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terça-feira, agosto 19, 2014

A HORA DE DISCIPLINAR - APRESENTANDO: FILHO DO MEIO


Toda família grande passa por desafios incontáveis. Aqui não seria diferente. Três filhos representam três universos diferentes, distintos e díspares (apelando pros sinônimos). E quando a gente afirma que cada ser humano é um universo, não é de brincadeira. Agora,  amplie esses universos para mundos em formação, cujo Deus onipotente e absoluto é você.

Isso, é você mesmo. Esse que está lendo aí. 
Não corre, não!  Você deve estar se questionando que nem você próprio está formado, como será capaz de se responsabilizar pelo universo alheio? É verdade. 
Acontece que nós pais não temos muito tempo para refletir sobre isso. A gente simplesmente não tem tempo. O que a gente pode fazer é ler a respeito, trocar experiências, tatear e testar muito sem nunca desistir. Assim como fazem os Highlanders.

Houve uma época em que eu e meus filhos estávamos passando por um período de adaptação, quando eu resolvi sair do emprego. Antes, essa convivência diária era relegada às creches. Então, eu posso dizer que ficava com a educação de fim de semana, já que dia útil era aquela coisa correndo, rapidinha.

No início eu fiz muita besteira. Andava gritando, me descabelando, praguejando, botava de castigo, ou deixava o pau quebrar, porque né? Evitava bater... ainda assim, meu filho do meio, o Sr. Cabeça de Bolinha, andou ganhando uns puxões de orelha e apertões. Os puxões de orelha eu aprendi com marido. Não fui criada com puxão de orelha, só com apertões. Ele talvez sim. Fato, é que foi horrível esse período. Sem contar, que as crianças passaram a se tratar na base dos berros. Tudo era grito! A casa ficou um inferno. Eu gritava, eles gritavam, marido gritava. 

Claro, toda essa gritaria não veio do nada. Era um reflexo do período de dificuldades que vínhamos passando. Marido então, não estava acostumado a lidar com tanta dívida e privação, por isso se irritava por qualquer coisa.

Eu decidi acabar com a tempestade. Além de estar vendo e sentindo na pele a reprodução dos meus erros, me digam, quem é que gosta de viver debaixo de um inferno diário? Pois é.
Comecei diminuindo o tom, sento mais coerente nos castigos, menos egoísta com eles, porque né, as crianças precisam da nossa atenção de verdade e não só no papel. Então a modificação partiu de mim e mais uma vez foi contagiando a família. 
Por fim, marido melhorou e todos foram se equilibrando.

De qualquer forma, eu tenho uma dificuldade quando o assunto é disciplinar. Estou acostumada a falar grosso e ser ouvida. Tanto Pacotinho, quanto Dona Miúda entendem no olhar, embora não obedeçam de imediato, maneiram o tom. Mas o Sr. Cabeça de Bolinha nunca foi assim. Ele faz o que tem vontade. Você pode secar o moleque, soltar raios laser por todos os orifícios do corpo, pode fazer o jutso do punho suave*, que não adianta. 

Outra coisa que ele repudia é papo sério. A coisa mais difícil que existe, é você conseguir prender meu filho do meio num sermão. Tem que ter o dom. E eu não tenho. Aliás, tenho imensa dificuldade em fazer essa criança ficar ouvindo meu sermão. Eu literalmente caio na pilha, meio que desisto e por fim dou castigo.

Ontem mesmo passei vergonha na padaria. O Sr. Cabeça de Bolinha está naquela fase de falar o que lhe dá na telha, sem olhar a quem ou onde.  Então na padaria, estávamos comprando mortadela Ceratti, a melhor mortadela do mundo na minha opinião e a qual andamos privados de comer, já que a situação financeira apertou. 
Bem, estava tão animada, que sem perceber, comecei a quase dar pulinhos de alegria. A padaria é um ovo, ao que o menino solta no meio de todos:

SR. CABEÇA DE BOLINHA - Mãe, tá se balançando por quê? Das duas uma, ou você quer fazer xixi, ou vai botar um ovo!

Olhos arregalados dos presentes me encaram.
Ele tem 7 anos e claro, não faz a menor ideia do significado do que estava dizendo. Ele, que já estava de castigo por não ter me atendido de manhã,  ganhou mais um dia. Mas esse não é o ponto fraco do Cabeça de Bolinha. Eu deveria ter ficado atenta. O ponto fraco dele é DR. E ele deve ter puxado a mim, porque detesta discutir a relação. E foi exatamente isso que eu vi o pai fazendo com ele pela manhã, com absoluta maestria, coisa de quem tem o dom mesmo. 

Aliás, eu preciso ajoelhar no milho todo dia e agradecer o marido e pai que dei às crianças. Ele sabe atuar exatamente na lacuna que eu deixo, quando o assunto é disciplina! Veja bem, não levantou a voz, não gritou, não puxou orelha. Ele simplesmente com o tom calmo, pegou na mão do filho, que naquele momento se comportava como um peixe ensaboado, tentando fugir a todo custo; pediu que o olhasse nos olhos e repetia o sermão.

O Sr. Cabeça de Bolinha olhava pro chão, olhava pro teto e se recusava a encarar. Enquanto o pai segurava sua mão firme, mas com a voz suave, enumerando tudo aquilo que ele deveria mudar, conclamando-o a se colocar no lugar dos outros, mostrando a ele, como ele andava exigente conosco e com os irmãos, desrespeitando a todos e no entanto, não fazia a sua parte. 
Nem comigo marido fala desse jeito!

E deu resultado. 
Impressionante! Uma conversa de mãos dadas, olho no olho, deu mais resultado que todos os meus castigos juntos. 

O Sr. Cabeça de Bolinha ficou um tempo ali no quarto vendo desenho, depois ao se levantar, avisou que tomaria banho, a seguir se vestiu sozinho para a escola, como ainda tinha tempo, foi bater uma bolinha no playground, voltou e ficou brincando sem se alterar ou brigar com os irmãos. 

Em contrapartida, pedi também aos outros que respeitassem esse momento dele. Que não o provocassem ou implicassem. 

Como vocês podem ver mamães, os papais de hoje têm muito a nos ensinar. 
Mãos dadas, olho no olho e carinho na voz. 
Anotado.  

*Jutso do Punho Suave - Técnica ninja mostrada no anime Naruto Shippuuden, onde o personagem Neji, luta quase sem encostar a mão em seu oponente, utilizando quase exclusivamente a força de seu chacra para derrubar o adversário.

quinta-feira, junho 13, 2013

JOJO's METHOD - O MÉTODO DA SUPERNANNY

ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO AGUENTA CHORO DE CRIANÇA, NÃO ASSISTA AO VÍDEO
CONTÉM CENAS ENERVANTES!

O cenário é o seguinte: Acontece pelo menos umas três vezes por semana, quando eu pego Dona Miúda na escola. Ela implica com qualquer coisa que seja dentro do carro, com alguém. Pode ser um brinquedo na mão do irmão, que ela queira tomar, pode ser porque eu não a deixei entrar pelo lado da porta que ela queria entrar, pode ser porque ela quis sair da escola sem dar as mãos e eu forcei segurando seu braço, até a chegada no carro...

O motivo não importa. O que importa é que a Dona Miúda faz aloka do cu da vida, da José Higino, até nossa rua, o que dá mais de 6 quarteirões, totalmente possuída, gritando com aquela garganta que abala as estruturas dos prédios, chamando atenção de cão, gato, poste, ônibus, motocicleta, pedestres, pardais de trânsito e o que mais tiver na frente, atrás, de um lado e do outro. E pra piorar, O Sr. Cabeça de Bolinha quando a vê histérica desse jeito, acha de ficar encarando-a, com aquele olhar maroto, fazendo caretas, ou seja, aí é que a beecha fica mais furiosa, mais histérica, mais loka do cu da vida! E eu?

Dirigir com tamanho berreiro na cabeça, é digno de causar um acidente. E acredite, nesse dia me deu uma puta vontade de meter o carro em alta velocidade num poste bem grosso. Eu ia me foder, cortando a cara toda no airbag, assim como Pacotinho que já vai na frente comigo, já ela, protegida pela cadeirinha e o Sr. Cabeça de Bolinha, não tenho ideia do que poderia acontecer.

Foi então que eu no auge da minha ira, para não enfiar a porrada nela, porque merecia, apliquei o método da Jojo, a verdadeira Supernanny (pra quem tá acostumado com Polly, argentina, podem procurar no GNT ou no Discovery Home & Health pra rever os seus conceitos). Ao estacionarmos, debaixo de berreiro, eu a peguei e falei espumando que iria pro castigo assim que chegasse em casa. Ela que não é boba nem nada, tentou me convencer do contrário, afirmando que pararia de chorar e de fato tentou parar, só que era tarde demais!
Então eu tive a ideia de filmar a galega totalmente possuída, se cuspindo e fazendo manha. Esse castigo, dura apenas 3 minutos, contudo, eu gravei acho que depois do primeiro minuto e acaba passando porque depois do castigo, vem o esporro momento em que você deve explicar à criança o porquê de ela estar ali.

Há que se ter disciplina na educação de uma criança. O cantinho do castigo serve muito bem para pais e filhos terem o tempo de se acalmar e redefinirem seus papeis nessa relação. Quando o adulto desce ao mesmo nível da criança, é justo nesse momento que as maiores atrocidades são cometidas, em termos de violência infantil. 
Aplicando esse método, muita raiva e mágoa pode ser evitada desde cedo, o que é uma bênção pra futuras relações saudáveis.

É preciso ser firme e ignorar completamente a criança no tempo em que estiver no castigo; mesmo que ela fique de pé, rolando no chão, esbravejando, cuspindo, ou qualquer coisa do tipo, os pais devem ignorá-la, a menos que ela saia de lá. Se isso acontecer, o disciplinador deverá pô-la de volta sem emitir palavra. Após o tempo, deve-se conversar com a criança e fazê-la entender porquê foi parar lá e que esse comportamento é inadmissível, deixando claro que a casa tem regras que devem ser seguidas. A criança deverá pedir desculpas e à partir daí, é vida nova.

Portanto, é possível educar uma criança sem violência. Basta que os pais tenham amor, força na peruca e sejam um pouco surdos tomem consciência de seu papel como educador.


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