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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

MENINAS PEQUENAS FAZEM VOZ DE BEBÊ PARA CONVENCER?


Em busca na vasta literatura googleana e wikiana, nada foi encontrado. Nenhum estudo psicológico, nenhum depoimento pediátrico, nenhum relato de mãe contando sua experiência. Nada.

Talvez o fato não chegue mesmo a incomodar as mães, talvez elas achem até bonitinho, no entanto se trata de uma realidade e por certo, há de incomodar alguém. Sim, incomoda. O mundo não é feito só de mães amorosas.

Parando de embromar e indo direto ao ponto, naquela fase dos 3 anos, algumas meninas, normalmente as mais inteligentes, que desenvolveram cedo um vocabulário certinho, com poucos erros e que fique claro, erros estes que vão além da vontade de nossas meninas, algumas delas danam a falar como bebês, principalmente se essa fala tem um objeto de desejo em foco. Mas será que é sempre assim?

Posso dividir com vocês a minha experiência, já que não encontrei nada na literatura internética para servir de apoio. E olha que procurei!

Vamos saltar para o ano de 1976, eu então com 3 anos completos, indo fazer 4 no final do ano. Fui o tipo de menina diferente da maioria. Falava tudo certinho, corrigia os outros, inclusive os mais velhos. Praticamente uma chata. 

Como fui primeira filha, primeira neta, primeira um bando de coisa, era cercada de mimo. Vivia no colo alheio sendo agarrada e beijada e me sentia muito segura e muito bem, obrigada com tanto chamego. Em troca, tentava ser a melhor no que podia ser. 

Primeiro, a fala. Falava quase tudo correto. Sabia o nome de tudo e de todos, inclusive personagens de novelas com respectivos atores. A rainha da repetição. Ouvia e sabia repetir quando alguém tinha alguma dúvida. Quando a língua não dava, por conta da idade,  a próxima palavra tinha de sair certo. Só que chegava uma hora em que eu queria ser apenas uma menininha de 3 anos, quase o bebê da mamãe. E bem nessa hora em que eu cansava de ser a inteligente superpoderosa, danava a falar que nem bebê e tudo errado. 

Dona Engraçada fazia vista grossa. Em outros momentos que estava meio sem paciência, ela me mandava falar direito. 

DONA ENGRAÇADA ME MANDANDO FALAR DIREITO -  Fala direito, menina!

Eu me envergonhava, mas não dava o braço a torcer. Continuava, até voltar ao normal naturalmente.

Nunca imaginei que fosse me deparar com isso novamente, afinal, isso não acontecia com as minhas amigas de infância. Achei que fosse um caso isolado. Até que tive uma filha. 

Bem, a minha filha é isso aí. Inteligente, fala o dia inteiro, bichíssima, não sai se não estiver montada e às vezes eu tenho a sensação que ela é uma mulher de trina e poucos aprisionada no corpo de uma criança. Pelo seu jeito de se expressar, pela sua atitude, pela sua noção das coisas, pela sua certeza digamos assim.

Assim como eu, ela fala tudo explicadinho e erra muito pouco o vocabulário. Desde os 3 anos era assim, tanto que quando errava, a gente nem corrigia. Apenas falávamos a palavra novamente de forma correta para ela ir ouvindo e aprendendo o certo. 

Também como eu, ela vive no colo sendo agarrada, beijada, cheirada, apertada, sabendo o quanto é linda e amada todos os dias. E é bem nessa hora que ela tem um ataque de bebê. 

No caso dela, também não está relacionado a querer algo, ou a convencimento materno, mas mais pra um derretimento por reconhecer o amor e amar de volta. Então ela dana a falar tudo errado que nem bebezinho. Nossa postura em relação a isso é simples. Vai passar e passa

Meu susto em reconhecer tal fato, é que com os meninos não teve isso. Eles não faziam esse tipo de gracinha, o que me fez supor se tratar de exclusividade feminina. Aliás, mamães, o drama também, fiquem sabendo! Um saco!

Essa semana me deparei com algo inusitado. Talvez pelo fato de os exemplos que citei acima serem de relações de parentesco parecidas. Mas e quando se trata de casos em que os envolvidos não sejam necessariamente mãe e filha? E se estivermos nos referindo a relações de madrasta e enteada? E se a madrasta não for mãe, será que ela receberia essa fase com tamanha naturalidade e desprendimento?

A gente sabe que quando a mulher ainda não é mãe, ela ainda é o centro de seu universo e ter de lidar com filhos que não são seus no pacote amoroso, não é tarefa das mais simples. Principalmente porque a mulher que ainda não tem filhos, não tem a bagagem nem o saco de Papai Noel para aturar certas coisas e isso nem é culpa dela. É só uma fase anterior a que estamos agora. E nem é culpa de ninguém! Também fomos assim. 

Cabe às mães antes de mandar as filhas para a casa dos pais, ter uma conversa franca com ex, para que esteja alerta e atencioso com a filha, a ponto de contornar a situação se a pequena extrapolar. Mas e então? Como contornar este tipo de situação? Como ter esta sensibilidade que a criança está incomodando com voz de bebê, quando sua idade corresponde a outra maior?

Mais uma vez, o segredo é tratar com carinho, desviar o foco da criança, arrumar uma brincadeira, dar um rolé e por outro lado, conversar com a atual companheira e pedir um pouco de paciência. Não é nada demais, é só um denguinho (que, Ok, ela não tem obrigação de entender, mas sejamos adultos!). 

Para a filha também não deve ser fácil ver o papai ou a mamãe dividindo seu espaço com alguém novo, ainda que a criança lide bem com o novo par. Esse lidar "bem" pode ser um fator externo, não necessariamente o que vai em seu íntimo e nessas horas, é importante mais observar e ter paciência, que chamar atenção para o fato. Portanto, não repreendam. Não desperte a atenção. Dê carinho, companhia, seu calor, que essa fase passa.

A gente jamais deve ter um comportamento de nivelamento com a criança, mas mostrar que somos mais velhos e queremos seu bem, como adultos de comportamentos adultos, apenas. Tudo o que elas precisam é se sentir seguras.

quinta-feira, novembro 13, 2014

DAS RELAÇÕES ENTRE MÃES E FILHAS



Se os pais têm maturidade psíquica para reconhecer no filho um outro, diferente deles mesmos, as fronteiras psíquicas entre pais e filhos podem desempenhar uma importante função na qualidade desse relacionamento.Mariana Ribeiro, (Psicanalista, professora do curso "Entrelaces psíquicos entre mães e filhas" no Instituto Sedes Sapientiae; autora do livro Infertilidade e reprodução assistida - Desejando filhos na família contemporânea (Casa do Psicólogo, 2004), mestre e doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae) 
Falamos sobre quase tudo, menos das relações entre mães e filhas. Pode parecer óbvio para a grande maioria das mães, que se trata de um contato quase cercado de magia. A magia do amor. A mágica e simbiótica relação mãe - filha. Apesar de parecer óbvio para um multidão de mulheres, para mim essa relação teve data de validade.

Claro, vivenciei aquele primeiro amor da infância, onde filhas são apaixonadas, do tipo, quatro pneus arriados pelas mães. Admirava profundamente minha mãe, era louca por ela, achava-a a pessoa mais linda do mundo, fazia juras de amor eterno diariamente em seu nome. Era o tipo de fidelidade canina que só se vê entre mães e filhas, ou seria entre filhas e mães? Isso perpetuou até a chegada da adolescência, quando o véu da inocência definitivamente se rompe.

Em contato com outras amigas, a gente fica sabendo que os pais transam, a gente descobre que sexo é bom e que inclusive nossas mães praticam com gosto. Mesmo ignorando o fato de que pra eu nascer ela teria de ter se deitado com meu pai, naquela época isso tirou um pouco a aura de santidade que havia em torno da minha mãe. Depois vieram os conflitos acerca de uma separação pré-anunciada, mas que nunca chegava às vias de fato, bagunçando a cabeça materna e desviando o foco da adolescência de sua única filha: eu.
Conto isso para ilustrar que a própria vida se encarrega de promover o afastamento entre mães e filhas, seja lá por qual motivo.

Eu penso que a maternidade não é pra todas. É imprescindível que mães prestem atenção nesse amor inicial que constitui a essência da criança. Para que esse elo entre mães e filhas não se quebre prematuramente. E não me refiro a mimar sua filha e atendê-la em todos os seus caprichos – isso criará um monstrinho – mas a perpetuar esse elo, alimentar esse amor e ainda que sua filha discorde de você, é ela quem decide qual caminho seguir, que aprendizados prefere ter. Ainda que discorde do seu modus operandi, sua filha tem esse direito. O que você pode fazer é orientá-la e abrir os braços para que se eventualmente venha a cair, o carinho, o conforto, o colinho e a orientação estarão de braços abertos para recebê-la de volta. É simples assim. No entanto o egoísmo e aquela mania de autoridade que a gente tem, acaba nos afastando delas.

O primoroso texto da psicanalista Mariana Ribeiro para o portal Ciência e Vida, aborda a dificuldade de as mães administrarem e reconhecer nas próprias filhas mundos diferentes, o que seria responsável por verdadeiros desastres na relação. Geralmente, ignorar seus próprios medos, traumas, frustrações ou até fetiches e empurrá-los para debaixo do tapete, acaba por provocar uma espécie de transferência psíquica nas gerações seguintes. Filhas absorvem, filhas reproduzem e ao expor para suas mães as feridas escondidas se instalaria aí o conflito. Outra dificuldade é quando as mães enxergam nas filhas extensões de si mesmas. Preciso completar a frase?

Foi o que me deixou traumatizada e morrendo de medo de ter uma menina: a famigerada competitividade entre mães e filhas; certo tipo de mãe que tem o hábito de minar a autoestima da filha de pouquinho em pouquinho, todos os dias. E isso acontecia debaixo de diversos tetos além do meu. Tem mãe que adora dizer pra filha o quanto ela está gorda, quando a própria não representa modelo de magreza; tem mãe que parece sentir prazer em dizer que sua filha é uma vagabunda se esta não se mantém casta até o casamento (e olha que isso ainda acontece hoje em dia!); existem aquelas que parecem sentir ódio, ao invés de orgulho das filhas que estudaram, que chegaram a algum lugar, que conseguiram um diploma, ao invés de sentirem orgulho de ver o sucesso de suas crias e tantas outras que profetizam o quanto suas filhas são e serão fracassadas, antes de dar um voto de confiança, ou tentar ouvir uma nova ideia que pode ser bem sucedida amanhã. Recusam-se a ouvir suas crias simplesmente por não confiarem nelas próprias, afinal se a própria mãe morre de preguiça de lutar, de sair do lugar, como suas filhas têm esse poder? Também conhecida como inveja.

Por tudo isso, eu morria de medo de ter meninas. Eu vi a transformação acontecer comigo, vi acontecendo com amigas minhas, salvo raras exceções. Foi uma geração filha da ditadura que não sei que tipo de defeito deu. Danou a competir e descontar nas próprias filhas suas próprias frustrações. Eu tinha medo que acontecesse comigo. Tinha medo de sofrer algum dano cerebral, que minasse meu amor por ela. Talvez por isso tenha passado quase nove meses de mau humor, deprimida, chorando por qualquer motivo, morrendo de medo dela.

Claro, esse medo se desfez assim que pus os olhos na galega. A galega personifica esteticamente a mulher que eu sempre quis ser, mas nem por isso vou chama-la de feia por inveja. Sua beleza é tão reluzente, seu jeito de ser despachado, toca a qualquer pessoa; ela é meio maluquinha e fala as coisas assim, na lata, como uma taurina deve ser sem perder a docilidade (coisa que não sei fazer); faz caretas hilárias que eu passei a reproduzir sem querer (quem imita quem? Provavelmente eu a imito); ela é companheira para todas as horas e já dá pra notar um mulherão ali dentro, preso num corpitcho de criança – Dona Miúda é mais mulher que eu e têm me ensinado muito sobre feminilidade - , é das que perde o amigo, mas não perde a piada (também) e é caprichosa com as coisas que faz; adora ajudar; é fashionista toda vida desde que nasceu e melhor, quando me olha nos olhos, eu enxergo aqueles coraçõezinhos que eu tinha no olhar. A galega me põe num pedestal do qual há muito tempo caí.

Sei que sou a pessoa mais importante na vida dela, quer dizer, das mais importantes. E eu prometo ficar atenta. Ainda que discorde de algumas questões, eu já faço o exercício de deixá-la dar seus próprios passos, ainda que saiba que alguns não darão certo. É o amor com liberdade. É amor.
Um dia, uma antiga funcionária que já mora na companhia de Deus vendo meu desespero ao estar grávida de uma menina (tinha 4 filhos e 1 filha) me disse que filha é pra vida toda e em sua simplicidade falou assim:
- Você vai ver! Com menina a parada é diferente!


Só posso concluir que ela estava certíssima! Com menina, a parada é mesmo diferente. É ver para crer e para amar infinitamente.

quinta-feira, outubro 16, 2014

MEU FILHO NÃO ME DEIXA CONVERSAR


Ontem pela manhã fuçando o Facebook de uma amiga, ela desabafava que sua filha não a deixava mais conversar com o marido. Uma enxurrada de comentários corroborava com os queixumes da minha amiga. Gente criativa até citando Chaves e a célebre frase do Kiko, VOCÊ ME DEIXA LOOOOOUUUUCOOOO! Então eu não podia perder tempo. Tinha que dividir aqui com vocês essa fase angustiante que nós pais passamos, que é essa da interrupção.

Como mãe de três filhos já passei por isso várias vezes e ainda passo. Bebendo da fonte, eu mesma fiz minha mãe passar por certas vergonhas, quando não só a interrompia, como a corrigia quando era testemunha dos acontecimentos. Queria que ela contasse os fatos sem florear a versão. Tinha que ser exatamente igual, palavra por palavra, sem errar, realiza?! Quando isso acontecia, minha mãe me crivava seu olhar de demônia e eu serelepe, nem me abalava. Na verdade, me sentia a mais inteligente das pessoas. É certo que sempre tive talento pra cara de pau. Isso já estava latente desde a mais tenra infância.

Dando um salto quântico agora, Pacotinho teve essa fase e dos três, nem sei dizer se foi o mais chato. Ele é um fofo nato e eu ponho a culpa no amor imenso e novo que a gente sentia. Éramos aquela espécie de pais babacas que se viam refém do excesso de gostosura do pequeno. Isso é um saco. Outro dia fui à casa de uma amiga que tem filho pequeno e o papo era interrompido a cada dois minutos, porque a mãe derretida, dava atenção a cada mãããe, que o menino falava. Porra! Tipo, a conversa não foi adiante né? A criança interrompeu o tempo inteiro e ela lá de quatro, nem se dava conta que está criando um mini-monstro. Essa atitude é meio típica de pais de primeira viagem. Sem querer julgar, também fomos assim e foi quando o caldo começou a entornar, ou seja, quando recebemos um feedback sutil de um ser mais sábio, que já havia criado 4 filhos, mas daqueles que nenhum pai gostaria de ouvir, tratamos de pôr ordem na casa. Foi nesse dia que Pacotinho deixou de ser o rei absoluto, foi devidamente enquadrado e com papai e mamãe falando exatamente a mesma língua, ele tomou jeito. COERÊNCIA SEMPRE!

Nada melhor e mais suculento que um irmão mais novo para ajudar a educar o mais velho. Essa receita é tiro e queda. Desfoca o ego, põe o sujeito em seu devido lugar. E aí, mermão, se faltava algo para seu filho se enquadrar, a chegada do caçula termina por fazer a mágica.

O Sr. Cabeça de Bolinha se sentiu muito confortável com o título de caçula. Perspicaz desde sempre, quase um mini-ditador, seu esporte favorito era dar esporro no irmão mais velho, ainda com dois anos. Vocês não acreditariam nas coisas que ele falava. Como perfeccionista louco de guerra, teve seus momentos de interromper conversas, telefonemas e conferências, só que a gente não era mais bobo e não cedeu à sua sedução. Ele quando percebeu que era feio esse tipo de conduta, tratou de segurar a onda e eu realmente não lembro de ter tido problemas com isso. Lembro sim, de ele e o irmão disputando pra contar seus respectivos dias na escola, mas não mais as interrupções. Então Deus mandou a Dona Miúda nas nossas vidas para que o Sr. Cabeça de Bolinha não se tornasse um egocêntrico sem educação. Ele certamente dominaria o mundo, já que é um líder nato e possuidor de uma inteligência diferenciada. Agora já tenho algumas dúvidas sobre isso.

Dona Miúda está bem no meio dessa fase chata que é interromper pais e telefones, ou conversas cazamigue. E acredite, da pior forma possível. Tá chato, tá cansativo, tá escroto. Mas fazer o quê numa situação dessas? Educar, não ceder, repetir incansavelmente até do túmulo, não se esqueçam. 

A Miúda faz pior que os irmãos. Ela berra. Bem assim:

DONA MIÚDA INTERROMPENDO - Mãe!  Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!  Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! 

Aposto que vocês dariam um tiro de doze na testa, não é? Não, não dá. Muito embora eu imagine essa cena algumas vezes. Nunca com sangue, claro. Afinal é minha amada filha e linda. Mas dá um revertério no cérebro e a gente pira. E não importa se o assunto é importante ou trivial. Ela começa com isso e só para quando a gente já está possuído.

Os psicólogos advertem que essa é a pior maneira de fazê-los entender que tal atitude é errada. Há que se respeitar  o desenvolvimento cognitivo da criança e a melhor maneira, é não constrangê-la na frente de estranhos e fazer o possível para não se alterar. O jeito mais eficaz ainda é a conversa e a repetição. Chamar de canto e explicar que não é legal, que você está conversando e que logo dará atenção quando acabar sua fala, explicar que todos têm sua vez de falar é o caminho. Esse imediatismo que a gente por vezes acaba cedendo, corrobora para que a criança aprenda a não esperar. Com isso, a gente incentiva a ansiedade, algo tão presente hoje em dia. 

Com a Dona Miúda, a gente deu uma emburrecida mesmo. Às vezes eu tenho medo de estar criando um monstro, já que ela tem plena consciência aos 4 anos, de sua inteligência e beleza. Então, quando ela está em grupo, seja de adultos ou crianças, muda a personalidade e veste a chata, mimada, amostrada, o que me deixa apreensiva. Acende meu alerta. 

Eu e Engraçadão partimos pra conversa. Aconteceu há dois dias atrás. Sempre quando o pai chega em casa, rola aquela histeria coletiva nas crianças. Os meninos até seguram a onda, mas a Miúda quer todas as atenções. Então papai virou-se para ela e pediu calmamente que esperasse sua vez de falar. Pediu que parasse de berrar do jeito que ela chama, irritantemente, ao que ela foi baixando o tom de voz e obedecendo. Outra tática que passei a usar, é avisar quando vou falar ao telefone que não quero ser interrompida e eles já obedecem, inclusive ela, ao ponto de uns falarem pros outros "Sshh! Mamãe tá no telefone!

Então é isso amigos. Se está acontecendo com você, não se desespere. Reúna forças, converse, eduque sempre, converse, explique... vale até um castiguinho se a coisa ficar mais crítica. E lembrem-se, os reis e rainhas da casa são vocês. Eles são apenas os pequenos príncipes.

terça-feira, outubro 14, 2014

A IMPORTÂNCIA DOS PAIS NA CONSTRUÇÃO DA AUTO-ESTIMA DAS FILHAS


Os anos 2000 vieram para quebrar tabus mesmo. Quem diria que eu veria tantas transformações nas relações entre pais e filhos como estou vendo agora? Felizmente, o macho, o provedor se deu conta que tem uma papel decisivo a desempenhar na construção emocional de filhos e filhas.

Relegado às mães e negligenciado pelos pais desde muito tempo, era bem normal a gente ver mãe se envolvendo em todos os setores da criação. A gente via mãe preocupada com vestuário, com o dever de casa, com a alimentação, com a educação emocional das filhas e filhos, às vezes batendo uma bolinha com a molecada, no caso das mais modernas e inúmeras vezes fazendo papel de pai e mãe. Aliás, isso é tão comum ainda hoje ver mãe fazendo os dois papeis. Então não vou lançar mão de pergunta alguma, vou afirmar que crianças precisam de pais e mães, ainda que a gente escute histórias de gente sã que foi criado por apenas um dos dois e que isso não influenciou negativamente na sua maneira de ser. Parabéns é a minha resposta. Infelizmente não representa a maioria.

Nesse post especialmente, quero me ater a relação pai e filha. A presença dos pais é muito mais importante na criação das meninas do que se pode supor. Quando papais estabelecem um laço forte com suas filhas, não faz ideia do bem que está fazendo. Meninas têm a necessidade de um espelho masculino, que reflita que são belas, inteligentes, capazes, amorosas, leais, seguras e mais um monte de outras coisas boas que as meninas são. Os pais e essa proximidade vai determinar o relacionamento que as filhas terão com os futuros parceiros, em outras palavras, o contato com o pai, fará a menina experimentar pela primeira vez a relação com os homens.

E pode ser desastroso se esses pais lhes virarem as costas. 
Crianças tendem a achar que são culpadas de tudo, portanto se um pai não dá a devida atenção que a filha merece, ele estará automaticamente minando sua autoestima. A mensagem que ele pode passar é que ela não é tão bela assim, não é boa o suficiente pra ele, não é importante, não merece sua atenção, pior, pode ensinar que sua menina deverá mendigar sua atenção.

Eu mesma tenho uma experiência pra contar nesse sentido. Tenho um papai que quando estava perto, era o melhor e mais amoroso pai do mundo. Ele costumava assobiar lá do portão quando chegava e eu, com aquela minha fidelidade canina saía correndo de onde estivesse, para me jogar em seus braços. A felicidade era imensa, a euforia gigantesca. Não havia nada mais bacana do que estarmos juntos, ainda que a tagarelice feminina o atirasse num monólogo. No entanto, conforme o casamento dos meus pais foi afundando e apesar de ele manter constante sua tarefa de me levar para a escola todos os dias (único momento em que nos víamos), aquele momento era deveras efêmero. 

Mais tarde, comigo adolescente, o afastamento se fez presente, apesar de não ser de corpo. Eu fazia de tudo para ter a atenção dele. Eu queria conversar, passear, estar junto, mas sempre parecia tudo muito rápido. Sem contar que ele conseguiu arruinar meus Natais, porque houve um tempo em que ele já não ficava a noite toda conosco. O resultado disso, é que estabeleci uma relação com os homens de mendicância. 

Meu pai não dizia que eu era linda (não que não achasse), a menos que eu perguntasse; meu pai só dizia que me amava se eu enchesse o saco (provavelmente ele tinha alguma trava, pois não era espontâneo). Então quando eu cresci, me tornei aquela pessoa carente e grudenta do tipo que não deixa o namorado respirar, a menos que estivesse sem tempo algum para respirar. O tipo de garota que hoje em dia abomino, já que hoje encontrei equilíbrio. 

E o equilíbrio veio no dia que consegui me afastar do meu pai. Foi impressionante a mudança. Nunca havia conseguido algo dessa magnitude. Era como se precisasse do meu pai para respirar, mas houve uma época que ele fez algo que me chateou e eu não tinha tempo para ficar explicando muito, pois já tinha filho e resolvi ficar quietinha na minha. Essa simples atitude, fez com que eu aprendesse a me valorizar mais e me posicionasse de outra maneira em relação aos homens. Antes, existia o medo de eu ficar eternamente só. Depois, ficar sozinha já não me parecia algo tão assustador. Mudou minha perspectiva.

Observando atentamente o pai maravilhoso que Engraçadão é para nossos filhos e em especial a forma como ele trata a Dona Miúda, vale destacar:

  • Ele sempre a elogia e é genuíno. Diz o quanto está linda, cheirosa e quanto a ama e melhor, é espontâneo (todo dia);
  • Quando ela fala, ele para para prestar atenção e quando não pode, pede a ela que espere;
  • Ele nunca a priva de comer nada que queira. Aliás, nem eu nem ele fazemos qualquer objeção quanto a alimentos. Não queremos uma filha neurótica com o peso. E acreditem, tem mães que fazem isso com as filhas desde cedo;
  • Ele nunca diz que estou gorda, ou que engordei (até porque, ele tem amor à vida) e principalmente, nunca faz esse tipo de comentário na frente dela;
  • Nós dois evitamos as discussões na frente de todos eles, mas ainda que aconteça alguma divergência, a gente não envolve as crianças e a Miúda com sua presença marcante, nos coloca de volta aos nossos lugares só com o olhar;
  • Engraçadão anda orgulhoso e com peito estufado quando está com ela, além de fazê-la sua companheira nas manhãs em que sai pra comprar pão;
  • Ele cuida dela com ternura e a faz se sentir especial todos os dias e melhor, ele verbaliza isso.
As meninas sabem com um olhar da intenção do outro. Portanto, sabem quando são amadas por seus pais e sabem que o amor é sincero. Meninas que têm pais assim, serão mulheres fortes, seguras e bem resolvidas, propensas a trilhar o caminho para a felicidade. 
E que outra coisa nós mulheres queremos, senão sermos felizes?

quinta-feira, setembro 18, 2014

HANGOUT: E se o seu filho pedisse para ser modelo? O que você faria?



Taí um post que rendeu. 
O assunto sobre modelagem infantil no grupo Mães e Pais com Filhos deu o que falar e aí, foi aberta a discussão sobre o tema com outras mães.

No vídeo abaixo, vocês podem conferir tudo o que aconteceu e dar seguimento à discussão.
Esse hangout teve a participação da Sam Shiraishi, moderadora do grupo, Samantha Vicentini, ex-celebridade mirim, além de publicitária; Aline Kelly, Nívia Gonçalves, psicóloga e eu. Todas blogueiras e mães. 

Algumas das integrantes militam pela causa sem #trabalhoinfantil, onde está aberto um forum sobre o tema.

Participar desse hangout foi muito importante pra mim, já que pude observar outros pontos de vista, além de me dar conta que se minha filha deslanchar nessa carreira, isso pode sim, ser considerado uma forma de trabalho infantil. Talvez um pouco diferente do que viveu a Samantha, ainda sim, trabalho infantil. 

Assitam a esse debate, opinem e antes de qualquer pré-julgamento, ouçam.

Grande abraço.

quarta-feira, setembro 10, 2014

MINHA FILHA QUER SER MODELO, E AGORA?






Respondendo à pergunta acima, trata-se verdadeiramente de um dilema. Eu mesma não saberia o que fazer, mas posso ajudar às mamães que estão passando por isso com meu  exemplo de vida.

A Dona Miúda desde muito novinha, cresceu com lentes profissionais apontando pra ela. A bichinha ficava numa creche no alto da Comunidade do Borel, cuja filha da dona é fotógrafa e sendo refém  da gostosura da Miúda, quase que diariamente tirava fotos. 

Minha pequena foi pra lá aos 5 meses e todos os momentos foram registrados. Quando sentou-se, quando fazia mesversário, quando engatinhou, toda suja de bolo, andando, batendo palminhas e por aí foi.

Mais tarde, quando a Miúda já tinha certa consciência corporal, começou a fazer poses para as lentes e se recusava a ser fotografada com celular ou câmera pequena. Ela só queria as objetivas. Só faltava pedir tele-objetivas! Impossível essa minha filha. No entanto, eu nunca forcei nem corri atrás de uma agência de modelos, já que nos meus sonhos, eu é quem sustentava a família, não ao contrário. Era realmente conservadora nesse ponto. Até que...

No final do ano passado, ela foi descoberta pela Mega Models na saída da escola e convidada para fazer um book, bem como fechar um contrato de dois anos com a agência. Encurtando a história, até porque já a contei aqui no blog, fiz uma vaquinha entre amigos e familiares e fechamos com a agência. 

Dona Miúda ainda não fez nenhum trabalho significativo, mas já foi incluída em alguns castings, cujo destino está sempre na mão dos clientes, portanto, saber lidar com nãos é imprescindível. É uma carreira de nãos. Hoje, a própria agência está custeando um workshop para formar seus modelos, já que a gama de trabalhos está aumentando. 

Embasada nesse conhecimento, listo abaixo dicas importantes para os papais que pretendem iniciar seus filhos nessa carreira árdua, que é o mundo fashion:


  • Pontualidade - Modelos nasceram para esperar e muito embora crianças tenham um timing curto, ainda mais os pequenos, prepare seu filho para chegar nos lugares ao menos meia hora antes e se prepare para além do chá de cadeira, levar frutas, biscoitos, sucos, água e um brinquedinho. Vale levar livro de histórias para matar o tempo. Não esqueça de avisar ao pequeno previamente que demora mesmo. Eles (o cliente) podem atrasar o quanto quiserem, o modelo NUNCA, já que comportamento também é pré-requisito.
  • MAMÃE, DEIXE SUA ANSIEDADE EM CASA! - Crianças são verdadeiras antenas. Elas captam a ansiedade dos pais, portanto, de preferência não conte a elas sobre a fase eliminatória dos castings. Vida de modelo é feita de espera e nãos. Se você não sabe lidar com isso, então não coloque seu filho nessa vida. É um mundo extremamente cruel com modelos e mães. A dica é simples, quanto maior a criança, mais ela pode saber o que se passa. Se for pequenininha, não vale a gama de informações.
  • Investigue a agência - Antes de fechar negócio, é importante que se investigue aonde você está se metendo, já que charlatões estão usando o nome de agências sérias para ganhar dinheiro em cima dos desinformados. É normal exigirem um book quando se está começando a carreira, mas se a criança já possuir um, cujo material é de qualidade, então é possível negociar o uso desse material. As grandes agências costumam aceitar book de outras grandes. Use a internet e o telefone a seu favor, pesquise e ligue para a matriz. Se informar exaustivamente antes de fechar negócio pode poupar muita dor de cabeça depois.
  • Dê àdeus às gostosuras - Uma coisa que me chamou atenção nesse workshop, foi a forma como os organizadores se referiam a certos alimentos. Fiquei assustada, claro, mas ao reparar ao meu redor, a maioria das mães presentes estavam visivelmente bem acima do peso. Então foram categóricos quanto a hambúrgueres (só uma vez por mês), refrigerantes (só aos domingos) e biscoitos recheados ou chocolate (NUNCA, faz mal para a pele). Felizmente, já adoto essas medidas em casa, mas em relação ao chocolate e biscoitos, temos que ficar atentos, já que apesar de pouco, nunca para crianças na idade da Miúda é quase impossível. Adolescentes têm realmente que cortar chocolate do cardápio, para não aumentar a incidência de espinhas.
  • Seja realista e persistente - Olhe sua criança, ela tem chances reais de ser bem suscedida na carreira? Existem crianças que nasceram com o dom de desfilar e fotografar, sua criança é assim? Felizmente hoje em dia, as agências abrem um leque generoso que engloba negros, mestiços ou traços orientais, mas nem sempre foi assim. Quantos mais loirinho do olho azul, melhor, lembra? Hoje vale mais a branca com cabelo cacheado ou a negra com cabelo de índia, que um par de olhos claros, não que este não tenha sua vaga garantida. O que quero dizer, é que quanto mais eclético melhor. O mercado finalmente entendeu que moramos numa aldeia global, portanto, a mistura é bem vinda, graças à Deus!
  • Crianças multitarefa - Assim como o mercado demanda profissionais que fazem várias coisas ao mesmo tempo não é de hoje, o mundo fashion precisa de crianças multitarefa. Então se seu filho além de fotografar bem sabe desfilar, atuar, cantar ou representar, suas chances de ser aceito num casting são maiores. As emissoras de TV recorrem às grandes agências, por isso a necessidade de preparo. Não estou dizendo para você colocar seu filho em tudo que é aula de canto ou dança. Muitas vezes as próprias agências preparam seus modelos, só que se o seu filho já tiver algum talento extra, isso facilita as coisas. 
  • O Book é o seu melhor amigo - Em se tratando de modelos, o book é a extensão de seu corpo, ou seja, aonde quer que vá, leve o book consigo. Seja na própria agência, seja numa entrevista com o cliente ou casting, leve seu book. Em casos de modelos maiores, anote suas medidas (busto, comprimento, quadris, etc). Na indústria ganha mais credibilidade quem sabe mais. Mamães, fiquem atentas!
No mais, é lembrar aos maiorzinhos que já compreendem certos assuntos, que se trata de uma carreira árdua, que requer disciplina, persistência e muita paciência. Os nãos são normais e não significa que ele não é bom. Tenha isso em mente. Às vezes, o comportamento dos pais derruba os próprios filhos. A terrível pecha de "mãe de modelo" existe e destroi carreiras, portanto, saiba confiar e ter calma. Se seu filho for aceito, seu telefone vai tocar não importa onde você se encontre.

A própria Dona Miúda é uma que ensaia, mas não estreia. Então estou tendo que aprender a lidar com a ansiedade de não vê-la entrando numa passarela por ser muito pequena e envergonhada. Dizem suas professoras da agência, que longe de mim ela tem muito potencial e faz tudo direitinho, portanto, eu não devo pressioná-la pedindo que desfile. Basta deixar o barco correr, que ela própria será autocrítica a ponto de querer fazer como os colegas.

Oremos.

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