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segunda-feira, setembro 01, 2014

SOBRE MENINOS E PALAVRÕES - PODE OU NÃO PODE?


A cena é típica. Você está em casa varrendo a sala, as crianças espalhadas pela casa naquela confusão habitual de casa com mais de dois filhos; de repente você bate o dedinho do pé na quina da cadeira de madeira, o coração aperta, os olhos se enchem de lágrimas,  o dedinho lateja tanto, que parece que vai sair do pé e antes mesmo de se dar conta, você solta um vigoroso "puta merda!" - ou similar. 

Alguns, como eu, pediriam desculpas, outros mais espertinhos deixariam passar batido, não despertando a atenção da criança para seu próprio mal feito. Tenho minhas razões. 

O tempo passa, você está no supermercado, seus filhos discutem por algo corriqueiro e o mais novo solta um vigoroso puta merda, velho conhecido seu. Na mesma hora, você corre os olhos pelo mercado, procurando o buraco mais próximo para se esconder. Não há tempo para isso. A culpa te faz sentir vergonha, ao passo que te lembra quem foi que iniciou todo esse processo e para não ficar mal diante da sociedade, claro, você chama atenção da criança, porque né? É seu papel educar. 

A maioria esmagadora das crianças não têm ideia do que significa os palavrões que a gente fala. E explicar o significado deles, mesmo para uma criança de 7 anos, dá arrepios na espinha dos pais. Então, como lidar com essa sinuca de bico?

Eu não fui criada com palavrões e assumo, assim que entrei na adolescência, desandei a falar como forma de me autoafirmar no meu grupo da escola, embora as meninas não fossem tão desbocadas quanto eu.

Ao nos tornarmos pais, tanto eu quanto Engraçadão combinamos de maneirar os xingamentos. Deu certo com Pacotinho, deu certo com Sr. Cabeça de Bolinha até a chegada de Dona Miúda. Digamos que nossa rotina familiar tenha ficado meio explosiva criando 3 filhos e com certas privações, de dois anos para cá. Então o meu controle com a boca suja, confesso de vez em quando deixa a desejar. Ainda assim, os meninos que são maiores, entendem que não devem falar palavrão em casa, nem na escola. Eles sabem que quando estão entre amigos, em seu grupinho sem adultos perto, um ou outro palavrão pode escapar. Mas nunca devem falar palavrões diante da professora, dos mais velhos ou mesmo diante de nós, pais, em sinal de respeito. Eles sabem que palavrão em boca de criança não é algo bonito de se ver.

Eles também são proibidos de se xingar, ou mesmo mandar um ao outro calar a boca. Aqui, os irmãos devem manter uma relação de respeito sempre. Nós exigimos isso, embora eles testem nossa paciência de vez em sempre.

Em caso de crianças menores, entre 2 e 4 anos é impensável deixar que se torne um hábito falar palavrão. Um dia Dona Miúda falou um que nem lembro qual foi e nós tivemos uma conversa franca.  Disse a ela que uma menina linda e educada como ela, não poderia falar palavras feias. Que isso não combinava com ela. 
Pois a Miúda pareceu entender. Pediu desculpas e prometeu não falar mais aquilo. De fato, ela nunca mais xingou.

O Sr. Cabeça de Bolinha por ser perfeccionista, prefere seguir à risca o que eu digo, portanto, mesmo quando me vê soltando um ou outro nome feio, me repreende. Daí o meu pedido de desculpas. Só que ficar pedindo desculpas sem mudar de atitude não cola. Crianças precisam de exemplos e que eles venham dos pais. Com o caráter em formação, não fica nada bem os pais pedirem uma coisa e fazerem outra. O exemplo nesse caso é tudo: Digo uma coisa e sempre faço outra, não vale!

Esse final de semana, os dois meninos foram comemorar o aniversário de um amigo de longa data. A mãe do aniversariante organizou uma festa do pijama em casa, onde juntou um total de 7 meninos, que ficariam sábado e domingo por lá. Como a faixa etária era entre 10 e 11 anos e o único mais novo era o Sr. Cabeça de Bolinha, é natural que falassem palavrões. A própria mãe do aniversariante só fez uma exigência, que era a de que não gritassem no apartamento e pelo que soube, os palavrões rolaram soltos. Nada muito descabelante. Só os clássicos. Mesmo assim, meu filho do meio ficou incomodado e frequentemente chamava atenção dos garotos para que não xingassem. 

Já em casa, conversei novamente com ele sobre o assunto. Que deveria respeitar os lugares onde estivessem pessoas mais velhas, seus pais ou professores e principalmente as regras da casa de alguém. Se a mãe do aniversariante não se sentiu incomodada com o comportamento dos meninos, ele deveria ter deixado pra lá. Expliquei que na idade de Pacotinho, é natural que os meninos xinguem de leve. Que inclusive na sua própria escola, os meninos de seu grupo se comportavam assim e ele assentiu. 

Acredito que educação vem de cada família. Umas acreditam ser inadmissível que seus filhos falem palavrão, outras, não acham grande coisa que seus filhos xinguem. 

Aqui, preferimos ser coerentes com a nossa maneira de ser, desde que os meninos aprendam a respeitar o ambiente em que se encontram, bem como as pessoas que os cercam. Não tenho direito de dizer que a educação que estou passando é a melhor, no entanto, tenho obrigação de ensinar o valor do respeito a cada um deles.

Fontes: Crescer em Família - http://crescer.globo.com/edic/ed75/03a04.htm
Uol Mulher - http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2014/03/19/falar-palavrao-pode-ser-forma-de-a-crianca-pedir-mais-atencao.htm

sábado, agosto 09, 2014

APRESENTAÇÃO - MUITO PRAZER, SOU MÃE!


Para aquelas que estão chegando agora e aqueles também, claro! Deixa antes eu me apresentar.

Minha carinha é essa aí da barra lateral. Eu dei um jeitinho de ficar legal com Insta Beauty, porque né, já passei dos 40, minha cútis já não é a mesma, meu cabelo anda com uma aparência de cabelo esticado, por mais que eu cuide e atualmente não me permito fotografar de corpo inteiro, já que entrei na categoria falsa gorda.

Ah! Você nunca ouviu falar nessa categoria? Bem, é que de falsa magra não tenho nada há muito, então inaugurei essa, que ao que tudo indica, se encaixa mais comigo.

Sabe, eu tenho três filhos. Sim, claro, estava demorando eu tocar nesse assunto. Resisti três parágrafos inteiros sem falar deles, mas é que eles me perseguem. Estou eu na minha digitando, feliz e contente, falando do quanto eu e minhas celulites somos próximas, quando eles invadem a cena. Filhos são assim. Eles aparecem quando não são convidados. Principalmente quando não são convidados.

Pra falar a verdade, eu não nasci pra ser mãe. Eu nunca imaginei essa situação e se você me dissesse um dia que eu teria esse bando de filho, eu ia dar uma gargalhada satânica bem no meio da sua cara.

Ah! Desculpe os evangélicos que estão lendo. Minha intenção não era fazer apologia ao cramullhão! Eu só queria mesmo enfatizar o quanto eu não pretendia ter esse bando de criança me cercando.

Pois é, leitores. A gente não nasce mãe.
Tem umas meninas que até sonham com isso, tipo, a vida inteira e tals, mas eu nunca fui assim. Sei claro, que muita gente aí que me conhece vai fazer careta ao ler isso, mas é verdade, eu juro! E outras vão dar aquela mesma gargalhada ao ler, porque né? Eu tive três filhos e só há um meio de fazer isso tudo. Quer dizer, hoje em dia existem vários meios, fora o método natural. Por falar em método natural, eu fiz os três assim, mas querer mesmo, eu só quis ter um. É que Deus foi mandando e eu fui aceitando.

Por falar em Deus, depois que a filharada vem chegando, mãe se apega com Deus. Acho difícil você ser mãe e não se apegar em Deus. Porque no dia imediato ao nascimento, são tantas novidades, tantas dores, tantos amores, tantas loucuras, sonolências, descobertas, que você se apega com Deus. E mãe que é mãe, morre de medo, né não? Claro, umas mais, outras menos, mas todas têm ao menos um medinho.

Eu sou do grupo que sente medinho, nada enorme beirando a neurose. Nada assim... exagerado. Só um medo sadio. 
Hoje por exemplo, meu maior medo é que eles não saibam o que querem ser quando crescer. Ah! Mas eu nem apresentei as crianças não é mesmo? Então está bem!

O mais velho, Pacotinho (que já está mais para embrulho, devido a altura!) tem 11 anos e fará aniversário no meio do ano. Ele é do tipo alto, inteligente, bonito, popular, falante, filósofo e por mais que eu tenha medo dessa fase, devo admitir que ele é um pré-adolescente. Aliás, essa fase é um saco!

O do meio, é o Sr. Cabeça de Bolinha, tem 7 anos completos, um cérebro ágil, inteligentérrimo, perfeccionista, lindo, tem uma voz maravilhosa (é afinado quando canta), criativo, leonino do tipo que dá uma porrada antes e pergunta o que que foi depois. Meu maior medo em relação a ele é que ele se quebre, ou quebre a cara de alguém, principalmente do irmão mais velho... mentira. Meu maior medo é que ele me faça perguntas sobre sexo. Na verdade, eu tenho mais medo é das respostas que eu posso dar...

A caçula é a Dona Miúda. Pois é, veio menina apesar dos meus protestos. Ah, sei lá, morria de medo de ter uma menina, de gastar além do necessário com ela; tinha medo de eu me tornar uma daquelas mães escrotas que competem com as filhas adolescentes e sobretudo, tinha muito, muito medo de estragar a nossa relação. Agora que ela já tem 4 anos e eu sei que a amo profundamente, meu medo é outro. Sei lá, tenho medo que ela sofra algum mal, mas não fico pensando muito nisso. Me pego com Deus!

Mudando de assunto, esse blog já tem 10 anos. 
E tem muita gente que me lia e continua vindo aqui, apesar de ele estar bastante largado. Então eu resolvi fazer as pazes com a minha escrita e promover algumas mudancinhas. Além de mudar o layout, que é o que vai ocorrer em breve, pretendo mergulhar de cabeça no universo materno. Mas de uma maneira bem profunda mesmo. Estou vivendo uma fase em que não se vê muito por aí, que é a de filhos crescidinhos. 

A gente vê muita coisa de bebê, mas não vejo uma troca muito intensa entre mães com filhos maiores. Ainda que eu veja, o círculo das minhas amizades virtuais é muito PRO. Sinto falta desse calor blogueiro, da troca de experiências, das mães comuns, cheias de defeito, que gritam, choram, se descabelam, sofrem de TPM e assumem, têm medo das coisas mais loucas, das que beiram a neurose (porque tem né?) e precisam de outras para dividir as dores e delícias da maternidade (porque tem muita delícia também). Ou ainda, daquelas que já passaram dessa fase e podem dividir nesse espaço suas experiências. 

Portanto, você leitor(a) que está chegando agora, seja muito bem vindo(a), sinta-se em casa, sirva-se dessa troca, que agora estamos juntos!

sábado, novembro 23, 2013

QUANDO A MEGA MODELS CHAMA


Muita gente pode desconhecer o nome Mega Models.
Trata-se de uma agência de modelos brasileira, de porte internacional. Já exportou Raica Oliveira (ex-Ronaldinho Fenômeno), Isabeli Fontana, lançou Ana Hickman e é parceira do quadro Menina Fantástica do Fantástico, evidente.

Aqui em casa a gente já rezava. Mas não aquelas rezas decoradas. A gente reza conversando. E se conversa muito, mas muito mesmo, principalmente ultimamente. Além de saúde e amor, o que mais pedimos é trabalho, estágio, milagre ou uma simples saída, pra ontem! E então, na semana anterior ao meu aniversário, eu disse que não aguentava mais, que estava começando a ficar cansada e fraca. Pedia forças, sobretudo.

Dias antes, Pacotinho disse que teve um sonho esquisito, onde todos os seus desejos em oração se realizavam. No dia seguinte, quando o levei à escola, disse que estava sentindo uma felicidade inexplicável... talvez pelo simples fato de estar vivo. Nós e nossos papos cabeça, como sempre.

Pois voltando ao dia da oração, enxuguei as lágrimas e fui, claro, atrasadita buscar as quionça. Peguei Pacotinho primeiro e partimos pra escola dos irmãos. Lá chegando, Sr. Cabeça de Bolinha foi o primeiro a ser posto no carro e quando eu já voltava com a Miúda pela mão, fui abordada por uma moça, que perguntou:

MOÇA PERGUNTANDO - Você é mãe da Lola?
EU - Sim, sou preta, não sou linda, mas sou mãe dela! claro.

Então, além de todo o blá blá blá-Whiskas Sachê sua filha é linda, ela falou a palavra mágica!

PALAVRA MÁGICA - Então, eu sou a fulana de tal, sou da agência Mega Models e... sua filha é liiiindaa! Toma meu cartão, me dá seu número, vai lá, yada yada yada...

Então eu peguei e fiquei com aquele troço na cabeça, juntando as pecinhas, lembrando da minha semana e da oração que acabara de fazer. É... liguei.
A produtora de casting que me atendeu, foi super simpática e disse que já estava gostando de mim. Repetiu isso três vezes. Eu quase ofereci música no Fantástico, mas achei que não seria apropriado naquele momento.

Naquele dia mesmo fui conhecer a agência e fiquei empolgada, porque parecia uma agência de verdade. Mesmo eu desconhecendo o fato de a Mega estar presente no Rio. Pois é, o escritório fica em São Paulo.
 
Levei os três e fiz severas recomendações. Preparei o espírito deles todos de não serem escolhidos. O que valeu. Apesar de ter ficado encantada e ter feito um verdadeiro scanner deles, ela disse que o mercado agora estava interessado em meninas, porém, que as coisas mudam.  E concentrou todas as atenções na Dona Miúda.

Dona Miúda não deixou barato, ficou toda trabalhada na sedução da moça, coisa que nem é do feitio dela. Ela não puxou a mãe, nesse caso.

Infelizmente, tudo tem um preço e Deus quando apontou pra mim, ordenou que nada viesse de graça! De maneira que teríamos de fazer um book, já que ela não tem um, no padrão deles.
Tipo, justo nesse momento de contas menstruadíssimas. No plural.

Daí que qual jeito, senão recorrer á família?
Todos os que levantaram o dedo e socaram o computador nesse momento, perguntando pela opinião de Engraçadão acertaram. Apesar de ele não ter me chamado de louca, balançou a cabeça negativamente e me chamou de sem noção, só com o olhar. Então eu vomitei as evidências.
Fora as que já descrevi, tem o fato de Dona Miúda amar ser clicada por uma câmera profissional desde 1 ano de idade, fazendo as poses por si própria, sem ser dirigida.
Taí a filha da tia Verinha pra provar, já que é fotógrafa.

Partindo desse bando de premissa, catei família e amigos e apelei merrmo!
Foi surpreendente como as pessoas que mais amo ajudaram, além de tantas outras que conheço e adoro de longa data, das quais não esperava ajuda, mas que ajudaram. Até o último minuto tive amigos queridos apoiando a causa e enviando doações.

Antes de soltar a vaquinha, aproveitei minha veia jornalística, liguei pra Sampa a fim de descobrir se aquilo tudo, era aquilo tudo mesmo. Lá no fundinho, eu queria que não fosse, porque seria mais trabalho, recorrer a ajuda de terceiros e quartos, etecéteras infindos. Só que uma a uma dúvida foi caindo por terra. Eu dei uma de migué e fiz que só queria informação. Contei uma historinha e eles deram o endereço que eu fui, falaram os nomes das pessoas que me atenderam, desde recepcionista, fotógrafo, produção, pessoal do casting...e a cada confirmação, meu estõmago dava voltas e eu pensava em Deus. Uma oportunidade dessas, é quase como tirar a sorte grande. Quem curte moda. sabe.
E a Miúda contando os dias para fotografar.

Finalmente o dia chegou. Confesso que eu estava com aqueles medinhos do tipo, ela amarelar, ela chorar, ela não gostar das roupas, ela dar pití... Partimos com Dona Engraçada à tiracolo, das primeiras incentivadoras, além da tia Verinha que ficou torcendo de casa, com 6 looks na bolsa, além de sapatos.
 
Quando enfim chegou o momento, teve pití sim. A Miúda não queria deixar NINGUÉM pentear seu cabelo e ainda estava dando pitaco na roupa, que aliás, não é função dela. Chorou com aquela garganta potente inclusive, mas não era porque não queria tirar foto, mas porque não admitia que a penteassem ou maquiassem -> Entendam por maquiagem, um blush pra ressaltar as bochechas e batom cor de boca e mais nada.
Não fosse a mãe gênea que tem, nada disso seria possível. Fui lá, metendo a mão e fazendo sem que ela se contrariasse, até o maquiador poder participar.

Quando a câmera apontou pra ela... a bicha esqueceu de tudo e se trabalhou toda na sedução da lente.
O mais impressionante e sim, eu ainda me impressiono, foi o fato de ela não ser dirigida, a exemplos de outras meninas mais velhas que estavam lá.
Gente, ela só tem 3 anos!
 
Ficamos cerca de uma hora trocando de roupa e fotografando e ela já dava mostras de cansaço. Percbemos, porque ela começou a repetir pose. Depois falou:
 
DONA MIÚDA - Chega né, mãe? Já tá bom!
 
Ainda bem que quando ela determinou, já tínhamos acabado mesmo.
Daqui três meses receberemos o book completo. São 70 fotos e 10 impressas.
Estamos tocendo por trabalho à partir daí e acreditem, eu tenho a plena certeza que ao menos ela, já está brilhando!
 
E claro, vou contar tudo tudo pros meus 5's queridos leitores, além daqueles que amo e participaram.
Obrigada.
 

quinta-feira, junho 13, 2013

JOJO's METHOD - O MÉTODO DA SUPERNANNY

ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO AGUENTA CHORO DE CRIANÇA, NÃO ASSISTA AO VÍDEO. 
CONTÉM CENAS ENERVANTES!

O cenário é o seguinte: Acontece pelo menos umas três vezes por semana, quando eu pego Dona Miúda na escola. Ela implica com qualquer coisa que seja dentro do carro, com alguém. Pode ser um brinquedo na mão do irmão, que ela queira tomar, pode ser porque eu não a deixei entrar pelo lado da porta que ela queria entrar, pode ser porque ela quis sair da escola sem dar as mãos e eu forcei segurando seu braço, até a chegada no carro...

O motivo não importa. O que importa é que a Dona Miúda faz aloka do cu da vida, da José Higino, até nossa rua, o que dá mais de 6 quarteirões, totalmente possuída, gritando com aquela garganta que abala as estruturas dos prédios, chamando atenção de cão, gato, poste, ônibus, motocicleta, pedestres, pardais de trânsito e o que mais tiver na frente, atrás, de um lado e do outro. E pra piorar, O Sr. Cabeça de Bolinha quando a vê histérica desse jeito, acha de ficar encarando-a, com aquele olhar maroto, fazendo caretas, ou seja, aí é que a beecha fica mais furiosa, mais histérica, mais loka do cu da vida! E eu?

Dirigir com tamanho berreiro na cabeça, é digno de causar um acidente. E acredite, nesse dia me deu uma puta vontade de meter o carro em alta velocidade num poste bem grosso. Eu ia me foder, cortando a cara toda no airbag, assim como Pacotinho que já vai na frente comigo, já ela, protegida pela cadeirinha e o Sr. Cabeça de Bolinha, não tenho ideia do que poderia acontecer.

Foi então que eu no auge da minha ira, para não enfiar a porrada nela, porque merecia, apliquei o método da Jojo, a verdadeira Supernanny (pra quem tá acostumado com Polly, argentina, podem procurar no GNT ou no Discovery Home & Health pra rever os seus conceitos). Ao estacionarmos, debaixo de berreiro, eu a peguei e falei espumando que iria pro castigo assim que chegasse em casa. Ela que não é boba nem nada, tentou me convencer do contrário, afirmando que pararia de chorar e de fato tentou parar, só que era tarde demais!
Então eu tive a ideia de filmar a galega totalmente possuída, se cuspindo e fazendo manha. Esse castigo, dura apenas 3 minutos, contudo, eu gravei acho que depois do primeiro minuto e acaba passando porque depois do castigo, vem o esporro momento em que você deve explicar à criança o porquê de ela estar ali.

Há que se ter disciplina na educação de uma criança. O cantinho do castigo serve muito bem para pais e filhos terem o tempo de se acalmar e redefinirem seus papeis nessa relação. Quando o adulto desce ao mesmo nível da criança, é justo nesse momento que as maiores atrocidades são cometidas, em termos de violência infantil. 
Aplicando esse método, muita raiva e mágoa pode ser evitada desde cedo, o que é uma bênção pra futuras relações saudáveis.

É preciso ser firme e ignorar completamente a criança no tempo em que estiver no castigo; mesmo que ela fique de pé, rolando no chão, esbravejando, cuspindo, ou qualquer coisa do tipo, os pais devem ignorá-la, a menos que ela saia de lá. Se isso acontecer, o disciplinador deverá pô-la de volta sem emitir palavra. Após o tempo, deve-se conversar com a criança e fazê-la entender porquê foi parar lá e que esse comportamento é inadmissível, deixando claro que a casa tem regras que devem ser seguidas. A criança deverá pedir desculpas e à partir daí, é vida nova.

Portanto, é possível educar uma criança sem violência. Basta que os pais tenham amor, força na peruca e sejam um pouco surdos tomem consciência de seu papel como educador.


segunda-feira, junho 10, 2013

OI NÉM!

Quis Deus que daquele cruzamento entre eu e Engraçadão, contrariando as expectativas sobre o nascimento de cães, gatos, narebas e cabeções, nascessem três crianças lindas. Futuros homens e mulher para abalar as estruturas e sambar lindamente na face da sociedade carioca, quiçá mundial!

Muito bem. Pacotinho é o primeiro. Como sempre foi meio à frente do seu tempo, dotado de uma inteligência emocional avançadíssima pra idade e beleza promissora, não é raro seu envolvimento com várias amiguinhas na escola. Nada muito sério. Daqueles namoricos mais de título, do que de fato. Mais de DRs infindas, do que de pegação. E ele sabe chamar atenção, ô se sabe!

Houver dois episódios na semana passada que me deixaram entre o orgulho e a gargalhada. 
O primeiro foi na quarta passada, em que eu tive que acompanhar uma gravação na TV Estácio e precisava ir sozinha. Por ideia dos próprios meninos, tive de deixá-los no integral da escola. Foi um favor que me fizeram, em consideração aos anos de casa e tals. Pois bem, Pacotinho já está engrossando a voz e em Julho próximo fará um ano que ele e o irmão deixaram o integral, cuja saudade é mútua. 

Tudo correu bem, horários cumpridos, gravação um sucesso, pontualidade na saída dos garotos, não fosse uma ressalva. Ao chegar na escola, fui recebida pela diretora que me confidenciou que o pessoal deu trabalho. Leia-se o meu pessoal. Seguindo a hierarquia da merda iminente, fui direto no Sr. Cabeça de Bolinha, já que ele está na idade de prometer, mas não cumprir. Dei com a cara na parede. Pacotinho fora o causador da balbúrdia. 

A secretária querida me contou que a sala de aula ardeu. Que foi uma bateção de porta,  histeria, descabelamento, gargalhadas, babado, confusão e gritaria, ao ponto de atrapalhar a aula da sala ao lado, inclusive, de duas professoras terem descido pra dar queixa.
Pacotinho ao ser interrogado só jurava de pé junto que não havia feito nada, que apenas estava conversando com todo mundo e que não entendia o por quê daquilo tudo. Inclua lágrimas nos olhos.

Bem, eu sei quando meu filho está mentindo e não parecia ser o caso. Não entendi bem o que se passava ali, algo não se encaixava e apertei a secretária, que me confidenciou:

SECRETÁRIA APERTADA - Aaah, minha filha! Sabe como são as meninas né? O fogo ardeu. Estavam enlouquecidas, numa agitação que há muito não se via. Mas deixa... E ele tá com um vozeirão né? Impressionante, porque só tem 10 anos... imagina isso  na copa?

Ou seja, concluímos que ele, exatamente, não fez nada. Apenas a força de sua presença abalou as estruturas e as mini-xanas ali presentes. Pode isso, Lombardi?

Vocês meus queridos 5's leitores (ou menos), sabem que moramos perto de duas comunidades, inclusive frequentamos uma, certo? Pois é, dois dias após o ocorrido, está Pacotinho saindo do mercado onde havia comprado pão, como o faz todas as tardes e ao parar no sinal para atravessar a Conde de Bonfim, ouve:

- Ném! Psiu! Néém. 

Ele olha pra trás, visão panorâmica e estão duas distintas com idade aproximada a dele mais um garoto. Elas se aproximam:

- Nééém. Qual o seu nome?
- Pacotinho.
- A minha amiga quer te conhecer, ném! Vc tem namorada?
- Tenho.
- Qual o nome dela?
- Rá, você acha que eu vou te contar?

Pacotinho monossilábico, boladasso e rezando pro sinal abrir, quando uma delas passa a mão em alguns fios de cabelo dele:

- Noooossa! Como seu cabelo é lisiiinho, ném...

O sinal abre, todos atravessam, mas Pacotinho toma a dianteira. E elas continuam:

- Ném! Néééém! Iiiih, como ele é calado. 

E foi bem nessa hora que já pela metade da Mal. Trompowski, que Pacotinho deu no pé literalmente. Saiu correndo. Mas correu, correu, correu, do pé quase bater na bunda.
Enquanto elas:

- Néééém! Nééééém! Não corre não hein! Eu vou te encontrar! Vou descobrir onde você mora. Minha amiga quer ficar contiiigoo!

Chegou ele aqui em casa arfando, morrendo de rir e me contanto a situação muito louca que tinha vivido. 
Ao ser questionado sobre as meninas, ele disse que elas eram feias pra caramba e que correu, porque tinha um menino entre elas, o que o deixou bolado se o garoto ia ou não fazer alguma coisa. Então correu.

Eu o adverti sobre ele ter sido preconceituoso em relação às meninas, pelo fato de elas não serem bonitas, mas reconheci, que se o coração dele o mandou correr, que ele tinha agido certo. Só porque as meninas eram feias, não significava que eram más. A gente sabe diferenciar quando uma pessoa é má ou não. De qualquer forma, ele agiu certo ao ser cauteloso.

A gente ainda ri dessa história, porque além de recente, dá um puta orgulho em saber que nosso filho faz sucesso, mesmo antevendo que quando a adolescência e os hormônios começarem a fazer seu papel, isso será traduzido em muuuita dor de cabeça. 
Ele agora é chamado de NÉM aqui em casa e ainda por cima atende!

sexta-feira, setembro 28, 2012

O DESFRALDAR

 
Os pediatras recomendam que a criança seja desfraldada à partir de 1 ano e 8 meses de vida. Não que ela consiga automaticamente assimilar as funções urinárias e "defecárias" do dia pra noite, não é isso. Mas conta-se com o fato de ela saber o que é ficar suja. E crianças, meus caros, nessa idade tem ojeriza de se sentirem molhadas ou imundas. É assim que começa.
 
Aos quase dois anos de vida, papais e mamães estão cansados de investir em fralda. É um investimento sem retorno, baseado no amor e o único dividendo que se tem é uma  merda. Uma não, muitas!
 
Quem é pai de primeira viagem não raro arrota por aí que não vai investir numa fralda cara, porque aqui só vai levar xixi e cocô, então qualquer Dry Something da vida vale. Eu mesma falei isso na época de Pacotinho. Não entendia por que Pamper's, por que Huggies, etc. Danei a comprar uns pacotes grandes de Dry Something desenfreadamente até me deparar com a carinha de Pacotinho, sua pele sensível, aquele amor avassalador que me invadiu... Daí que fui a primeira a bradar:
 
EU BRADANDO - Nem fodendo que eu vou botar essa porcaria na bunda sagrada do meu filho!! - o forro da fralda era verde, enquanto as demais eram brancas. Começa por aí!
 
Despachei tudo pro porteiro que já havia encomendado o 6º. filho e que com certeza sendo porteiro, a essa altura do campeonato estaria cagando fedido pro fato de o fundo da fralda ser verde.
 
E assim eu entendi que não adianta economizar. O que adianta, é proteger o bumbum de quem se ama, ainda sim, não é garantia de se evitar alergia a fralda.
 
Então, o superpediatra apoia a decisão de se desfraldar após esse período doloroso de 1 ano e 8 meses desde que não seja inverno. E eu tive que segurar a onda da ansiedade até a chegada do verão no caso dos dois meninos.
 
Aí começa o tormento.
Os meninos foram assim, além de urinar no chão e fazer cocô na cueca com vc correndo atrás com o pano de chão, metendo o dedo na merda etc, tem a problemática do medo do cocô.
Tanto Pacotinho, quanto Sr. Cabeça de Bolinha aprenderam rápido a fazer xixi no piniquinho, mas o cocô... putaquelospárel!
 
Lembro que uma vez, em meio a uma negociação com Sr. Cabeça de Bolinha, para que ele permanecesse sentado  no peniquinho até o cocô sair - ele aos berros no banheiro e se debatendo e eu calmamente o segurando e negociando - Amélie Poulain, nossa gata, diante da gritaria e choradeira, começou a rosnar tal qual um cachorro em defesa de seu amo. Felizmente nesse mesmo dia, Sr. Cabeça de Bolinha conseguiu fazer e perdeu o medo. Eu não fui arranhada mas tranquei o cu devidamente, porque né?
 
Então estou bem no meio dessa fase tenebrosa com Dona Miúda.
Passei uma semana andando com pano de chão na mão, metendo o dedo no cocô que ia parar na calcinha, porque sim, ela só avisava depois que tinha feito... fiquei exata 1 semana nessa tormenta e Engraçadão foi agraciado com apenas 1 sábado e 1 domingo (e ele ainda reclamou, tá?!). Felizardo.
Bem, ao final de uma semana, ela sentou no peniquinho que fica estratégicamente próximo ao banheiro, bem no meio do caminho e fez seu xixizinho como que por encanto. Ainda no mesmo dia, toda prosa com sua conquista, danou a fazer xixi a todo momento só pra poder dar tchau pro xixi. A galega é um barato. Diz assim:
 
GALEGA - Tchau xixi, vai com Deus!
 
Eu não aguento né?
Pois num desses momentos, ela empolgadíssima fez tanta força pra sair o xixi, que acabou fazendo cocô. Foi numa sexta feira ensolarada.
Eu aplaudi, dei tchau pro cocô, passei a vassourinha no peniquinho, botei cheirinho e a ensinei a fechar sempre a tábua. Aliás, os meninos também fecham a tábua sempre, tá futuras noras? Menos um problema procês!
 
E eu pasma, estou lentamente me despedindo das fraldas depois de 1 semana. Ela ainda dorme de fraldas, mas no soninho da tarde não faz xixi e passou 3 noites não urinando na fralda também, só vindo a fazer quando o clima esfriou aqui no Rio.
 
Ou seja, eu morria de medo das meninas, eu temia ser mãe de menina, eu tinha certeza q não levava jeito pra coisa e hoje a galega está me ensinando que somos mais.
Ela está tirando meu medo, está me dando a mão e me ensinando a ter orgulho dela a cada dia mais. Principalmente, galega está fazendo todo um trabalho de resgate da minha auto-estima feminina, que durante anos da minha vida, vou amassada, embolada e jogada no lixo.
E eu só posso ser grata por isso.

terça-feira, setembro 11, 2012

VIDA EM SOCIEDADE E O PREÇO QUE SE PAGA

 
Estou terminando um exercício que sugere que do ponto de vista socioantropológico, meninos têm uma tendência natural para jogar bola desde pequenos e meninas para pular corda, ou conversar desde cedo. O que claro, é uma inverdade. Tanto meninos quanto meninas, estão aptos para bater uma bolinha e por que não (?), juntos.
 
No entanto, o padrão de nossa sociedade é masculinizar o menino desde cedo oferecendo a bola, como forma de tentar garantir sua sexualidade padrão. E à menina, dá-se uma boneca, brinquedos de casinha, etc.
Balela.
Estou eu aqui com Dona Miúda vivendo entre dois meninos, amando batons, adorando saias e vestidos e brigando pelos carrinhos dos irmãos ao mesmo tempo, disputando as bolas deles, etc. Aqui em casa, as definições de gênero até o momento, estão bem marcadas sem imposição alguma. Eles estão seguindo o caminho que se identificam, idependente de bonecos, bonecas, bolas ou vestidos.

Mas essa linha não representa o padrão vivido em sociedade.

Geralmente, os adultos morrem de medo de que seu filho ou filha escolha o caminho do meio. O diferente. Seja por preconceito, seja por amar demais e temer o pior pra seu filho, que se traduziria em sofrimento; pai ou mãe nenhuma sonha que seu filho seja gay.
Eu mesma, debaixo do meu discurso liberal e odiando hipocrisia/ discriminação, não sonho em ter filho gay. Minha orientação sexual é hetero. Ponto. No entanto, minha consciência entende que o amor que sinto por eles é muito maior que as escolhas que eu poderia fazer no lugar deles.
 
Eu escolhi transar antes do casamento. Eu escolhi não casar. Eu escolhi ter filho aos 35, mas eles vieram bem antes. Eu escolhi a minha vida e entendo que amar é deixá-los escolher o que quer que sejam, mesmo que essas escolhas não compartilhem da minha opinião.
 
Temo como toda mãe. Engraçadão teme também como pai zeloso que é. O temor faz parte da maternidade/ paternidade. A gente teme porque ama e porque quer a felicidade deles. E para viver em sociedade sem surtar, vc meio que tem q andar junto com a boiada. Mesmo afirmando que eu seja meio autista desde sempre, ter um filho excluído por uma escolha que tenha feito, é algo sim assustador para qualquer pai. Só que em pleno século XXI, é impensável na minha concepção termos conceitos arcaicos que não reconheçam o homem/ mulher como cerumano, indivíduo que é, independente de raça, cor, gênero, cultura, sabor.
 
É simples.
Basta fechar os olhos, amar o próximo e pagar o preço.
Simples.

sexta-feira, maio 11, 2012

Galega faz 2 aninhos. Eeeee!




Minha pequena hoje faz 2 anos.
Tem dois anos exatos que eu ando de 4 por essa dona que mora lá em casa.
E nunca imaginei que pudesse amar alguém com tamanha intensidade, mesmo já conhecendo bem esse tipo de amor.


É que a galega é bem diferente dos meninos, apesar de ser bem igual em muitas coisas.
A diferença está em ser dengosa. Menina faz dengo. Menina sem enrosca e não tem vergonha de ir-se chegando e aninhando nos braços da gente, mesmo sem ser convidada. Não sei se minha pequena é espaçosa (e é) ou se se trata de uma característica de meninas, mas ela se aninha.


E é brabinha que nem o pai. Engrossa até a voz para dar esporro a minha galega:
Galega sendo braba - Per Pacotinho! Più ampio di quello del giocattolo è mio, dannazione!
Que traduzindo para o bom Português quer dizer:
Para Pacotinho! Larga que esse brinquedo é meu, porra!

Que nada. Miúda não aprendeu a falar palavrone ainda. A gente não deixa.


Anda numa fase muito chameguenta com Sr. Cabeça de Bolinha e este, metódico como é, acaba repelindo. Porque os chamegos são sempre à noite na hora em que ele está puxando sono. E ela vai lá, alisa ele, joga a perna em cima da dele e ele fica puto. É um rapaz muito altivo, não gosta que lhe atrapalhem o pré-sono. Morro de rir.

E a bicha está linda demais! Fala muito, canta muito e dança até assobio. Bicha toda vida, porque adora passar hidratante, quer comer sozinha, não pode ver vestido e sapatos então... calça o de qualquer um que deixe ao seu alcançe.


Apesar de muito independente, quando escuta barulho de fogos, corre pra mim, agarra minhas pernas e fecha os olhos.
Ainda se estamos deitadas, ela pega as minhas mãos e tapa o próprio rosto.
Taí a diferença. Minha menininha, mulherzinha, feminina, tão terna e tão guerreira.
Feliz dois anos.
A mamãe te ama!

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