela, achava-a a pessoa mais linda do mundo, fazia juras de amor eterno diariamente em seu nome. Era o tipo de fidelidade canina que só se vê entre mães e filhas, ou seria entre filhas e mães? Isso perpetuou até a chegada da adolescência, quando o véu da inocência definitivamente se rompe.

Em contato com outras amigas, a gente fica sabendo que os pais transam, a gente descobre que sexo é bom e que inclusive nossas mães praticam com gosto. Mesmo ignorando o fato de que pra eu nascer ela teria de ter se deitado com meu pai, naquela época isso tirou um pouco a aura de santidade que havia em torno da minha mãe. Depois vieram os conflitos acerca de uma separação pré-anunciada, mas que nunca chegava às vias de fato, bagunçando a cabeça materna e desviando o foco da adolescência de sua única filha: eu.
Conto isso para ilustrar que a própria vida se encarrega de promover o afastamento entre mães e filhas, seja lá por qual motivo.

Eu penso que a maternidade não é pra todas. É imprescindível que mães prestem atenção nesse amor inicial que constitui a essência da criança. Para que esse elo entre mães e filhas não se quebre prematuramente. E não me refiro a mimar sua filha e atendê-la em todos os seus caprichos – isso criará um monstrinho – mas a perpetuar esse elo, alimentar esse amor e ainda que sua filha discorde de você, é ela quem decide qual caminho seguir, que aprendizados prefere ter. Ainda que discorde do seu modus operandi, sua filha tem esse direito. O que você pode fazer é orientá-la e abrir os braços para que se eventualmente venha a cair, o carinho, o conforto, o colinho e a orientação estarão de braços abertos para recebê-la de volta. É simples assim. No entanto o egoísmo e aquela mania de autoridade que a gente tem, acaba nos afastando delas.

O primoroso texto da psicanalista Mariana Ribeiro para o portal Ciência e Vida, aborda a dificuldade de as mães administrarem e reconhecer nas próprias filhas mundos diferentes, o que seria responsável por verdadeiros desastres na relação. Geralmente, ignorar seus próprios medos, traumas, frustrações ou até fetiches e empurrá-los para debaixo do tapete, acaba por provocar uma espécie de transferência psíquica nas gerações seguintes. Filhas absorvem, filhas reproduzem e ao expor para suas mães as feridas escondidas se instalaria aí o conflito. Outra dificuldade é quando as mães enxergam nas filhas extensões de si mesmas. Preciso completar a frase?

Foi o que me deixou traumatizada e morrendo de medo de ter uma menina: a famigerada competitividade entre mães e filhas; certo tipo de mãe que tem o hábito de minar a autoestima da filha de pouquinho em pouquinho, todos os dias. E isso acontecia debaixo de diversos tetos além do meu. Tem mãe que adora dizer pra filha o quanto ela está gorda, quando a própria não representa modelo de magreza; tem mãe que parece sentir prazer em dizer que sua filha é uma vagabunda se esta não se mantém casta até o casamento (e olha que isso ainda acontece hoje em dia!); existem aquelas que parecem sentir ódio, ao invés de orgulho das filhas que estudaram, que chegaram a algum lugar, que conseguiram um diploma, ao invés de sentirem orgulho de ver o sucesso de suas crias e tantas outras que profetizam o quanto suas filhas são e serão fracassadas, antes de dar um voto de confiança, ou tentar ouvir uma nova ideia que pode ser bem sucedida amanhã. Recusam-se a ouvir suas crias simplesmente por não confiarem nelas próprias, afinal se a própria mãe morre de preguiça de lutar, de sair do lugar, como suas filhas têm esse poder? Também conhecida como inveja.

Por tudo isso, eu morria de medo de ter meninas. Eu vi a transformação acontecer comigo, vi acontecendo com amigas minhas, salvo raras exceções. Foi uma geração filha da ditadura que não sei que tipo de defeito deu. Danou a competir e descontar nas próprias filhas suas próprias frustrações. Eu tinha medo que acontecesse comigo. Tinha medo de sofrer algum dano cerebral, que minasse meu amor por ela. Talvez por isso tenha passado quase nove meses de mau humor, deprimida, chorando por qualquer motivo, morrendo de medo dela.

Claro, esse medo se desfez assim que pus os olhos na galega. A galega personifica esteticamente a mulher que eu sempre quis ser, mas nem por isso vou chama-la de feia por inveja. Sua beleza é tão reluzente, seu jeito de ser despachado, toca a qualquer pessoa; ela é meio maluquinha e fala as coisas assim, na lata, como uma taurina deve ser sem perder a docilidade (coisa que não sei fazer); faz caretas hilárias que eu passei a reproduzir sem querer (quem imita quem? Provavelmente eu a imito); ela é companheira para todas as horas e já dá pra notar um mulherão ali dentro, preso num corpitcho de criança – Dona Miúda é mais mulher que eu e têm me ensinado muito sobre feminilidade - , é das que perde o amigo, mas não perde a piada (também) e é caprichosa com as coisas que faz; adora ajudar; é fashionista toda vida desde que nasceu e melhor, quando me olha nos olhos, eu enxergo aqueles coraçõezinhos que eu tinha no olhar. A galega me põe num pedestal do qual há muito tempo caí.

Sei que sou a pessoa mais importante na vida dela, quer dizer, das mais importantes. E eu prometo ficar atenta. Ainda que discorde de algumas questões, eu já faço o exercício de deixá-la dar seus próprios passos, ainda que saiba que alguns não darão certo. É o amor com liberdade. É amor.
Um dia, uma antiga funcionária que já mora na companhia de Deus vendo meu desespero ao estar grávida de uma menina (tinha 4 filhos e 1 filha) me disse que filha é pra vida toda e em sua simplicidade falou assim:
- Você vai ver! Com menina a parada é diferente!


Só posso concluir que ela estava certíssima! Com menina, a parada é mesmo diferente. É ver para crer e para amar infinitamente.

sexta-feira, novembro 07, 2014

PARA PORTAR O ESPÍRITO MATERNIDADE


É sabido o tamanho da transformação que a chegada de um bebê causa na vida das mulheres. A descoberta desse novo amor revoluciona o nosso mundo. Muitas se comportam como se possuídas fossem por um espírito poderoso chamado “maternidade”, que passa a governar seus dias, sua rotina, suas horas, seus pensamentos, decisões, prioridades e uma vida inteira. Esse espírito se apossa sem cerimônia, toma conta e sem se dar conta, nós mães ficamos à mercê de seus mandos.

Algumas moças têm verdadeiro pavor de se tornar mães, porque ao ser mais observadoras, notam o quanto de demanda esse espírito exige e quantas de nós se abandonam à partir de tamanha exigência, a ponto de se esquecerem de quem eram em nome dessa novidade. Essas moças geralmente repudiam o espírito “maternidade”, levantando bandeiras e debates contra.

De certa forma, elas têm razão. Esse espírito é muito vigoroso e se apossa da gente. Muda nossa vida, nossos horizontes e faz a gente se esquecer de nós mesmas. A gente se abandona, ainda que as moças não reparem nosso sorriso de cantinho de boca e o brilho no olhar, apesar dos cabelos em pé, das unhas descascadas e dos lapsos de memória – qual mãe não sofre de lapsos de memória?

Por isso eu resolvi lembrá-las que para ser o “cavalo” do espírito maternidade, é preciso se reencontrar. É preciso dar a mão a si mesma, fazer as unhas, pentear os cabelos, se maquiar, sair com as amigas sozinha, ou curtir a sós uma sala de cinema no meio do riso ou silêncio do drama. É preciso viajar para visitar a irmã que agora mora em outro estado, ou perder algumas horas no trânsito em nome do chá com a mamãe ou o café com o papai que ainda estão vivos; é preciso ligar para a melhor amiga para contar as vitórias ou colher um outro ponto de vista, que evite as derrotas. Para portar tal espírito, é preciso reconhecer que nós “cavalos”, precisamos dar espaço para o nosso antigo eu.

É vital esse reencontro. É vital parar com tudo e se reconhecer naquela menina que nasceu há tantos anos atrás, filha de sua mãe, sua essência. Esses encontros nos põem nos eixos, no nosso centro, no cerne da vida, sobretudo nos põe de volta ao controle de nós mesmas. Pessoas únicas e exclusivas nesse universo.

Depois que a gente se reconhece, fica mais fácil abraçar o espírito “maternidade” de frente e de peito aberto. O grito dará espaço ao diálogo, as brigas por besteira cessarão em nome da compreensão assim de bom grado. Haverá paciência, saudade, carinho em abundância e melhor, ninguém vai morrer durante a pausa.

É importante nos darmos o direito à pausa, assim como aos nossos cônjuges, principalmente se eles chegarem junto e for cavalos do espírito “paternidade”. Afinal, muitos deles ralam tanto quanto nós, não é mesmo?

E que tal uma pausa conjunta? Que tal relembrar o tempo de namoro, só os dois, num programa namoradinho? Pode ser o cinema, pode ser o bar, pode ser a quadra da escola de samba, pode ser um motelzinho pros chegados... vale tudo em nome dessa individualidade quase perdida. O que não vale, é descontar frustração nos pequenos.
Acredite e aplique. É para o bem de todos.

quarta-feira, outubro 29, 2014

BC (Blogagem Coletiva) DO SOU MÃE.ORG COM PARTICIPAÇÃO DO AH MANHÊ!!!




Fui convidada pela Gisele Cirolini do site Sou Mãe.org junto com outras mães blogueiras a participar de uma blogagem coletiva falando sobre o impacto da maternidade na minha vida.

Para quem não é íntimo dos termos, é normal encontrar nos blogs da vida o termo BC que quer dizer exatamente a mesma coisa ~expliquei ali no título ~ e todas as mães que participaram tinham de contar suas experiências  sobre o que mudou na sua vida após a chegada dos filhos?.

A experiência é bacana, enriquecedora e propicia além da troca de informação entre as mães, a descoberta de mais talentos na arte de falar de filhos e universo materno, que claro, foram elencados aqui na galeria de links (na coluna à direita) que eu coleciono e visito. 

Toda essa galera tem muito a ensinar, além de dar ideias de temas para escrever aqui no blog. Vocês sabem que eu sou lentinha, né?

Então não percam tempo! Entre nesse link e boa leitura!


sexta-feira, setembro 26, 2014

HANGOUT: BIRRAS E LIMITES ENTRE OS 2 E 4 ANOS


Na terça feira passada foi dia de Hangout e a questão levantada foi justamente as birras que as crianças entre 2 e 4 anos fazem. 

Como eu já discursei sobre o assunto nesse post, que é um dos mais visitados dos últimos dois anos, achei pertinente postar aqui esse assunto, que quem é mãe, invariavelmente vai passar ou passa.

Crianças nessa idade fazem birra e muitas vezes, em se tratando de filhos menores, muitas vezes os pais acabam cedendo a esse tipo de manha, defendendo os menores em detrimento dos filhos maiores.

Nós pais e educadores, não raro costumamos ceder aos encantos dos pequenos. Por quê? Geralmente porque julgamos que sejam indefesos, dependentes demais, criando assim uma ditadura dentro de casa em torno dos pequenos.

Um alerta: agir dessa forma é uma maneira de deseducar. Se você na boa intenção, pensa que está protegendo, na verdade está criando um futuro mimadinho, acostumado ao mando dentro de casa e sejamos francos, isso é legal? Acho que não.

A Aline Kelly, presenciou uma cena no metrô, o que gerou a iniciativa do hangout. Ela viu uma família com três meninas, onde a pequena de dois anos, agitada, saía do assento e ao ser "detida" pelas irmãs maiores, tascou uma mordida daquelas, deixando a irmã mais velha chorando, ao que os pais ao invés de discipliná-la, acolheu a caçula, deixando a maior chorando sem se importar com a péssima conduta da pequena. 

Notem, filhos são filhos e como futuros adultos, precisam de limites. É sabido que na idade dos dois anos, os pequenos usam a mordida para se defender. Daí a acatar esse tipo de comportamento e aceitá-lo consiste em grande erro dos pais.

É isso que foi discutido nesse hangout. Como passar valores para crianças tão pequenas? Até onde essa disciplina é eficaz? Usando um pouco do meu exemplo, eu que dessa vez não participei do hangout, todos aqui tiveram a mesma educação, respeitando os encantos e diferenças de cada um. Dona Miúda, que é a caçula, nunca mordeu os irmãos, mas ao menor sinal de desrespeito, é motivo de castigo. 

Aquela máxima de que é de pequenino que se torce o pepino, é muito válida aqui em casa e eles já entenderam. Não que não teimem, ou que não ultrapassem certos limites. É natural das crianças desafiar os adultos, porém é da natureza dos pais e obrigação, educar e ensinar o certo. E respeito ao próximo, é algo que precisa ser ensinado desde cedo.

São os nossos exemplos principalmente, que vão moldar o caráter dos nossos filhos. Portanto, repitam incansavelmente, insistam, eduquem e persistam até do túmulo! Nossa voz será ouvida e respeitada por eles, pois somos seus pais com todo o peso que essa palavra representa.

Bom hangout pra vocês!

 

sexta-feira, janeiro 24, 2014

MATERNINADE + VAIDADE = BIPOLARIDADE


Lá vai a mãe toda faceira tentar comprar um óculos de sol. 
Reformulando, lá vai a mãe toda faceira fazer uma estimativa de preços de um óculos de sol. 
Melhor.
Lá vai uma mãe toda faceira, que não compra óculos de sol há pelo menos dois anos e que precisa urgentemente de um.

Juro que tentei seduzir marido com a ideia de me comprar um óculos de sol novo, afinal, o meu atual, comprado de presente num charmoso camelô em Londres, com aquelas lentes de prárdigo chiquérrimas, vintage, quase hipsters na cor Red (o grito em sibemol da moda em 2012), está com a lente toda arranhada sei lá por qual motivo. Acho que é do tipo auto-arrnhável, sei lá. Fato é, eu que sofro de fotofobia e não vivo sem um óculos de sol, desde que tinha 4 anos de idade, estou com vontade de jogar o vermelho no chão e pular em cima. Só tem um problema: EU NÃO POSSO FICAR SEM ÓCULOS DE SOL!

Preciso repetir meu redemoinho profissional e as mazelas da minha vida financeira de 2012 pra cá? Acho que não né?! Até porque, vocês já leram (bom, se você ainda não leu, acesse os links de 2012 na coluna direita)!

Agora eu sou uma mãe, dona de casa, estudante e esposa que depende do dinheiro de marido para qualquer coisa. Coisa essa que não estou muito habituada desde que tinha 18 anos. Sabe como é mulher né? A gente está precisando, vai lá na loja, duranga mesmo, parcela e sai feliz como se não tivesse que pagar. Já eu, não posso mais me dar ao luxo.

Hoje na praia com maridón, usei a velha tática do cerca Lourenço, da conversa mole e não ouso chamar essa tática de sedução, porque na verdade não foi. De maneira, que conversamos sobre o ebay.

Entrei no dito cujo, mas tudo em Inglês, confesso, me senti meio perdida com tanto óculos. Não sabia se eram bons ou ruins, porque os preços começavam em centavos de dollar. Estava na cara que eram lances. Então arrisquei pisar num terreno que já frequento e digitei RAY BAN. 

Ray Ban aqui no Rio sai caro. Ora, se o pão no Rio de Janeiro está pela hora da morte, que dirá o Ray Ban, não é mesmo? Ainda que chame de investimento, o mais mais barato do tipo, não sai por menos de cento e sessenta paus. 

Agora você me diz, como eu vou falar em cifras com marido, com tanta coisa precisando em casa. Claro, disse que não valia a pena e que hoje mesmo iria no shopping procurar um modelo daquele que anda anunciando no BBB. Aliás, foi dessa marca que comprei o meu último grande, lindo e maravilhoso óculos de sol e que durou uns dois anos. Enfim, ele quebrou nas mãos de Dona Miúda. Contudo, achei de grande ousadia, ousar pensar num Ray Ban nessa altura do campeonato.

Então fui ao shopping. Lugar esse que não ouso pôr os pés desde vocês sabem quando. Fui lá. Tomei coragem e fui mesmo, cara! Fui e não gostei. Eu tenho a mão cagada, vocês também sabem disso, então tudo que eu pegava começava com duzentos e nem era Ray Ban. Beleza que os modelos eram lindos e tals, alguns muito a minha cara, de qualidade, mas começando com duzentos, chegando bem perto dos trezentos.

Fiquei ali um tempo fazendo a pheena, babando e tremendo por dentro, morrendo de ódio do meu bocão. Só lembrava do Ray Ban, cem paus mais baratos. Tudo bem que o Ray Ban ficaria com aquela cara do meu óculos de grau, hipster toda vida, mas quem liga? É de qualidade. E diante de preços tão absurdos, o que nos resta senão recorrer ao ebay? Ainda sim, me pergunto: É sério que não dá pra ser mãe e vaidosa nessa cidade do Hell de Janeura?

Ideal de óculos e cabelo
Grata
Obviamente não me refiro às rycahs de fato! Também não me refiro às que trabalham. Será que me refiro às estudantes com pais ferrados?
Já não sei em que categoria me encaixo mais.
Vejam só, consegui um estágio e hei de começar no início de fevereiro, com saldo mega comprometido. É provável que veja a cor do dinheiro lá pelo quarto ou quinto mês de trabalho, de qualquer forma, precisarei de unhas novas, roupas, sapatos e um cabelo digno. O meu cabelo inclusive, deixei de alisar. Saí dizendo por aí que vou voltar aos cachos, mas não nego que com muita dor no coração. Perde-se tempo em manter cachos, ou seja, tudo o que não posso me dar ao luxo. Meu cabelo, é minha imagem, é meu adorno e a forma que me sinto confiante. De cabelo feio, talvez minha libido continue no ralo. Aliás, eu estou indo pro ralo, não é pra rir.

Então, só me resta pesquisar na internet, rezar e ter fé. 
Vou fazer a dieta do espelho, parar de me olhar, comprar cremes ativadores de cachos, rezar, usar o óculos arranhado, bater de cara no poste, rezar, procurar um ortipedista que conserte meu rosto, rezar, ignorar o espelho, encolher a barriga e continuar rezando.

Não existe solução mágica.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Ninguém te conta - MATERNIDADE PRAZAMIGA



Tem uma amigona minha, que morria de medo de dar o pontapé inicial rumo à maternidade. 
Eu sempre floreei a situação... quer dizer, floreei não. Eu sou do tipo que quando me dão um limão, eu me debato, mas faço a porra da limonada, não é assim que tem que ser? 

De maneira que não perdi meu tempo falando das coisas ruins, porque a maior bênção que meus filhos me deram, foi o auto-conhecimento. Ninguém nessa vida foi capaz de tamanha façanha. Além de terem me colocado no meu devido lugar, claro. A gente aprende a entrar lá no fim da fila, dar um bico no ego e seguir adiante. Esse aprendizado também é o máximo, praqueles de coração aberto a aprender com qualquer coisa, principalmente crianças.
Só que nem todo mundo está a fim de passar por isso tão cedo e isso não consiste um pecado. É apenas o tempo de cada um, oras! Livre arbítrio, lembra?

Afinal... Ninguém te conta que quando você sai da maternidade com o bebê, ele se transforma num mini-monstro. Ele não te deixa dormir na madruga e mama até seus peitos ficarem doídos.

Ninguém te conta que a amamentação, não é aquela coisa linda e glamourosa que te contam na TV. Não quero aqui apagar a importância da amamentação na vida do bebê, mas existem aquelas mães que sentem imenso desconforto durante o ato, ou existem aqueles bebês que não estão a fim de mamar no peito, tem ainda os bicos que racham, as mamas que inflamam e te dão a sensação de que estão ateando fogo nelas, enquanto o bebê faz menção de sugar. Por conta disso, vem uma incrível culpa em cima das progenitoras, típicas de toda a lavagem cerebral que é feita na mídia. 
Alô mães, a criança tem que se alimentar e basta. Se for bom, se der pra levar, Ok. Se não der, mamadeira neles! Ninguém vai pro inferno por isso, nem mamãe e nem bebê! 
NOTA: Eu amamentei meus 3 filhos por no mínimo 5 meses.

Ninguém te conta que seu peito VAI CAIR SIM depois que você amamentar. 
Não encare isso como campanha contra amamentação, por favor. Só estou te contando a real. Sabe, eles sugam, puxam, alguns mordem seu peito, e claro, isso tem que ter uma consequência. Para umas mais, para outras menos, ainda sim, eles vão mudar e pra pior. Conforme-se.

Ninguém te conta que se você fizer cesária, tem sempre o primeiro cocô, que pras que sofrem de prisão de ventre, àdeus tóba e a perda da liberdade de ir e vir (dos quartos pro banheiro e pros quartos novamente), é algo que vai te deixar parecida com Darth Vader. Para as que adoram um mole ou serem cuidadas, pode ser uma fase boa. Para as que odeiam depender dos outros, será uma verdadeira batalha a ser travada e há que se tirar algum aprendizado disso.

Ninguém te conta que seus hormônios vão te trair ao ponto, de te fazer xingar quem mais te ajuda, te deixar intolerante com as mínimas coisas, tipo... choro de recém-nascido, ou uma toalha fora do lugar. Isso, pode virar sinônimo de tsunami dentro de casa. 

Ninguém te conta que se você já tiver outros filhos, a chegada de um novo membro pode ser um período tenso, de disputas territoriais e muita zoeira na cabeça do bebê. Tente não projetar seus medos, embora isso seja quase impossível. Mas esse lance de fazer silêncio pro bebê poder dormir, esqueça, entregue pra Deus (se crê em um), ou apele pra chantagem. Coisa que toda mãe aprende a fazer com maestria.

Ninguém te conta que você estará condenada a comer comida fria, ou mesmo restos de comida, por quase todo o resto da vida (dependendo da quantidade de filhos que tiver), ou por longos anos, principalmente se você for contra o desperdício, ou ainda for daquelas que prezam o trabalho bem feito (se for das que cozinham) e odiarem jogar comida fora.

Ninguém te conta, que se você não praticou sexo na gravidez, sua perseguida encolheu e voltou a ser virgem. Então, haverá a primeira vez e queridaaammmm, isso doooooi!

Seguindo essa vertente, ninguém te conta que a última coisa que você vai querer ver na vida é piru, por pelo menos um bom tempo. Porque é pouca mãe pra tanta demanda!

Ninguém te conta que as meninas choram, berram, dramatizam e grudam como chicletes, te dando ímpetos de arremessá-las pela janela.

Em compensação, amoor, quando eles dormem e exalam aquele cheirinho; quando eles te olham como se você fosse a coisa mais importante do mundo; quando eles nascem no inverno e têm aquele corpo quentinho, capazes de espantar seu frio; quando eles dão o primeiro sorriso banguela só porque você é a mãe deles e a pessoa em que eles mais confiam na face da Terra... quando as similaridades com você, seja no rosto ou personalidade começam a aparecer, cara, impossível não te encher de orgulho, não te derreter.

A gente é capaz de matar ou morrer por eles. 
Mas isso, nem precisa te contar. Você vai descobrir sozinha.

quarta-feira, junho 05, 2013

PSORÍASE INFANTIL - CHOQUEI!


O Sr. Cabeça de Bolinha apareceu com um machucado feio do dia pra noite. Disse ele, que foi puxar uma pele (cutícula) no cantinho do dedo e deu naquilo. Estava horrível! Lavei o local com sabonete bactericida, em seguida, usei água oxigenada, pomada cicatrizante e isolei a área.
Dia seguinte, retirei o envólucro do dedo, pois abafar machucado não é legal e apesar da melhora significativa, nos dias subsequentes, o dedo não melhorava.

Claro, suspeitei de herpes. Eu tenho herpes labial, o troço é genético, portanto, a culpa é minha certo? Já vi gente com herpes no rosto, o que seria umazinha no topo do polegar, afinal? Liguei pro pediatra e ele descartou de cara essa possibilidade. Semanas haviam passado e a herpes já devia ter involuído. É, tem razão - pensei.

Marcamos então a dermatologista infantil que acompanha a família já há alguns anos, só que quem levou foi o pai e este como não é tão detalhista quanto eu e só acompanhou o caso de longe, deixou de detalhar informações preciosas. A médica é tão boa, que receitou baseada no quadro de melhora que presenciava e nos recomendou algumas medidas, como deixá-lo afastado do Nintendo DS para não lesionar o dedo ainda mais, com a pressão no polegar e apesar de eu ter ligado explicando o histórico, ela foi categórica em medicar de acordo com que estava vendo.

Voltamos lá semana passada, dessa vez eu fui junto e meu queixo caiu quando ela diagnosticou Psoríase. Pronto. A culpa é do pai. Doença genética, eu não tive, mas o pai teve. Então voltamos pra casa com novos remédios e novas medidas. Só que, olha o que eu encontrei ao pesquisar o assunto! 
Antes de irmos direto pro popular senso comum da bagaça, procurei por fontes acadêmicas sobre o assunto e choquei, porque apesar de eu não ter transmitido o gene, estou diretamente ligada ao problema:


Ao ler esse artigo baseado no conceito de Wittin, a criança não conhece bem os limites de onde começa ou termina seu eu e a derme delimita esse espaço no ser (entre corpo e espírito) e em todos os casos, a criança tem dificuldade de expôr seus sentimentos, porque simplesmente não sabe fazê-lo. Há relatos de agressividade por parte da criança, ansiedade dela ou materna e abandono em diversos níveis, além dos traumas que quem é vivo, invariavelmente é acometido por ao menos unzinho.
Infelizmente, eu reconheço meu filho em todos os casos citados, com exceção do trauma.

Sr. Cabeça de Bolinha é agressivo. Seu lado leão dá uma porrada primeiro, pra depois perguntar o que foi e isso têm sido trabalhado há tempos, inclusive melhorou bastante. Pacotinho já não apanha diariamente do irmão. Acho que ele transferiu as porradas no irmão para sua  brincadeira preferida, que é botar os bonecos pra brigar, tendo inclusive quebrado parte deles, já que o som das porradas devem atingir as unidades vizinhas à nossa; apesar de estar prestes a completar 6 anos, esperar na concepção do Sr. Cabeça de Bolinha ainda é uma tortura, coisa que ele já deveria ter aprendido. 

O abandono, eu posso com segurança caracterizar pela chegada da Dona Miúda. Quando ela nasceu, Sr. Cabeça de Bolinha estava para completar 3 anos. Antes disso, nossa relação era muito próxima, de amor, cuidado, admiração, encantamento... lembro que a gente tomava banho junto quase todo dia, ria e brincava muito, eu contava muitas histórias e tenho isso filmado inclusive... Posso dizer que foi um baque, porque tudo isso acabou com a chegada dela, de uma só vez ou parte, foi transferida para o pai, que também nessas horas bate um bolão.

Não que eu não tivesse consciência disso. Eu sofri muito nas semanas antes de Miúda completar 1 mês. Eu senti esse afastamento, além do mais,  Sr. Cabeça de Bolinha é turrão pra dedéu. As coisas têm que acontecer no tempo dele e não  no meu. Então se naquela hora eu não podia dar carinho, não adiantava tentar depois. Já era tarde demais. E a rotina, infelizmente faz a gente se adaptar a tudo. Com o afastamento,  com os carinhos minguados, com o filho botando os bonecos pra brigar em detrimento do quebra-cabeças que amava antes.

Nesse artigo que li, os dois exemplos de meninos avaliados com psoríase, monstram crianças controladoras, ansiosas, que mudam as regras em seu favor. Todas adoram jogos de guerra ou que envolvam virilidade. Ao ler, me deparei com meu filho. Mas o que fazer a essa altura pra mudar nosso padrão?

Bem, além da medicação tópica, consta terapia para ele e é de suma importância que eu esteja presente, levando-o nas sessões, que eu me envolva e faça com que ele acredite que é amado. E é claro que ele é amado, só que talvez não sinta isso. 

Comprovadamente, desde o dia da última consulta, passando pelo tratamento que eu pessoalmente venho cuidando, notei que o ferimento está melhor. Passo hidratante todo dia nele, cuido quando ele já dormiu e ponho o adesivo-remédio no dedinho... outro dia tomamos banho juntos e eu cuidei dele como há muito não fazia, porque a galega ocupou esse lugar e já com uma semana de carinho intensivo, cuidado e atenção, ele está apresentando melhora.

Claro que quem me vê contando, pensa que o moleque tá com o corpo cheio de feridas e não chega nem perto disso. É uma feridinha no topo do dedão esquerdo que teima em não fechar. Às vezes sangra. O que nos deixa em pânico. 
Ok, EU fico em pânico. Mas pela primeira vez está evoluindo.

O tratamento além do psicoterápico, envolve medicação cutânea, hidratante na área afetada, sabonete de glicerina para não sacrificar o local e banho de sol nos horários saudáveis (até às 10h e após às 16h). 
Carinho, atenção, amor, muita conversa e paciência, porque as crianças que sofrem dessa doença, têm algo em comum: o temperamento explosivo ou agressivo e têm uma necessidade de acreditar que são amadas. 
Acho que o meu não acredita tanto, mas como minha própria irmã me disse, eu tenho o dom de desfazer minhas cagadas e recuperar o tempo perdido.

O meu leãozinho costuma rugir alto às vezes e a chicotada, definitivamente NÃO é a melhor saída. Nesse caso, o lenitivo é só o amor através das minhas atitudes. Basta isso.

quarta-feira, maio 01, 2013

Que Pais são esses?

 

Longe de querer fazer menção a música de Renato Russo que está na moda outra vez por conta do lançamento do filme Somos Tão Jovens, essa é a pergunta q tenho me feito não é de hoje e sem querer me eximir de culpa, claro. Como eu acredito em reencarnação, creio mesmo que devo ter a minha parcela de culpa na escolha dos seres envolvidos. Infelizmente, essa culpa e a lição que devo aprender ainda está longe de ser descoberta. A de que eu não sou ninguém, seria isso?

Se eles lerem esse post aqui, pouco me importa como hão de se sentir. Porque de todas as escolhas q eles fizeram na vida, apesar de estarem tentando acertar, a impressão q me passa, é que seus egos estavam na frente de tudo bem lá no fundo, ou no raso mesmo.

Primeiramente, vamos falar da parte boa, pra vcs entenderem o ideal de mãe. Ideal uma vírgula, porque se cerumanos falhos q somos, nem somos capazes de mensurar o significado de ideal, SIM, SOMOS MASSA IGNORANTE MESMO APRENDENDO A EVOLUIR, portanto esse papo de ideal é balela, mas retomando, vamos a um típico arquétipo do que pode se aproximar uma mãe no imaginário coletivo de uma criança e o que eu tive aproximadamente.

Ela brigava muito comigo na infância. Me corrigia, ralhava comigo, me punha pra dormir à tarde, coisa q eu não suportava mais aos 3 anos sei lá, ou 2 (porque aos 3 fui matriculada na escola então essa lembrança de ser forçada a dormir, só pode ser aos 2), prometia q ia contar pra geral q eu não estava estudando e só vendo desenho; ela me contava as histórias de sua vida e de sua infância também, sem q eu perguntasse nada; ela me ouvia; ela me ouvia pra cacete; ela brincava de pique peitinho comigo, porque apesar de ser gorda e baixinha, não tinha vergonha de ficar nua na minha frente, nem se envergonhava de seu corpo; ela conversava comigo sem me cobrar qualquer coisa q fosse, quando eu fiquei adulta; ela não me fazia sentir constrangida quando eu sentava de perna aberta ou se passasse pelada entre um cômodo e outro da casa q só moravam mulheres; ela me viu chorando diversas vezes e me deu seu ombro; ela sabia meus segredos antes de todo mundo; ela se preocupava com a minha felicidade, mesmo q esta se traduzisse numa passagem de ônibus naquele momento; ela não tinha grana, mas se me visse precisando, me dava um troquinho só pra ajudar, mesmo q não fosse o suficiente; eu evitava pedir coisas demais pra ela porque não era justo, afinal, eu tinha pai e mãe.

E foi assim que eu cresci. Tendo pai e mãe que por décadas foram meu modelo, mas que nunca podiam, q sempre estavam duros e q sempre jogavam o pepino pro outro, até o dia da separação deles e depois disso também.

Raras vezes eu pedi. E acredite, eu tenho 3 filhos e cresci com a sensação q não poderia pedir nada nunca, porque não teria a resposta que esperava.
Para a Lourdes, esse arquétipo, eu pedia quando não dava mais. Sem abusar em absoluto, porque sabia das limitações dela. Cresci me sentindo extremamente sozinha sentindo aquele vazio paterno, porque por mais q eles estivessem ali, pouco representavam em termos de apoio emocional.
Por isso também, Lourdes fora proibida de morrer e em sua generosidade infinita, Lourdes esperou pacientemente q eu saísse de casa e fosse morar sozinha para poder morrer. Ela fez questão de me deixar encaminhada primeiro.
Desamparada eu fiquei e desamparada eu me sinto até hoje. Porque meus pais estão ali ao alcance do telefone, mas perdeu o timming. É assim q eu me sinto.

Mamãe ainda cobra atenção, cobra um telefonema, cobra minha presença, mas quando eu fui ouvida? E quando eu o sou? Ainda hj quando a gente se fala, é sempre EU, EU, EU... bem, no caso ela né? Eu ouço calada revirando os olhinhos. É aquele tudo bem? protocolar e ela desata a falar dela até q eu atolada em serviço, dê o monólogo por encerrado.

Papai na corrida contra o tempo, recebeu créditos por 27 anos de ausência quando dividiu apartamento comigo por 1 ano e depois q meus filhos nasceram dando-lhes carinho e atenção sempre q eu peço, mas é aquilo, não me fale dos seus problemas, porque afinal eu também tenho meus traumas, eu tenho as minhas dificuldades e ninguém quer saber! OI? Então é assim? Seu filho te confessa uma angústia, te pede ajuda e vc responde q cada um com seus problemas? Isso e um foda-se não é algo semelhante, ou é só impressão minha?


E outra, quando foi nossa última conversa a sério? Teve? Não me lembro. O muro impenetrável é incapaz de falar sério. O amor q eu dei por toda a minha vida, soube muito depois de adulta porque os outros me disseram. Ainda sim, foi um amor suado e perseguido literalmente. Aparentemente muito mais de cá do q de lá. Porque eu amo me importando e não ignorando a existência do outro.

Então na minha ingenuidade, quando ontem fiz papel de filha e fui pedir. Primeiro ouvi o fatídico já falou com a sua mãe? Kkkkk. Como eu vou ligar pra pedir se eu não ligo pra ela nunca? Esse é um direito q eu perdi. Não peço nada. Não mesmo. Peço para estranhos q sentirão prazer em ajudar, mas dinheiro a gente não pede para estranhos né? Eu não peço.

Não que meus pais não tenham direito de me dar um não. Eu não estou fazendo a linha filhinha mimada q ficou puta porque levou um não e está aqui jogando a merda no ventilador blogueiro. Não é isso. É o jeito como isso foi feito a vida toda.
É como se as minhas necessidades não fossem importantes. É como se eu não me sentisse ouvida, quando a questão envolve o vil metal, salvo raríssimas vezes tanto de um, quanto de outro.

Minha mãe, foi presente sim. Apesar de ela ter sido ajudada pra caralho pela moça do arquétipo e ter transferido a responsabilidade emocional para essa mesma senhora uma boa parte, ainda sim, ela me ouviu e deu o q podia dar. Hoje a gente se afastou mais pela minha vida caótica, pela distância em kilômetros e por eu ter percebido o quanto ela se põe em primeiro lugar sempre quando o assunto envolve eu. É meio que o velho


 e então ela para e pensa e volta atrás quando dá mesmo pra ajudar, mas q isso não signifique o vil metal, que fique claro. E eu ajo exatamente da mesma maneira com ela. Reativa toda vida. Porque né, tentei fazer diferente e bati com a cara no muro quando foi a minha vez.

Agora ele... ontem senti aquela velha sensação de desamparo que me acompanhou toda vida porque antes mesmo de ele cogitar em me ouvir, parar pra pensar em ajudar, o que ele fez depois de eliminar o fator que transfere a responsa pra minha mãe, foi:


Eu quase fui dormir chupando dedo ontem. Uma vontade imensa de pegar meu cheiroso imaginário, me enroscar na coberta azul de chenile com o cavalinho bordado e chamar pela Lourdes pra me arrumar um trocado. Mesmo q fosse um trocado daqueles que não resolve o problema mas ajuda sabe?

De qualquer forma, estou burlando minha própria lei. Eu prometi q não viveria de futuro. O problema efetivamente é à partir de julho e ainda estamos em maio, portanto não vou me preocupar até lá.

Falei com Deus pai ontem, porque é sempre ele que aponta as soluções quando estou angustiada e me ajuda. Desde o dia em que eu descobri que podia contar come Ele, tem sido assim. Ele me salva, me dá amparo e sempre resolve de um jeito ou de outro. Então eu não vou chorar. Porque de alguma forma q foge à minha compreensão, eu devo merecer os pais q eu tenho.

Isso me motiva a nunca foder a cabeça dos meus filhos, a nunca deixá-los se sentirem assim, a terem a certeza q eles têm mãe e até o dia da minha morte, vou seguir o exemplo do arquétipo. Daquela senhora q sempre foi generosa, q cuidou de mim, q me colocou de bruçus em sua barriga pra eu não sentir cólica, q me dava os trocadinhos mesmo q não resolvesse meu problema, q fazia o melhor bolo de fubá com cobertura de leite de côco da vida, só pra ver a gente feliz; que durante toda a sua vida, mesmo me puxando a orelha, me fez sentir amada, querida e importante. Ela me fazia sentir uma pessoa importante. Fora ela e meu marido (e as crianças), quase ninguém que me é caro me fez sentir assim. E foi por ela e pra ela que minha filha leva seu nome. Porque a generosidade dela residia em nos fazer sentir importantes. Ela conseguiu preencher o vazio de duas pessoas enquanto esteve nesse plano, o problema é q ela se foi, deixando um vazio maior ainda. Deixou um rombo, um buraco como só as mães do coração o fazem.

Claro, que se meus pais lerem isso, eles vão discordar de quase tudo o q eu disse muito provavelmente, mas ao contrário do que pensam, fazer alguém se sentir importante está nas atitudes e não nas palavras. E não raro é assim q eu me sinto!

#SeProstituiAmiga

sexta-feira, maio 11, 2012

Galega faz 2 aninhos. Eeeee!




Minha pequena hoje faz 2 anos.
Tem dois anos exatos que eu ando de 4 por essa dona que mora lá em casa.
E nunca imaginei que pudesse amar alguém com tamanha intensidade, mesmo já conhecendo bem esse tipo de amor.


É que a galega é bem diferente dos meninos, apesar de ser bem igual em muitas coisas.
A diferença está em ser dengosa. Menina faz dengo. Menina sem enrosca e não tem vergonha de ir-se chegando e aninhando nos braços da gente, mesmo sem ser convidada. Não sei se minha pequena é espaçosa (e é) ou se se trata de uma característica de meninas, mas ela se aninha.


E é brabinha que nem o pai. Engrossa até a voz para dar esporro a minha galega:
Galega sendo braba - Per Pacotinho! Più ampio di quello del giocattolo è mio, dannazione!
Que traduzindo para o bom Português quer dizer:
Para Pacotinho! Larga que esse brinquedo é meu, porra!

Que nada. Miúda não aprendeu a falar palavrone ainda. A gente não deixa.


Anda numa fase muito chameguenta com Sr. Cabeça de Bolinha e este, metódico como é, acaba repelindo. Porque os chamegos são sempre à noite na hora em que ele está puxando sono. E ela vai lá, alisa ele, joga a perna em cima da dele e ele fica puto. É um rapaz muito altivo, não gosta que lhe atrapalhem o pré-sono. Morro de rir.

E a bicha está linda demais! Fala muito, canta muito e dança até assobio. Bicha toda vida, porque adora passar hidratante, quer comer sozinha, não pode ver vestido e sapatos então... calça o de qualquer um que deixe ao seu alcançe.


Apesar de muito independente, quando escuta barulho de fogos, corre pra mim, agarra minhas pernas e fecha os olhos.
Ainda se estamos deitadas, ela pega as minhas mãos e tapa o próprio rosto.
Taí a diferença. Minha menininha, mulherzinha, feminina, tão terna e tão guerreira.
Feliz dois anos.
A mamãe te ama!

sábado, maio 30, 2009

PACOTINHO É...

Quase sete anos depois, Pacotinho é um mini-homem.
Lindo.


Lindo com a camisa do Mengão!



Carinhoso.
Amigo.


Fez questão de estar ao lado do irmão, quando este quis comer sozinho.


Filósofo.
Conselheiro.
Romântico.
Cavalheiro.


Pipoca disputada quase sempre a tapa!


Dramático.
Criativo.
Inovador.
Destemido.




Eu morrendo de medo d'ele escorregar e... caiu... muito.
Inteligentérrimo.
Uma criança.

Outro dia me perguntou por pura curiosidade se eu e Engraçadão nos separaríamos.
Realmente não sei de onde ele tirou esse assunto. Não sei se por ter acabado de ver o comercial da Série TUDO NOVO DE NOVO, da Rede Bobo de Televisão...
Mas o fato é q perguntou.

PACOTINHO - Mãe. Vc e meu pai vão se separar?
EU - Quêê?
PACOTINHO - Vão?
EU - Q raio de pergunta é essa?
PACOTINHO - Aah, só queria saber!
EU - Nãão... quero dizer, vc quer q isso aconteça?
PACOTINHO - Não. (E aquele não de criança né?! Q responde com a palavra e com a cabeça!)
EU - Eu também não quero meu filho, mas isso eu não sei responder. A gente nunca sabe...

Daí ele sorriu, virou de lado e dormiu.


Mesa criativa no último parabéns de Engraçadão. Isso é um sorriso ou uma dádiva?
Fico olhando ele crescer e perguntei outro dia se ele me amaria depois de grande.
Ele disse:

CLARO UÉ!! VC É A MINHA MÃE, ORA!

Gosto de testá-lo.

Coisa de mãe né?!


*Engraçadinha playanado: Manhata - Caetano Veloso

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