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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

MENINAS PEQUENAS FAZEM VOZ DE BEBÊ PARA CONVENCER?


Em busca na vasta literatura googleana e wikiana, nada foi encontrado. Nenhum estudo psicológico, nenhum depoimento pediátrico, nenhum relato de mãe contando sua experiência. Nada.

Talvez o fato não chegue mesmo a incomodar as mães, talvez elas achem até bonitinho, no entanto se trata de uma realidade e por certo, há de incomodar alguém. Sim, incomoda. O mundo não é feito só de mães amorosas.

Parando de embromar e indo direto ao ponto, naquela fase dos 3 anos, algumas meninas, normalmente as mais inteligentes, que desenvolveram cedo um vocabulário certinho, com poucos erros e que fique claro, erros estes que vão além da vontade de nossas meninas, algumas delas danam a falar como bebês, principalmente se essa fala tem um objeto de desejo em foco. Mas será que é sempre assim?

Posso dividir com vocês a minha experiência, já que não encontrei nada na literatura internética para servir de apoio. E olha que procurei!

Vamos saltar para o ano de 1976, eu então com 3 anos completos, indo fazer 4 no final do ano. Fui o tipo de menina diferente da maioria. Falava tudo certinho, corrigia os outros, inclusive os mais velhos. Praticamente uma chata. 

Como fui primeira filha, primeira neta, primeira um bando de coisa, era cercada de mimo. Vivia no colo alheio sendo agarrada e beijada e me sentia muito segura e muito bem, obrigada com tanto chamego. Em troca, tentava ser a melhor no que podia ser. 

Primeiro, a fala. Falava quase tudo correto. Sabia o nome de tudo e de todos, inclusive personagens de novelas com respectivos atores. A rainha da repetição. Ouvia e sabia repetir quando alguém tinha alguma dúvida. Quando a língua não dava, por conta da idade,  a próxima palavra tinha de sair certo. Só que chegava uma hora em que eu queria ser apenas uma menininha de 3 anos, quase o bebê da mamãe. E bem nessa hora em que eu cansava de ser a inteligente superpoderosa, danava a falar que nem bebê e tudo errado. 

Dona Engraçada fazia vista grossa. Em outros momentos que estava meio sem paciência, ela me mandava falar direito. 

DONA ENGRAÇADA ME MANDANDO FALAR DIREITO -  Fala direito, menina!

Eu me envergonhava, mas não dava o braço a torcer. Continuava, até voltar ao normal naturalmente.

Nunca imaginei que fosse me deparar com isso novamente, afinal, isso não acontecia com as minhas amigas de infância. Achei que fosse um caso isolado. Até que tive uma filha. 

Bem, a minha filha é isso aí. Inteligente, fala o dia inteiro, bichíssima, não sai se não estiver montada e às vezes eu tenho a sensação que ela é uma mulher de trina e poucos aprisionada no corpo de uma criança. Pelo seu jeito de se expressar, pela sua atitude, pela sua noção das coisas, pela sua certeza digamos assim.

Assim como eu, ela fala tudo explicadinho e erra muito pouco o vocabulário. Desde os 3 anos era assim, tanto que quando errava, a gente nem corrigia. Apenas falávamos a palavra novamente de forma correta para ela ir ouvindo e aprendendo o certo. 

Também como eu, ela vive no colo sendo agarrada, beijada, cheirada, apertada, sabendo o quanto é linda e amada todos os dias. E é bem nessa hora que ela tem um ataque de bebê. 

No caso dela, também não está relacionado a querer algo, ou a convencimento materno, mas mais pra um derretimento por reconhecer o amor e amar de volta. Então ela dana a falar tudo errado que nem bebezinho. Nossa postura em relação a isso é simples. Vai passar e passa

Meu susto em reconhecer tal fato, é que com os meninos não teve isso. Eles não faziam esse tipo de gracinha, o que me fez supor se tratar de exclusividade feminina. Aliás, mamães, o drama também, fiquem sabendo! Um saco!

Essa semana me deparei com algo inusitado. Talvez pelo fato de os exemplos que citei acima serem de relações de parentesco parecidas. Mas e quando se trata de casos em que os envolvidos não sejam necessariamente mãe e filha? E se estivermos nos referindo a relações de madrasta e enteada? E se a madrasta não for mãe, será que ela receberia essa fase com tamanha naturalidade e desprendimento?

A gente sabe que quando a mulher ainda não é mãe, ela ainda é o centro de seu universo e ter de lidar com filhos que não são seus no pacote amoroso, não é tarefa das mais simples. Principalmente porque a mulher que ainda não tem filhos, não tem a bagagem nem o saco de Papai Noel para aturar certas coisas e isso nem é culpa dela. É só uma fase anterior a que estamos agora. E nem é culpa de ninguém! Também fomos assim. 

Cabe às mães antes de mandar as filhas para a casa dos pais, ter uma conversa franca com ex, para que esteja alerta e atencioso com a filha, a ponto de contornar a situação se a pequena extrapolar. Mas e então? Como contornar este tipo de situação? Como ter esta sensibilidade que a criança está incomodando com voz de bebê, quando sua idade corresponde a outra maior?

Mais uma vez, o segredo é tratar com carinho, desviar o foco da criança, arrumar uma brincadeira, dar um rolé e por outro lado, conversar com a atual companheira e pedir um pouco de paciência. Não é nada demais, é só um denguinho (que, Ok, ela não tem obrigação de entender, mas sejamos adultos!). 

Para a filha também não deve ser fácil ver o papai ou a mamãe dividindo seu espaço com alguém novo, ainda que a criança lide bem com o novo par. Esse lidar "bem" pode ser um fator externo, não necessariamente o que vai em seu íntimo e nessas horas, é importante mais observar e ter paciência, que chamar atenção para o fato. Portanto, não repreendam. Não desperte a atenção. Dê carinho, companhia, seu calor, que essa fase passa.

A gente jamais deve ter um comportamento de nivelamento com a criança, mas mostrar que somos mais velhos e queremos seu bem, como adultos de comportamentos adultos, apenas. Tudo o que elas precisam é se sentir seguras.

terça-feira, dezembro 02, 2014

TÉDIO INFANTIL. TÁ FALANDO SÉRIO?


Tem acontecido um fenômeno aqui em casa, que eu gostaria de dividir com vocês. Chama-se TÉDIO.
Mas, péra! Essa palavrinha não deveria aparecer mais tarde? Pois é, concordo em gênero, número e grau. Devia aparecer mais tarde. Acontece que tem acontecido cada vez mais cedo, ao menos lá em casa e o último acometido foi meu filho do meio, de 7 anos, o Sr. Cabeça de Bolinha.

Essa semana, mais precisamente ontem, foi seu primeiro dia de férias. Imaginem vocês, o bichinho trancado num apartamento, cujos irmãos ainda cumpriam horário escolar e ele lá, à toa, de férias e pra piorar, de castigo por dois dias, cumprindo medida disciplinar longe do computador, seu maior objeto de desejo na casa.

O Sr. Cabeça de Bolinha é dos que aprecia um bom quebra-cabeças, também adora dar porrada nos bonecos que tem, fazendo altas lutas entre eles, adora dar bolada na parede do play e fazer meu cesto de roupas lavadas de cesta de basquete. Mesmo assim, ontem foi acometido de um tédio tão grande, que danou a atazanar o juízo da avó.

Dando um rolé pela internê, encontrei duas leituras interessantes que abordam esse assunto. Uma, foi a entrevista com a psicóloga e pedagoga Clarice Kunsch e a outra, foi no blog Escolha Sua Vida, no entanto, as duas fincam o pé no sentido de que os pais estão enchendo seus filhos de atividades e que esse tédio seria provocado por nós (resumindo o resumo) em decorrência desse excesso.

Sinto muito, eu discordo. Meus filhos não têm excesso de brinquedos, não têm excesso de atividades extracurriculares, meus filhos são retardatários em acesso à tecnologia se comparados com os filhos dos outros, porque somos adeptos do caminho do meio. Nem tanto, nem tampouco. Então de onde vem esse tédio todo?

Noto uma violenta diferença com o que ocorre entre meninos e meninas, isso sim. E como possuo os dois exemplares, fica mais fácil comparar, apesar de a pequena ser muito pequena ainda para entrar nessa ciranda. Mas não está imune, só não foi acometida pelo famigerado tédio.

Essa diferença tem mais a ver com o tamanho da criatividade de cada um. Pacotinho é um que possui imensa dificuldade em criar. É ótimo comunicador, ótimo mestre de cerimônias, desde que esteja em grupo. Sozinho, é o primeiro a se entediar. Precisa de um acessório nas mãos ou da atenção dos pais para se divertir, o que eu lamento muito, já que nem sempre que ele quer estamos disponíveis. Ontem foi outro que me perturbou a paciência, porque sendo seu último dia de aula, ele já queria se mandar de casa pra casa de algum amigo, a fim de gozar as férias. 

EU QUERENDO APERTAR O PESCOÇO - Péralá, menino! Mas suas férias nem começaram direito e você já está sofrendo?

Já o Sr. Cabeça de Bolinha consegue usar a imaginação quando brinca com seus bonecos ou inventa jogos de futebol imaginários no play e chego mesmo a compreender seu tédio. Ele já havia feito algumas coisas e estava genuinamente sentindo a falta de alguém pra brincar.

Com Dona Miúda o babado é um pouco diferente, pois ainda não sofre tanto. Mentira. Domingo ela pediu pra ir brincar na casa de duas amigas, que infelizmente já tinham outro compromisso. Ainda assim, a galega brinca sozinha ou com os irmãos, fala sozinha e inventa historinhas do alto de seus 4 anos, pega os livros e mesmo sem saber ler, faz de conta que sabe e cria as próprias histórias. Ou seja, a imaginação faz com que ela se baste na maioria das vezes.

Portanto, não chego a discordar dos exemplos citados pelos artigos que li, o que não concordo é que isso seja uma regra, mas o fato de que quanto menos imaginação, ou criatividade a criança tiver, mais cedo, infelizmente o tédio há de chegar. E que Deus nos ajude!
Fonte: Geração Tédio - Revista Educação 
As crianças precisam de mais tédio - Site Escolha Sua Vida

segunda-feira, novembro 17, 2014

PAIS QUE ANDAM PELADOS, FILHOS MAIS FELIZES?



Ao ler o texto da Rita Templeton para o Brasil Post (link no final desse post), Por que eu quero que meus filhos me vejam nua, acendeu uma luzinha aqui dentro da minha cabeça.

Em princípio, porque tive uma educação mais rígida e era incentivada a resguardar meu corpo por ser uma menina e ter a casa cheia de adultos das mais variadas idades, sei lá; depois por notar que havia uma malícia no olhar da minha progenitora, então tentei não reproduzir esse tipo de educação quando fosse mãe.

Havia o cerceamento provocado pelo pecado. O pecado era algo que estava bem ali na atmosfera ao alcance da mão. Eu não fazia ideia de como se contraía pecado, nem como isso era transmitido, só sabia que não deveria ficar nua dentro de casa. 

Já a minha avó, estabelecia um tipo de cumplicidade comigo, que me permitia tocar em seus seios, ver parte de sua bunda imensa (ela era gordinha) e através de todas as suas imperfeições, cheguei a conhecer um corpo feminino familiar. Essa cumplicidade era tão benéfica, que eu admirava o corpo da minha avó, a ponto de dizer que quando fosse vózinha, queria ser gordinha igual a ela. Da minha mãe nunca. No máximo um topless na penumbra e olhe lá. Seu jeito de ser, respeito.

Através das primas tinha acesso ao corpo jovem e durinho, quando elas tomavam banho lá em casa e me punham debaixo do chuveiro com elas. A cabeleira na perereca era algo que me despertava curiosidade, já que não tive acesso a outra perereca que não a minha, sem cabelo, claro.

Tudo isso me levou a crer, que quando fosse mãe, eliminaria o pecado dos moradores da minha casa. No meu caso, nem pensei exatamente na mensagem que estaria passando acerca das imperfeições do corpo feminino, apesar de já ter sido sabatinada por três crianças de idades variadas. Nesse ponto, a autora do artigo foi muito mais generosa e consciente que eu. Ok, cada um com seus motivos e o dela é realmente louvável. O meu não é? Hmmmm...

Pacotinho, de 12 anos, sempre levou na boa e achou normal. Pai e mãe ficavam pelados em casa, passando de um cômodo a outro, tomando banho junto com ele e apenas os tais pelos pubianos despertavam certa curiosidade.

Já o Sr. Cabeça de Bolinha sempre foi vidrado em peitos. Quando a gente tomava banho junto e eu ia enxugá-lo, pedia pra pegar, dar uma apertadinha e ao ser consentido, caía na gargalhada imediatamente. Coisa boba, curiosidade de criança e óbvio, eu ficava constrangida, mas fazia cara de poste, abrindo meu corpo pra pesquisa científica do mini gênio. Faz parte da primeira infância usar o tato para aprender, então vamos lá! Acaba logo com isso porr... Enfim, essa fase passou.

Já Dona Miúda quando tomava banho comigo ficava curiosa em saber quando seus peitos iriam crescer, se um dia teria cabelo na perereca e soltava um sonoro eeeca! Ao saber que sim, terá.

Não quero criar crianças encanadas com o corpo, ou com a própria sexualidade. Um dia, eles dividirão banheiros em vestiários coletivos em clubes, saunas, piscinas e tanto não passarão constrangimento com o corpo alheio, como também, não farão outros se sentirem constrangidos por olhares curiosos.

No tocante a imperfeições, quem me conhece a mais tempo sabe que passei por um procedimento cirúrgico anos depois que o Sr. Cabeça de Bolinha nasceu. Fiz uma abdominoplastia antes de a galega nascer (motivo inclusive de seu nascimento – fiquei gostosa demais!) e isso sim, foi motivo de curiosidade de Pacotinho. Deixei claro pra ele, que eu gostaria de ter meu corpo mais harmônico com o meu rosto, já que aparento menos idade que tenho realmente. Sobretudo, queria me sentir confortável com a minha aparência. Não estava. Sabe, eu não ligo pra estrias (até tenho algumas), não ligo pra varizes, ou celulites, que acredito ser sinônimo de gostosura, só que a minha barriga estava tão horrenda, que mesmo depois de ter operado e passado por outro parto, hoje ela está melhor do que estava antes. E ele sabe que a mãe não é a neurótica da cirurgia plástica. Foi realmente um corretivo e já tá bom.


A gente deve se preocupar com o bem estar dos filhos, claro, em todos os aspectos. Se alimentar bem, cuidar da saúde, se exercitar (tô em dívida), da cabeça e dos estudos. Os exemplos que nós pais damos, é o que norteia a vida deles, é isso o que vai ficar e felizmente na minha casa, os pelados estão ensinando que o corpo é um templo onde a gente abriga o espírito e que ele tem de estar funcionando bem para nos levar vida afora, não importa que forma ele tenha. 

Fonte: Brasil Post - Por que eu quero que meus filhos me vejam nua, por Rita Templeton

domingo, novembro 09, 2014

BLOGAGEM COLETIVA: UM BRASIL MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS



Na primeira semana após as eleições, o blog Mãe Vaidosa da Andreia, propôs uma blogagem coletiva com o tema Um Brasil melhor para os nossos filhos. Eu perco a memória, mas nunca a oportunidade de participar de um evento que pode tocar outras pessoas e abrir a discussão sobre melhorias para o nosso país, né?

E claro, não poderia falar de outra coisa senão educação. Porque a educação é o básico do básico. Sem isso, não se faz mais nada e desde o pós-ditatura, é fato que o trabalho dos militares foi muito bem feito, no sentido de minar a maior forma de enfrentamento que poderíamos ter contra um regime imundo como aquele: a inteligência  (haja vista ecos até hoje no facebook em tempos de eleições)Eles foram muito felizes na escolha (para a nossa infelicidade). Minando nossa forma de pensar, não teriam oponente a altura que os enfrentasse.

Infelizmente essa lição aprendida, foi usurpada pelos políticos pró-democracia. Até hoje eles não consertaram esse defeito deixado pela ditadura. É sabido, que alunos do ensino médio de outrora lutavam por seus direitos, tomavam a iniciativa, ao contrário dos de hoje em dia; a cesta básica daquela época, continha inclusive bacalhau. Vocês acreditam que se lutava por uma cesta básica que continha bacalhau? Quando um contemporâneo da minha avó me contou isso há anos atrás, não dimensionei o significado desse ítem. Hoje, se a nossa cesta básica tiver tomate, a gente dá graças à Deus.

Então, a leitura de hoje fala sobre educação e aponta as falhas do nosso sistema de ensino público em tempos de informação e tecnologia.

Boa leitura.


Blogagem Coletiva aqui.

quinta-feira, outubro 16, 2014

MEU FILHO NÃO ME DEIXA CONVERSAR


Ontem pela manhã fuçando o Facebook de uma amiga, ela desabafava que sua filha não a deixava mais conversar com o marido. Uma enxurrada de comentários corroborava com os queixumes da minha amiga. Gente criativa até citando Chaves e a célebre frase do Kiko, VOCÊ ME DEIXA LOOOOOUUUUCOOOO! Então eu não podia perder tempo. Tinha que dividir aqui com vocês essa fase angustiante que nós pais passamos, que é essa da interrupção.

Como mãe de três filhos já passei por isso várias vezes e ainda passo. Bebendo da fonte, eu mesma fiz minha mãe passar por certas vergonhas, quando não só a interrompia, como a corrigia quando era testemunha dos acontecimentos. Queria que ela contasse os fatos sem florear a versão. Tinha que ser exatamente igual, palavra por palavra, sem errar, realiza?! Quando isso acontecia, minha mãe me crivava seu olhar de demônia e eu serelepe, nem me abalava. Na verdade, me sentia a mais inteligente das pessoas. É certo que sempre tive talento pra cara de pau. Isso já estava latente desde a mais tenra infância.

Dando um salto quântico agora, Pacotinho teve essa fase e dos três, nem sei dizer se foi o mais chato. Ele é um fofo nato e eu ponho a culpa no amor imenso e novo que a gente sentia. Éramos aquela espécie de pais babacas que se viam refém do excesso de gostosura do pequeno. Isso é um saco. Outro dia fui à casa de uma amiga que tem filho pequeno e o papo era interrompido a cada dois minutos, porque a mãe derretida, dava atenção a cada mãããe, que o menino falava. Porra! Tipo, a conversa não foi adiante né? A criança interrompeu o tempo inteiro e ela lá de quatro, nem se dava conta que está criando um mini-monstro. Essa atitude é meio típica de pais de primeira viagem. Sem querer julgar, também fomos assim e foi quando o caldo começou a entornar, ou seja, quando recebemos um feedback sutil de um ser mais sábio, que já havia criado 4 filhos, mas daqueles que nenhum pai gostaria de ouvir, tratamos de pôr ordem na casa. Foi nesse dia que Pacotinho deixou de ser o rei absoluto, foi devidamente enquadrado e com papai e mamãe falando exatamente a mesma língua, ele tomou jeito. COERÊNCIA SEMPRE!

Nada melhor e mais suculento que um irmão mais novo para ajudar a educar o mais velho. Essa receita é tiro e queda. Desfoca o ego, põe o sujeito em seu devido lugar. E aí, mermão, se faltava algo para seu filho se enquadrar, a chegada do caçula termina por fazer a mágica.

O Sr. Cabeça de Bolinha se sentiu muito confortável com o título de caçula. Perspicaz desde sempre, quase um mini-ditador, seu esporte favorito era dar esporro no irmão mais velho, ainda com dois anos. Vocês não acreditariam nas coisas que ele falava. Como perfeccionista louco de guerra, teve seus momentos de interromper conversas, telefonemas e conferências, só que a gente não era mais bobo e não cedeu à sua sedução. Ele quando percebeu que era feio esse tipo de conduta, tratou de segurar a onda e eu realmente não lembro de ter tido problemas com isso. Lembro sim, de ele e o irmão disputando pra contar seus respectivos dias na escola, mas não mais as interrupções. Então Deus mandou a Dona Miúda nas nossas vidas para que o Sr. Cabeça de Bolinha não se tornasse um egocêntrico sem educação. Ele certamente dominaria o mundo, já que é um líder nato e possuidor de uma inteligência diferenciada. Agora já tenho algumas dúvidas sobre isso.

Dona Miúda está bem no meio dessa fase chata que é interromper pais e telefones, ou conversas cazamigue. E acredite, da pior forma possível. Tá chato, tá cansativo, tá escroto. Mas fazer o quê numa situação dessas? Educar, não ceder, repetir incansavelmente até do túmulo, não se esqueçam. 

A Miúda faz pior que os irmãos. Ela berra. Bem assim:

DONA MIÚDA INTERROMPENDO - Mãe!  Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!  Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! 

Aposto que vocês dariam um tiro de doze na testa, não é? Não, não dá. Muito embora eu imagine essa cena algumas vezes. Nunca com sangue, claro. Afinal é minha amada filha e linda. Mas dá um revertério no cérebro e a gente pira. E não importa se o assunto é importante ou trivial. Ela começa com isso e só para quando a gente já está possuído.

Os psicólogos advertem que essa é a pior maneira de fazê-los entender que tal atitude é errada. Há que se respeitar  o desenvolvimento cognitivo da criança e a melhor maneira, é não constrangê-la na frente de estranhos e fazer o possível para não se alterar. O jeito mais eficaz ainda é a conversa e a repetição. Chamar de canto e explicar que não é legal, que você está conversando e que logo dará atenção quando acabar sua fala, explicar que todos têm sua vez de falar é o caminho. Esse imediatismo que a gente por vezes acaba cedendo, corrobora para que a criança aprenda a não esperar. Com isso, a gente incentiva a ansiedade, algo tão presente hoje em dia. 

Com a Dona Miúda, a gente deu uma emburrecida mesmo. Às vezes eu tenho medo de estar criando um monstro, já que ela tem plena consciência aos 4 anos, de sua inteligência e beleza. Então, quando ela está em grupo, seja de adultos ou crianças, muda a personalidade e veste a chata, mimada, amostrada, o que me deixa apreensiva. Acende meu alerta. 

Eu e Engraçadão partimos pra conversa. Aconteceu há dois dias atrás. Sempre quando o pai chega em casa, rola aquela histeria coletiva nas crianças. Os meninos até seguram a onda, mas a Miúda quer todas as atenções. Então papai virou-se para ela e pediu calmamente que esperasse sua vez de falar. Pediu que parasse de berrar do jeito que ela chama, irritantemente, ao que ela foi baixando o tom de voz e obedecendo. Outra tática que passei a usar, é avisar quando vou falar ao telefone que não quero ser interrompida e eles já obedecem, inclusive ela, ao ponto de uns falarem pros outros "Sshh! Mamãe tá no telefone!

Então é isso amigos. Se está acontecendo com você, não se desespere. Reúna forças, converse, eduque sempre, converse, explique... vale até um castiguinho se a coisa ficar mais crítica. E lembrem-se, os reis e rainhas da casa são vocês. Eles são apenas os pequenos príncipes.

sexta-feira, setembro 26, 2014

HANGOUT: BIRRAS E LIMITES ENTRE OS 2 E 4 ANOS


Na terça feira passada foi dia de Hangout e a questão levantada foi justamente as birras que as crianças entre 2 e 4 anos fazem. 

Como eu já discursei sobre o assunto nesse post, que é um dos mais visitados dos últimos dois anos, achei pertinente postar aqui esse assunto, que quem é mãe, invariavelmente vai passar ou passa.

Crianças nessa idade fazem birra e muitas vezes, em se tratando de filhos menores, muitas vezes os pais acabam cedendo a esse tipo de manha, defendendo os menores em detrimento dos filhos maiores.

Nós pais e educadores, não raro costumamos ceder aos encantos dos pequenos. Por quê? Geralmente porque julgamos que sejam indefesos, dependentes demais, criando assim uma ditadura dentro de casa em torno dos pequenos.

Um alerta: agir dessa forma é uma maneira de deseducar. Se você na boa intenção, pensa que está protegendo, na verdade está criando um futuro mimadinho, acostumado ao mando dentro de casa e sejamos francos, isso é legal? Acho que não.

A Aline Kelly, presenciou uma cena no metrô, o que gerou a iniciativa do hangout. Ela viu uma família com três meninas, onde a pequena de dois anos, agitada, saía do assento e ao ser "detida" pelas irmãs maiores, tascou uma mordida daquelas, deixando a irmã mais velha chorando, ao que os pais ao invés de discipliná-la, acolheu a caçula, deixando a maior chorando sem se importar com a péssima conduta da pequena. 

Notem, filhos são filhos e como futuros adultos, precisam de limites. É sabido que na idade dos dois anos, os pequenos usam a mordida para se defender. Daí a acatar esse tipo de comportamento e aceitá-lo consiste em grande erro dos pais.

É isso que foi discutido nesse hangout. Como passar valores para crianças tão pequenas? Até onde essa disciplina é eficaz? Usando um pouco do meu exemplo, eu que dessa vez não participei do hangout, todos aqui tiveram a mesma educação, respeitando os encantos e diferenças de cada um. Dona Miúda, que é a caçula, nunca mordeu os irmãos, mas ao menor sinal de desrespeito, é motivo de castigo. 

Aquela máxima de que é de pequenino que se torce o pepino, é muito válida aqui em casa e eles já entenderam. Não que não teimem, ou que não ultrapassem certos limites. É natural das crianças desafiar os adultos, porém é da natureza dos pais e obrigação, educar e ensinar o certo. E respeito ao próximo, é algo que precisa ser ensinado desde cedo.

São os nossos exemplos principalmente, que vão moldar o caráter dos nossos filhos. Portanto, repitam incansavelmente, insistam, eduquem e persistam até do túmulo! Nossa voz será ouvida e respeitada por eles, pois somos seus pais com todo o peso que essa palavra representa.

Bom hangout pra vocês!

 

terça-feira, setembro 16, 2014

CHUPETA: USE COM MODERAÇÃO


No post passado falei sobre alimentação e muito fugazmente toquei no assunto da chupeta como forma de auxiliar na introdução de novos alimentos na vida do bebê.

Como mãe de primeira viagem, nos idos de 2002, tinha a certeza que amamentaria, se assim o universo permitisse e me desse leite. Era certo que amamentaria até antes dos dois anos do bebê, não tinha certeza absoluta quanto ao uso da chupeta. E creiam, estava mais inclinada a não usá-la.

Já mencionei o Superpediatra e o quanto ele foi importante na minha vida e na da minha família. O mais bacana dessa relação, é que cortou o cordão umbilical dos três, deu dicas preciosas presencialmente ou por telefone, apoiou nossa família até quando estava de férias e sempre nos mostrou um lado prático e menos dramático da vida. Eu optei por ser uma mãe mais easy going, que uma mãe neurótica, dramática... minhas neuroses estão mais ligadas à educação e obediência, do que o estado de saúde deles, que graças à Deus, posso me considerar abençoada.

Segundo fonoaudiólogos, o mito da chupeta não é simplesmente um mito. A maioria esmagadora é contra o uso da chupeta por um período prolongado, tanto no que diz respeito ao tempo em que a criança usa diariamente, quanto aos anos de uso. Criança que chupa a chupeta mais que o devido, usa a sucção de forma indevida. Coisa que a amamentação é a grande responsável em proporcionar (não a chupeta), estimulando músculos faciais, responsáveis pela mastigação, desenvolvimento da fala e respiração.

Voltando a minha experiência pessoal, fui apresentada à chupeta tão logo me vi com um recém nascido nos braços. Na verdade, ganhamos algumas já no chá de bebê, coisa que na época, dei uma olhada com certo desdém... Nada como aquele período de terror, chamado adaptação, quando o bebê vem pra casa e a gente pensa que vai enlouquecer, para mudarmos alguns valores.

Superpediatra ao saber que Pacotinho pretendia ficar agarrado no peito quase o tempo todo, sem dar tempo pro meu peito encher de novo, mandou que eu desse a chupeta. Diante dos gritos histéricos do recém-nascido, sugando dois seios murchos praticamente secos, não vi outra alternativa, a não ser empurrar a chupeta.

Cardíacos saiam da sala, peguem seus remédios, calem as entidades protetoras dos direitos dos bebês. Cenas fortes virão nas linhas abaixo.
Pacotinho ODIOU a chupeta. Ele cuspia, eu dava de novo, ele cuspia, eu dava de novo e assim foi. Confesso, segurava uns segundinhos em sua boca, evitando que ele cuspisse ou chorasse, até que ele desistiu e ficou com ela na boca.

Verdade, fiz tudo isso com o coração apertado, com a consciência apontando seu dedo inquisidor na minha cara, me sentindo até uma mãe escrota. Por fim, joguei a culpa de lado. Eu não daria outro leite que não fosse o meu, água era dispensável, e olha que apelei para a água na chuca e ele rejeitou da mesma forma, por fim, a chupeta foi a grande salvadora da pátria. Pacotinho era aquele tipo de bebê que mamaria até vomitar, engasgar, ou ficar pendurado ali para sempre. Ele não dava a chance de me recompor, de o peito encher. Literalmente, ele teria gostado de fazer meu peito de chupeta e isso é muito comum em bebês que não a usam (fazer o peito da mãe de chupeta, ao invés de mamar quando tem fome - comigo não, violão!). 
Acontece que já ali comecei a discipliná-lo, portanto segui algumas regrinhas:

  • Enquanto bebezinho, a chupeta só era usada quando o bebê a procurava, se mostrava irritadiço ou com sono. Nunca substituí mamadas nos horários certos, carinho, afago ou colinho pela chupeta;
  • Na hora de dormir, todos os meus filhos cuspiam a chupeta quando entravam em estágio de sono profundo;
  • Quando maiores, a chupeta só era usada na hora do soninho da tarde e da noite. Como foram cedo para a creche, a instituição também estimulava atividades sem chupeta para somente usar este recurso na hora da soneca;
  • Desde pequenos, meus filhos usavam uma chupeta por vez, embora tivéssemos outra guardada para o caso de perder a primeira. Dona Miúda chegou a ter seis chupetas de uma vez, porque não raro fazia o truque do desaparecimento, então ao encontrarmos, a guardávamos sem que ela soubesse da existência das outras cinco;
  • O mesmo Superpediatra nos deu uma meta para tirarmos a chupeta da criança, que aos três anos, nenhum deles poderia estar portando uma chupeta, ou seja, todos pararam de chupar antes dos três anos. Seguimos à risca.

Ainda que tenha tido experiências felizes com a chupeta na criação dos meus filhos, reconheço que se trata de um vício paterno e em alguns casos, um sofrimento na hora do afastamento. 

Pacotinho deixou a chupeta prestas a completar três anos e como meninos não são dados ao drama, usei do recurso da falta de dinheiro para não comprar a chupeta que perdeu. Conforme foi perdendo, não repúnhamos o estoque e justo no dia da última, eu me recusei a pagar R$ 5,00 (ou menos) com cartão de crédito. Pacotinho reclamou e choramingou por cerca de duas noites, quando geralmente ele pedia a chupeta. Já ficava o dia todo sem ela nessa idade. A creche também ajudou encorajando-o a contar sua experiência aos outros coleguinhas, o que o incentivou a bancar o corajoso, bater no peito e dizer: EU NÃO CHUPO MAIS CHUPETA! Realmente, ele passou para outro nível social em sua vidinha.

O Sr. Cabeça de Bolinha foi o mais guerreiro dos três. Estava doentinho na ocasião e tinha o péssimo hábito de morder as chupetas até rasgá-las. Ele começou a fazer isso bem depois dos dois anos e a frequência com que comprávamos chupetas começou a aumentar drasticamente. Não estava nos nossos planos investir na Bolsa de Valores, muito menos em chupetas. Então demos um ultimato que caso ele mordesse a próxima, ficaria sem chupeta. Não lembro bem, mas acho que ele ou estava para completar três anos ou tinha acabado de completar. Fato é que ele mordeu a chupeta, se deu conta do rombo e tomou a iniciativa de jogá-la fora por conta própria. Segurou a onda legal, não chorou, não pediu mais e contava todo orgulhoso pra geral de seu grande feito. Esse também entrou para o grupo seleto dos que largaram a chupeta com orgulho.

Dona Miúda já foi outra coisa. Mulher-> separações = drama. Quem orquestrou a separação da chupeta foi a madrinha dela, sem meu conhecimento. Elas haviam feito uma combinação secreta e quando fui pegá-la na casa da dinda, a galega já veio sem o acessório. O problema, é que minha filha quando vai para a madrinha quer se fazer de forte e quando desce, perto dos pais, não dá conta das próprias escolhas. Moral da história, fiquei duas semanas ouvindo choro e chorando MUITO, junto. A tormenta só passou, quando eu saí do estado de pena para o estado de mãe que faz o que tem que ser feito. 

Ela não tinha três anos ainda e faltava um bom tempo para fazê-lo e isso me dava muita dó. Sentia que ainda não era o momento, porque não fui eu quem conduziu a situação. Então seria mesmo pena da pequena, ou o choro era mais um inconformismo por saber que essa decisão deveria ter sido conjunta? Fato é que não voltei atrás. Não colocaria tudo a perder e quando finalmente me acalmei, depois de muito papo com a dinda me acalmando, pedindo forças, consegui deixar de drama e foi essa tranquilidade que fez minha filha parar de pedir pela chupeta na hora do soninho da tarde, ou quando se visse contrariada. Duas semanas depois.

Então eu recomendo sim o uso da chupeta, desde que se saiba administrá-la e ter a consciência de que seu uso é periódico, não permanente. 
Com chupeta a fórmula é simples: mais qualidade, menos quantidade.

Fonte: Sseção Vida e Saúde - Site Paran@shop

sábado, setembro 06, 2014

SEU FILHO PRECISA DE TERAPIA? CONHEÇA LUDOTERAPIA

ESSE POST NÃO É PUBLIEDITORIAL!
 
Um dia, por causa da Psoríase que o Sr. Cabeça de Bolinha começou a apresentar no dedinho, eu me vi forçada a ler textos acadêmicos sobre terapia infantil e acabei descobrindo que se tratava de uma doença psicossomática. 

Você sabe o que é isso? 
A grosso modo, são doenças de fundo emocional. 
Uma grande verdade. Eu já havia tentado de quase tudo para fechar a ferida no dedinho que ora cicatrizava, ora voltava a abrir. Afinal, sabia que Psoríase não tem cura. Numa das passagens, constava que o tratamento da Psoríase deveria ser acompanhado de terapia, além do tratamento tópico, ou seja, cuidados no local do ferimento.  Assim começou a busca por um profissional que pudesse atendê-lo e com a ajuda da escola das crianças, consegui a indicação de uma Psicóloga cuja especialidade era Ludoterapia. Mas que raio é isso de Ludoterapia? 

Elementar meu caro Watson, se você quiser aprofundar, esse site aqui vai te ajudar, mas na minha linguagem for dummies é mais fácil. Te explico. É psicologia para crianças dos 03 aos 12 anos, no entanto, de forma lúdica (o nome vem daí). Através da brincadeira, com jogos, desenhos, colagens, pinturas, o psicólogo tem condições de avaliar a criança por meio de comportamento, sentimentos, bem como se há indicação para pais ou terapia familiar.

No nosso caso, Sr. Cabeça de Bolinha levava o irmão para a sessão por vontade própria e nossa querida terapeuta apontou a necessidade de Pacotinho fazer sessões individuais também. Sr. Cabeça de Bolinha nunca apresentou o desejo de levar a irmã mais nova, o que foi respeitado por nós. 

Na ocasião não colocamos Pacotinho de imediato, contudo, com a mudança radical das escolas, achamos apropriado ele também ter sessões. Como se trata de um pré-adolescente a sessão é um pouco diferenciada da do irmão menor. Inclui jogos, bate papo, leitura de livros e muito esclarecimento, já que Pacotinho está bem na fase dos questionamentos.

Existe uma coisa em terapia que é o enfrentamento, né? Geralmente é nessa hora que os pais correm. As pessoas querem que o terapeuta conserte seu filho, mas não querem ser consertados. 
Aqui não é bem assim que a banda toca. A gente enfrenta a cada quatro semanas aproximadamente. Já teve choradeira, tiro, porrada e bomba. Já teve conotações de terapia de casal, coisa que gente como eu, que odeia uma DR, evitava a todo custo. Mas é bom, sabia? Conhecimento é sempre bom. A gente se torna seres humanos melhores à medida que vai se conhecendo melhor, sem contar que eu e marido ficamos mais unidos desde então. 

Sem contar que a nossa querida terapeuta já me tirou de algumas sinucas de bico por telefone. Me orientou muito em situações de stress, onde me via com vontade de esganar as crianças (quem nunca?) e acabava ligando pra ela pedindo socorro. Foi ela, a Drª Rosana Turlão que me ensinou REPETIÇÃO, PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA (multiplica por 3, já posso me rasgar toda?). Palavras chave na tarefa de educar filhos.

Então qual o propósito de uma criança fazer terapia? No nosso caso, foi por meio da doença, depois por meio da dificuldade financeira. Mas morre aí? Claro que não.
Crianças que passam por problemas de separação; crianças que apresentam um baixo rendimento escolar; aquelas que têm um dos cônjuges muito ausente; as que são extremamente abastadas com uma realidade muito distante da maioria da população; as que têm contato com a fama muito cedo... as que sofrem abusos de todo tipo e infelizmente isso existe de sobra; as crianças que apresentam histórico de violência na escola; fora os problemas de ordem psicológica que são evidentes, dentre tantas outras indicações.

Partindo da premissa que nós pais não somos perfeitos, que erramos com eles muito embora tentemos o melhor diariamente, a terapia vai ajudar a criança a se conhecer melhor, a adquirir segurança, a entender as diferenças familiares e por fim se sentirem amadas, porque saberão que seus pais estão de mãos dadas lhes dando autonomia para caminhar. 

A terapia dá isso a criança. Por meio da brincadeira, eles aprendem coisas que nós simples pais mortais nem sempre conseguimos ensinar. O barato da terapia é a visão neutra sobre as coisas e diferentemente da sua ou da minha visão, é salutar, dentro de valores éticos e educacionais.

Mas não adianta fazer terapia e na reunião de feedback correr. Ou ainda, pai ou mãe não levar as crianças às sessões, delegando esse "fardo" a terceiros. Faz parte do tratamento, a criança sair da sala e ver um dos dois esperando por ela. Nesse momento, o sorrisão da criança mostra o quanto estar ali para ela é importante. Eles se sentem cuidados.

Depois de quase um ano e meio fazendo Ludoterapia e faltando a pouquíssimas sessões, a Psoríase do Sr. Cabeça de Bolinha deu um descanso. Descobrimos nesse meio tempo, que a culpa que eu sentia em relação ao nascimento da Dona Miúda acabava por passar insegurança a ele, no entanto, não era esse o problema central. Que nada! Esse problema era muito mais meu que dele! O que mais afetava esse menino era a mania de perfeição. É um extremado perfeccionista e levava a sério demais esse negócio de querer ser o melhor em tudo. 

As atividades físicas que ele fazia no SESC e que teve de parar, por conta da mudança na gestão esportiva, vieram também atrapalhar as coisas. Antes, ele nadava duas vezes por semana e com a mudança, crianças abaixo dos 7 anos ficaram a ver navios. Então, esse tempo ocioso prejudicou os sentimentos dele, ainda que de uma maneira inconsciente. Não fosse a terapia, jamais teríamos descoberto, afinal, a vida com sua rotina de rolo compressor nos atropela e a gente não se dá conta de certos detalhes.

Hoje, os meninos fazem atividades ao longo da semana, além da terapia. O Sr. Cabeça de Bolinha está numa escola bem grande, onde pode jogar futebol quase todos os dias e aos sábados, é conhecido como Jojô do Agogô na Bateria de Jovens Surdos patrocinada pela TIM, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, projeto esse que terei o grande prazer de mostrar pra vocês aqui no blog.

Por tudo isso, a Ludoterapia nos ajudou e eu sou uma defensora, pois acredito que amor e cuidado, vem de dentro para fora. No coração e na cabeça. 

Fonte:

Definição de Ludoterapia, site Psychs
Drª. Rosana Turlão - Ludoterapia e Psicoterapia - Tel.: (21) - 98181-8511
Posts sobre Psoríase Infantil neste blog: Post 1 e Post 2

segunda-feira, setembro 01, 2014

SOBRE MENINOS E PALAVRÕES - PODE OU NÃO PODE?


A cena é típica. Você está em casa varrendo a sala, as crianças espalhadas pela casa naquela confusão habitual de casa com mais de dois filhos; de repente você bate o dedinho do pé na quina da cadeira de madeira, o coração aperta, os olhos se enchem de lágrimas,  o dedinho lateja tanto, que parece que vai sair do pé e antes mesmo de se dar conta, você solta um vigoroso "puta merda!" - ou similar. 

Alguns, como eu, pediriam desculpas, outros mais espertinhos deixariam passar batido, não despertando a atenção da criança para seu próprio mal feito. Tenho minhas razões. 

O tempo passa, você está no supermercado, seus filhos discutem por algo corriqueiro e o mais novo solta um vigoroso puta merda, velho conhecido seu. Na mesma hora, você corre os olhos pelo mercado, procurando o buraco mais próximo para se esconder. Não há tempo para isso. A culpa te faz sentir vergonha, ao passo que te lembra quem foi que iniciou todo esse processo e para não ficar mal diante da sociedade, claro, você chama atenção da criança, porque né? É seu papel educar. 

A maioria esmagadora das crianças não têm ideia do que significa os palavrões que a gente fala. E explicar o significado deles, mesmo para uma criança de 7 anos, dá arrepios na espinha dos pais. Então, como lidar com essa sinuca de bico?

Eu não fui criada com palavrões e assumo, assim que entrei na adolescência, desandei a falar como forma de me autoafirmar no meu grupo da escola, embora as meninas não fossem tão desbocadas quanto eu.

Ao nos tornarmos pais, tanto eu quanto Engraçadão combinamos de maneirar os xingamentos. Deu certo com Pacotinho, deu certo com Sr. Cabeça de Bolinha até a chegada de Dona Miúda. Digamos que nossa rotina familiar tenha ficado meio explosiva criando 3 filhos e com certas privações, de dois anos para cá. Então o meu controle com a boca suja, confesso de vez em quando deixa a desejar. Ainda assim, os meninos que são maiores, entendem que não devem falar palavrão em casa, nem na escola. Eles sabem que quando estão entre amigos, em seu grupinho sem adultos perto, um ou outro palavrão pode escapar. Mas nunca devem falar palavrões diante da professora, dos mais velhos ou mesmo diante de nós, pais, em sinal de respeito. Eles sabem que palavrão em boca de criança não é algo bonito de se ver.

Eles também são proibidos de se xingar, ou mesmo mandar um ao outro calar a boca. Aqui, os irmãos devem manter uma relação de respeito sempre. Nós exigimos isso, embora eles testem nossa paciência de vez em sempre.

Em caso de crianças menores, entre 2 e 4 anos é impensável deixar que se torne um hábito falar palavrão. Um dia Dona Miúda falou um que nem lembro qual foi e nós tivemos uma conversa franca.  Disse a ela que uma menina linda e educada como ela, não poderia falar palavras feias. Que isso não combinava com ela. 
Pois a Miúda pareceu entender. Pediu desculpas e prometeu não falar mais aquilo. De fato, ela nunca mais xingou.

O Sr. Cabeça de Bolinha por ser perfeccionista, prefere seguir à risca o que eu digo, portanto, mesmo quando me vê soltando um ou outro nome feio, me repreende. Daí o meu pedido de desculpas. Só que ficar pedindo desculpas sem mudar de atitude não cola. Crianças precisam de exemplos e que eles venham dos pais. Com o caráter em formação, não fica nada bem os pais pedirem uma coisa e fazerem outra. O exemplo nesse caso é tudo: Digo uma coisa e sempre faço outra, não vale!

Esse final de semana, os dois meninos foram comemorar o aniversário de um amigo de longa data. A mãe do aniversariante organizou uma festa do pijama em casa, onde juntou um total de 7 meninos, que ficariam sábado e domingo por lá. Como a faixa etária era entre 10 e 11 anos e o único mais novo era o Sr. Cabeça de Bolinha, é natural que falassem palavrões. A própria mãe do aniversariante só fez uma exigência, que era a de que não gritassem no apartamento e pelo que soube, os palavrões rolaram soltos. Nada muito descabelante. Só os clássicos. Mesmo assim, meu filho do meio ficou incomodado e frequentemente chamava atenção dos garotos para que não xingassem. 

Já em casa, conversei novamente com ele sobre o assunto. Que deveria respeitar os lugares onde estivessem pessoas mais velhas, seus pais ou professores e principalmente as regras da casa de alguém. Se a mãe do aniversariante não se sentiu incomodada com o comportamento dos meninos, ele deveria ter deixado pra lá. Expliquei que na idade de Pacotinho, é natural que os meninos xinguem de leve. Que inclusive na sua própria escola, os meninos de seu grupo se comportavam assim e ele assentiu. 

Acredito que educação vem de cada família. Umas acreditam ser inadmissível que seus filhos falem palavrão, outras, não acham grande coisa que seus filhos xinguem. 

Aqui, preferimos ser coerentes com a nossa maneira de ser, desde que os meninos aprendam a respeitar o ambiente em que se encontram, bem como as pessoas que os cercam. Não tenho direito de dizer que a educação que estou passando é a melhor, no entanto, tenho obrigação de ensinar o valor do respeito a cada um deles.

Fontes: Crescer em Família - http://crescer.globo.com/edic/ed75/03a04.htm
Uol Mulher - http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2014/03/19/falar-palavrao-pode-ser-forma-de-a-crianca-pedir-mais-atencao.htm

quinta-feira, agosto 21, 2014

CONVIDADO DA SEMANA: PAOLA MACHADO - LIBERDADE E RESPONSABILIDADE


Olá, sou Paola, tenho 30 anos, casada há 6 com o Bruno e com 2 filhos: Gustavo de 4 anos e Felipe de 3 anos.

Sim, eu engravidei de outro e o primeiro ainda nem engatinhava, rsrs.
Sonhei a vida inteira em ter filhos, era a meta mais importante da minha vida, mas a endometriose e os ovários policísticos não iriam me deixar seguir com tanta facilidade. Mas acho que isso é assunto pra um post inteiro.

Hoje vim falar de outra coisa. Meu amor pela maternidade e os parâmetros que eu estabeleci para ser a mãe que eu sempre desejei ser.

Desde que os meninos nasceram, um amor infinito e arrebatador me consumiu por inteira. Não foi de imediato, mas depois conto sobre isso também rsrs.

Sempre fui uma pessoa muito racional, controladora em relação aos meus sentimentos e sempre deu muito certo ser mais realista e menos sentimental. Mas com os meninos muita coisa mudou. Meu lado realista fez uma lista de coisas que eu queria e não queria com a maternidade.

  • Queria muito ficar barriguda e com "cara de grávida";
  • Jamais, em tempo algum ficaria vestida como um saco de batatas e nunca estaria descabelada;
  • Não seria escrava da maternidade;
  • Não iria me submeter às birras;
  • Iria criá-los da forma que lhes desse mais liberdade de pensamento, independência e responsabilidade;
  • Seria amorosa e carinhosa como jamais imaginei ser;
  • Seria justa, mesmo que isso causasse conflito;
  • Seria dura em relação a educação e no que eu imagino ser importante, para criar melhores homens para o futuro;
  • Fotografar e filmar tudo que eu conseguisse;
  • Eles seriam melhores amigos, parceiros em tudo;
  • Não daria privilégios para um ou outro, seria a mesma mãe para os dois;
  • Seria a melhor amiga deles, dentre outras coisas.
É claro que nem tudo deu certo.
Mas a liberdade de querer ser o que eles quiserem, a independência pra fazer as próprias coisas sozinhos e a responsabilidade, que para tudo que se faz tem uma consequência, já estão bem claros nesses pequenos seres aqui de casa.
Tenho dois exemplares COMPLETAMENTE diferentes no quesito personalidade, mas com IGUAL responsabilidade.

Cada um arruma seu material da escola, carrega sua mochila e cuida de seus pertences, se vestem, fazem seu próprio leite com chocolate pela manhã, tomam banho sozinhos, arrumam o quarto; se derrubam algo no chão, a primeira coisa que fazem é pegar um pano pra limpar (tudo evidente, com a minha supervisão, que eles nem sabem que existe e eu prefiro que seja assim. Eles tem a real impressão que fazem sozinhos).

Dentro desse pensamento, coisas muito doidas já aconteceram. Um dia estávamos em casa e o Guto reclamou que o Lipe estava muito fedorento. Ele tinha feito cocô na fralda.

Eu, num tom de brincadeira, disse então: vai lá e troca a fralda do irmão!
Ele nem pensou em dizer não, pegou todos os ítens necessários para isso... Lenço umedecido, fralda limpa, pomada... Tudinho e trouxe para o colchão que estava no chão da sala.

No mesmo momento eu liguei a câmera para fotografar. Logo que ele chamou o irmão para deitar e trocar a fralda, eu passei de foto para filmagem e fiquei sem interferir em nada, só filmando.

E o Guto, metódico e organizado como sempre, começou o ritual de troca de fralda com muita calma e concentração. O Lipe com toda sua energia ja deitou para trocar a fralda querendo levantar e agitar um pouco mais.

Guto tirou as tiras da fralda e quando foi pegar o lenço para limpar a sujeira do Lipe, este se virou de repente e levantou, começou a cair e levantar no colchão carimbando tudo que estava pela frente... Em meio a uma crise de risos e meu objetivo de continuar filmando, gritei o marido que estava no quarto.

Quando ele se deparou com a cena começou a gritar e andar de um lado para outro sem conseguir fazer nada. Eu ainda rindo e filmando continuava sentada para não perder nada.

O Guto paralisou, não fazia nada, não ria, não chorava, não corria não fazia nadinha, quando o marido saiu do surto e conseguiu pegar o Lipe e levar direto pro chuveiro.

No final o Guto só conseguiu dizer:

MAMÃE, DEPOIS QUE O IRMÃO FIZER COCÔ DE NOVO, VOCÊ SEGURA ELE PRA MIM????

Com tudo que a maternidade me proporcionou dias bons e ruins, eu não poderia ter feito melhor escolha.
 

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