Subscribe:
Mostrando postagens com marcador modelo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador modelo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, março 06, 2015

E NO PRIMEIRO CASTING...


Conseguimos chegar pontualmente às dez, como constava no contrato. Na verdade, aqui no papel diz entre dez e meio dia. Eles deveriam fazer como uma amiga minha, que para evitar atrasos, sempre dizia meia hora antes, então a gente acabava atrasando e chegando na hora. 

Sou orientada a ir para o segundo andar. Fiz a consulta no Google Maps de casa e pude ver que se tratava de um casarão. Antes, uma parada pro xixi, que ninguém é de ferro. A menina pediu e eu peguei carona. Nunca se sabe quanto tempo vamos ter de esperar. Trouxe duas garrafinhas d'água geladinhas e um pacote de biscoito com recheio de morango, porque é rosa, embora eu não vá comer nenhum. Só ela.

Chegamos no segundo andar e o gosto bom na minha boca sumiu de repente. Parece féu agora. Algo que se assemelha a um galpão, largo e comprido, abarrotado de mães e suas filhas, uma mais linda que a outra; uma mais falante que a outra; um calor danado, a visão do inferno. 

Tudo, absolutamente tudo aprisionado na minha mente é sempre mais bonito, mais vazio e mais refrigerado, em nada lembra a realidade. Claro que sinto uma vontade enlouquecida de de voltar pelas escadas no mesmo instante, mas a mãozinha agarrada à minha, me faz subir os últimos degraus.

Eis que tem uma mesa, com a moça sentada de costas para a escada, de frente para aquele mulherio, linda, mas mau humorada com tanto falatório; encarregada de recolher o termo de compromisso, a papelada com documentação e de pôr ordem na bagunça. Muito séria, de vez em quando solta uns berros pedindo silêncio. Dona Miúda não se abala, ou finge bem. Na minha cabeça quero sair correndo, na dela, são mais amiguinhas para brincar. 

- Mamãe, controle-se. - Pede gentilmente meu inconsciente se cagando de medo também.

Entrego meu papel à linda pit bull, ao que ela me diz que não vai servir, porque o meu foi impresso em duas vias. Ela me entrega outro para que eu preencha tudo outra vez. Já perdi o lugar, claro. É tudo tão louco, que nesse calorão o termo "foi à roça, perdeu a carroça" se justifica e não clama por barraco.

Sento ao lado de uma mãe e sua também filha linda. Das poucas negras que estão ali. A grande maioria é loura, tem olhos claros, cabelos de todos os matizes, sobretudo, louros. Aliás, a indústria brasileira é altamente racista. Renegam os negros na cara dura. Minha filha, uma negra fake, de pele clara e cabelos castanhos com mechas douradas não foge à regra. Foi escolhida por causa de sua desenvoltura e pela beleza e cujos traços miscigenados, só buscando com lente de aumento. Ainda assim, eu insisto em dizer que ela é negra, porque afinal, é minha filha e eu não sou branca, certo?

Pois bem, essa mãe é bem diferente de mim. Está batendo o texto incansavelmente com a menina e por vezes segura-lhe o queixo, para que esta preste atenção. Nessa hora, Dona Miúda fica olhando com cara de espanto, como se estivesse pensando alto; "minha mãe não faz isso comigo". Não faço mesmo. A primeira coisa que fiz foi ler no contrato, se havia obrigatoriedade de decorar alguma fala. Dizia para explicar à criança como seria a cena, mas obrigatoriedade de decorar não tinha. Então, expliquei a cena e disse o que ela deveria dizer. Perguntei se queria repetir e ao receber um gesto afirmativo, batemos o texto algumas vezes em casa e outras poucas no ônibus. O nome da marca em questão, o mais difícil, ela decorou com facilidade. Então deixei rolar. Melhor. Só que essa mãe está coagindo a menina. Minhas tripas se reviram.

A recepcionista pit bull dá um berro de sua mesa, que a essa altura está meio longe de nós. Ela grita os números que entrarão para o teste. Dona Miúda resolve brincar com a nova amiga. Antes que ela arrume encrenca com os brinquedos da outra, saco o quebra-cabeças da Frozen para as duas se divertirem. Infelizmente a menina puxou o gênio da mãe. Grita com a  Miúda ao ser alertada de que estava encaixando as peças errado. Minha pomba gira interior me segura para eu não voar no pescoço da pequena. Claro que não voaria no pescoço da pequena, mas a vontade de dar uns safanões na mãe, para ela aprender a não deixar a garota pilhada... Ah! Isso muito.

Minha filha, que é muito mais pheena que eu, não se abala. Repete que está errado e a garota vira bicho. É bem nesse momento que resolvo guardar a porra do quebra-cabeças e falo bem sério pras duas:

- Bem, já que vocês não estão se entendendo, a tia vai guardar para acabar com a discussão. 

A mãe concorda comigo e faz a menina repetir o nome da marca. Então chamam a menina e eu desejo boa sorte. Mentira. Não foi de coração, mas por educação. Com uma coacher daquelas, não precisa de sorte, vai precisar de um psicólogo num breve futuro.

Depois de cerca de uma hora esperando, finalmente pegamos o número que ordena a entrada para o estúdio. Mais uma hora de espera certamente. Felizmente, a Miúda descobriu a varanda, onde estava rolando um vento fresquinho e as amigues pareciam mais calmas, interagindo umas com as outras, trocando seus brinquedos, compartilhando seus tablets... E ali fora, acabo me deparando com outro tipo de mãe que me dá nos nervos. A mãe escrava. Aquela que é um saco e parece que está miando ao pronunciar a cada minuto a palavra filha.

- ô fiiiiilha... mas fiiiilha... e fiiiiilha!

Ai que saco! Fala direito, porra! Dá vontade de sacudir a infeliz pelos braços e mandar falar que nem mulher. Carinho é uma coisa, essa melação da mãe, enquanto a criança pinta e borda me dá agonia. Aquelas superprotetoras (SIC!) que enquanto a criança pinta os canecos, a retardada infeliz fica miando "fiiiiiiiilha não pooooode!" pelos cantos, enquanto a criança já subiu, já desceu, já caiu e já se quebrou. 

Não tenho paciência para ambientes cheios, não tenho paciência para um bando de mães do meu lado, não aguento essas pasteis que não têm atitude e deixam as filhas fazerem o que querem, enquanto ficam lá dizendo "fiiiiiiilha". Isso me dá uma certa revolta e faço couro com outro tipo de mãe ao meu lado. A mãe barraqueira. A gente concorda que a indústria põe a todos num grande moedor de carne e que deveria existir uma agência que realmente sabe lidar e respeitar as crianças. Que ficaríamos ricas. Na boa, se vão selecionar cerca de 5 crianças para um casting, pra quê fazer uma audição com 200? Porque ali tinha umas cem, tranquilamente e ainda soube que haveria o teste da tarde. Ou seja... moedor de carne. Eu juro, não fosse o interesse dela, jamais estaria ali.

Tenho a brilhante ideia de me afundar no Candy Crush Saga, já que tem uma tomada bem ao meu lado e né, quem tem iPhone tem que ter uma tomada de brinde pra chamar de sua. Já estou há uma semana na mesma fase e nem vejo jeito de sair dela tão cedo. Dessa forma,  fico encolhida na escada, enquanto Dona Miúda se enturma rapidamente. Ela está com as meninas um pouco maiores e a filha da pamonha está berrando logo acima de mim na escada,  porque quer ficar perto das meninas que estão com tablet na mão. A idiota da mãe ao invés de consolar a garota, fica miando que ali não tem espaço.

- ALOUUU? Todas nós já percebemos que ali não tem espaço!! - Berra minha pomba gira interior já puta da vida com essa mãe imbecil.

EU - Ô miúda, dá pra amiguinha sentar apertadinha aí do lado de vocês?
MIÚDA - Não, mãe. Aqui tá cheio.
EU - Se sair alguém daí, você chama a amiguinha pra ver o jogo?
MIÚDA - Chamo.
EU - Viu querida? Só esperar um pouquinho que quando a amiguinha sair, você pode sentar com ela, tá bem?


A menina para de chorar por dez segundos e volta a fazer manha. Enfim, a mãe se toca e pega a garota no colo. Sem sacanagem, a menina deve ter uns 3 anos. Eu não sei se traria minha filha de 3 anos para um lugar desses, mesmos e ela fosse a rainha dos paranauê. É um sofrimento. 

Uma das mães me avisa que a minha filha será a próxima. Desligo o Candy Crush e fico antenada com os números. Eles a chamam e eu não sei onde a galega se enfiou. Porra, ela não passou pela porta, estava na escada atrás de mim agora mesmo, além disso, essas meninas são tão parecidas... Ah! Tá ali.

Pego a Miúda pela mão e atravessamos o andar inteiro de mãos dadas. A galega acabara de enfiar um biscoito na boca e está com os dentes cheios de chocolate. Faço uma piada a imitando, dizendo a fala com os dentes pretos e ela cai na gargalhada de boca cheia, com os dentes pretos. A moça me pede para entrar assim que sair alguma garota da sala. Entramos numa porta corta-fogo, que dá acesso a uma segunda porta corta-fogo, com uma sala que parece com um camarim no meio. Dona Miúda me olha e pergunta:

DONA MIÚDA - Mãe, eu vou ter que tomar injeção?
EU - Ah claro que vai tomar injeção! - Sou uma mãe troll. Perco a filha, mas não perco a piada.

Abre-se a porta nesse instante e a moça que a atende, escuta nossa conversa e diz:

MOÇA - Nããããão! Não vai tomar injeção não. Nós vamos brincar. Qual o seu nome? Por favor, pode sentar aqui, mãe.
EU - Não, obrigada, eu vou ficar aguardando aqui fora. 

Ela me olha com as sobrancelhas levantadas. Ao que me abaixo, olho pra minha menina e digo:

EU DIZENDO - Amor, pode ir. Vou te esperar aqui e depois você me conta tudo, tá?

Ela balança a cabeça afirmativamente e a porta se fecha.

sábado, fevereiro 21, 2015

MATERNIDADE: PELA REAL BELEZA


Não me perguntem qual foi o buzz gerado pelas fotos da Cindy Crowford, 48 anos, mãe de dois filhos, ao sair na Marie Claire gringa, com a barriga à mostra e sem photoshop. Exigência dela. Sei que deu o que falar, mas não sei o que disseram. A mim, não importa o que os outros dizem. Importa como me sinto em relação a isso.

Acho mesmo que está na hora de as pessoas pararem de fingimento. Mulher de 80 se esticando para parecer ter 30, resultando numa cara de morta-viva, repuxada, artificial e assustadora. Não me refiro aqui, àquelas que REALMENTE necessitam de cirurgia, porque há casos e casos. No entanto, assim como virou moda a dieta da sopa, a cirurgia bariátrica, o remédio mata rato pra secar e os milhares de Whey Protein que nego toma, porque todo mundo toma, é hora de repensar a mensagem (claro e sempre), que estamos passando pros nossos filhos e pras nossas filhas. 

Pensa bem. Quando você luta por uma aparência dentro dos padrões, mesmo sabendo que terá de fazer sacrifícios demais, ainda que suprima o prazer da sua vida, que tipo de mensagem está passando pros meninos? 
  • Que mulher boa é a que tem barriga tanquinho? 
  • Que a mulher que tem rugas ou cabelos brancos não prestam? 
  • Que a estética deverá ficar em primeiro lugar, acima da boa índole, de uma mente sã, ou de uma pessoa bacana por trás da aparência? 
  • Que basta ser magra e sarada pra ser aceita, enquanto as separadas, viúvas, com rugas e histórias de vida; que são agradáveis, belas mulheres e bem resolvidas se fodem aê né? 

Bem, para as meninas a mensagem é cristalina: NÃO ENVELHEÇA, SEJA BELA A QUALQUER CUSTO, COSTURE A VAGINA SE FOR PRECISO PARA PARECER MAIS NOVA. Afinal, tem mulher fazendo correção vaginal para ficar com a xana novinha, então tudo pode, certo?

Errado. Eu e Cindy Crowford (mais algumas mulheres que não conheço, mas que vivem de forma igual) escolhemos dizer não à ditadura do corpo perfeito. 

Não nasci na Grécia antiga e nem nunca fui estátua, pra ser aquela perfeição toda. O perfeito não existe, meus caros. Tenho três filhos, já passei dos 40 e por conta das limitações que o peso da idade me imputa, passei a malhar em casa, para conseguir acordar quando o relógio toca e aguentar as brincadeiras, que crianças abaixo dos 10 anos exigem. 

Não me iludo quanto aos cabelos brancos que me cercam. Aliso-os, por uma questão de tempo e logística, faço umas mechas para me sentir bonita, mas cobrí-los, não mesmo.  Penso seriamente em raspar tudo, depois que meus filhos estiverem criados, para então libertar meus cachos. Um dia chego lá.

Minha filha que já nasceu linda e gostosa nessa ordem, nunca ouviu de mim que não poderia comer isso ou aquilo para não engordar, nem ao menos ouviu minhas lamúrias sobre peso, ainda que eu faça cara feia internamente. Não é problema dela. 

Meu biquini, como de toda boa carioca, é de lacinho, com as bandas da bunda aparecendo, obrigada. Se elas têm celulite? Tô nem aí. Minhas celulites são um sinal de que comi os hambúrgueres com bacon e ovos que quis e as cervas de fim de semana ao lado do meu marido (de barriga tanquinho). Inclusive, não me privo de nada, nem do miojo. 

Claro, que ir à praia no Rio de Janeiro é um processo. Você olha pro lado e vê mulheres lindas e lembra que um dia seu corpo foi assim e tals, só que o nome disso, de uma maneira geral, é juventude. Poucas mulheres agraciadas com a maternidade, ou com um bando de filhos têm tudo no lugar. Se têm, depois de uma certa idade, um dia vai cair. É a lei da gravidade. Então se a gente não se amar e não ensinar nossas meninas a fazerem o mesmo, essa doença não vai acabar nunca. 

Quero menos mulheres mal resolvidas no mundo. Quero meninas que se achem lindas magrinhas ou gordinhas. Quero mulheres seguras de si, muito embora acredite que se trate de uma utopia, já que as criações são diversas. Mas que pais e mães pensem bem antes de abrir a boca, tecer comentários machistas ou irreais acerca do corpo da mulher perto das crianças. Que tenham consciência. 

Já reparou como somos muito mais generosas com os homens? Já reparou como a gente aceita o outro careca, com barriguinha de chopp, baixinho, longe do ideal das revistas? Pois é. Então por que que com a gente não pode ser do mesmo jeito? Tá na hora de parar de fingir. Tá na hora de se aceitar. A começar pelas mulheres que se deixam aparecer com photoshop até no couro cabeludo. 

Por isso, palmas para Cindy Crowford, palmas para Cléo Pires, que quando saiu na Playboy recusou esse artifício, palmas para as agências de moda que contrataram aquela modelo com vitiligo, palmas para as pessoas de verdade, que têm coragem de mostrar algo muito simples, a verdade de seu corpo e a força de suas crenças. Por menos tratamento de imagem e mais realidade, por favor. 

Fontes:

Link no Tumblr sobre o assunto
Site onde saiu a matéria. 

quinta-feira, setembro 18, 2014

HANGOUT: E se o seu filho pedisse para ser modelo? O que você faria?



Taí um post que rendeu. 
O assunto sobre modelagem infantil no grupo Mães e Pais com Filhos deu o que falar e aí, foi aberta a discussão sobre o tema com outras mães.

No vídeo abaixo, vocês podem conferir tudo o que aconteceu e dar seguimento à discussão.
Esse hangout teve a participação da Sam Shiraishi, moderadora do grupo, Samantha Vicentini, ex-celebridade mirim, além de publicitária; Aline Kelly, Nívia Gonçalves, psicóloga e eu. Todas blogueiras e mães. 

Algumas das integrantes militam pela causa sem #trabalhoinfantil, onde está aberto um forum sobre o tema.

Participar desse hangout foi muito importante pra mim, já que pude observar outros pontos de vista, além de me dar conta que se minha filha deslanchar nessa carreira, isso pode sim, ser considerado uma forma de trabalho infantil. Talvez um pouco diferente do que viveu a Samantha, ainda sim, trabalho infantil. 

Assitam a esse debate, opinem e antes de qualquer pré-julgamento, ouçam.

Grande abraço.

quarta-feira, setembro 10, 2014

MINHA FILHA QUER SER MODELO, E AGORA?






Respondendo à pergunta acima, trata-se verdadeiramente de um dilema. Eu mesma não saberia o que fazer, mas posso ajudar às mamães que estão passando por isso com meu  exemplo de vida.

A Dona Miúda desde muito novinha, cresceu com lentes profissionais apontando pra ela. A bichinha ficava numa creche no alto da Comunidade do Borel, cuja filha da dona é fotógrafa e sendo refém  da gostosura da Miúda, quase que diariamente tirava fotos. 

Minha pequena foi pra lá aos 5 meses e todos os momentos foram registrados. Quando sentou-se, quando fazia mesversário, quando engatinhou, toda suja de bolo, andando, batendo palminhas e por aí foi.

Mais tarde, quando a Miúda já tinha certa consciência corporal, começou a fazer poses para as lentes e se recusava a ser fotografada com celular ou câmera pequena. Ela só queria as objetivas. Só faltava pedir tele-objetivas! Impossível essa minha filha. No entanto, eu nunca forcei nem corri atrás de uma agência de modelos, já que nos meus sonhos, eu é quem sustentava a família, não ao contrário. Era realmente conservadora nesse ponto. Até que...

No final do ano passado, ela foi descoberta pela Mega Models na saída da escola e convidada para fazer um book, bem como fechar um contrato de dois anos com a agência. Encurtando a história, até porque já a contei aqui no blog, fiz uma vaquinha entre amigos e familiares e fechamos com a agência. 

Dona Miúda ainda não fez nenhum trabalho significativo, mas já foi incluída em alguns castings, cujo destino está sempre na mão dos clientes, portanto, saber lidar com nãos é imprescindível. É uma carreira de nãos. Hoje, a própria agência está custeando um workshop para formar seus modelos, já que a gama de trabalhos está aumentando. 

Embasada nesse conhecimento, listo abaixo dicas importantes para os papais que pretendem iniciar seus filhos nessa carreira árdua, que é o mundo fashion:


  • Pontualidade - Modelos nasceram para esperar e muito embora crianças tenham um timing curto, ainda mais os pequenos, prepare seu filho para chegar nos lugares ao menos meia hora antes e se prepare para além do chá de cadeira, levar frutas, biscoitos, sucos, água e um brinquedinho. Vale levar livro de histórias para matar o tempo. Não esqueça de avisar ao pequeno previamente que demora mesmo. Eles (o cliente) podem atrasar o quanto quiserem, o modelo NUNCA, já que comportamento também é pré-requisito.
  • MAMÃE, DEIXE SUA ANSIEDADE EM CASA! - Crianças são verdadeiras antenas. Elas captam a ansiedade dos pais, portanto, de preferência não conte a elas sobre a fase eliminatória dos castings. Vida de modelo é feita de espera e nãos. Se você não sabe lidar com isso, então não coloque seu filho nessa vida. É um mundo extremamente cruel com modelos e mães. A dica é simples, quanto maior a criança, mais ela pode saber o que se passa. Se for pequenininha, não vale a gama de informações.
  • Investigue a agência - Antes de fechar negócio, é importante que se investigue aonde você está se metendo, já que charlatões estão usando o nome de agências sérias para ganhar dinheiro em cima dos desinformados. É normal exigirem um book quando se está começando a carreira, mas se a criança já possuir um, cujo material é de qualidade, então é possível negociar o uso desse material. As grandes agências costumam aceitar book de outras grandes. Use a internet e o telefone a seu favor, pesquise e ligue para a matriz. Se informar exaustivamente antes de fechar negócio pode poupar muita dor de cabeça depois.
  • Dê àdeus às gostosuras - Uma coisa que me chamou atenção nesse workshop, foi a forma como os organizadores se referiam a certos alimentos. Fiquei assustada, claro, mas ao reparar ao meu redor, a maioria das mães presentes estavam visivelmente bem acima do peso. Então foram categóricos quanto a hambúrgueres (só uma vez por mês), refrigerantes (só aos domingos) e biscoitos recheados ou chocolate (NUNCA, faz mal para a pele). Felizmente, já adoto essas medidas em casa, mas em relação ao chocolate e biscoitos, temos que ficar atentos, já que apesar de pouco, nunca para crianças na idade da Miúda é quase impossível. Adolescentes têm realmente que cortar chocolate do cardápio, para não aumentar a incidência de espinhas.
  • Seja realista e persistente - Olhe sua criança, ela tem chances reais de ser bem suscedida na carreira? Existem crianças que nasceram com o dom de desfilar e fotografar, sua criança é assim? Felizmente hoje em dia, as agências abrem um leque generoso que engloba negros, mestiços ou traços orientais, mas nem sempre foi assim. Quantos mais loirinho do olho azul, melhor, lembra? Hoje vale mais a branca com cabelo cacheado ou a negra com cabelo de índia, que um par de olhos claros, não que este não tenha sua vaga garantida. O que quero dizer, é que quanto mais eclético melhor. O mercado finalmente entendeu que moramos numa aldeia global, portanto, a mistura é bem vinda, graças à Deus!
  • Crianças multitarefa - Assim como o mercado demanda profissionais que fazem várias coisas ao mesmo tempo não é de hoje, o mundo fashion precisa de crianças multitarefa. Então se seu filho além de fotografar bem sabe desfilar, atuar, cantar ou representar, suas chances de ser aceito num casting são maiores. As emissoras de TV recorrem às grandes agências, por isso a necessidade de preparo. Não estou dizendo para você colocar seu filho em tudo que é aula de canto ou dança. Muitas vezes as próprias agências preparam seus modelos, só que se o seu filho já tiver algum talento extra, isso facilita as coisas. 
  • O Book é o seu melhor amigo - Em se tratando de modelos, o book é a extensão de seu corpo, ou seja, aonde quer que vá, leve o book consigo. Seja na própria agência, seja numa entrevista com o cliente ou casting, leve seu book. Em casos de modelos maiores, anote suas medidas (busto, comprimento, quadris, etc). Na indústria ganha mais credibilidade quem sabe mais. Mamães, fiquem atentas!
No mais, é lembrar aos maiorzinhos que já compreendem certos assuntos, que se trata de uma carreira árdua, que requer disciplina, persistência e muita paciência. Os nãos são normais e não significa que ele não é bom. Tenha isso em mente. Às vezes, o comportamento dos pais derruba os próprios filhos. A terrível pecha de "mãe de modelo" existe e destroi carreiras, portanto, saiba confiar e ter calma. Se seu filho for aceito, seu telefone vai tocar não importa onde você se encontre.

A própria Dona Miúda é uma que ensaia, mas não estreia. Então estou tendo que aprender a lidar com a ansiedade de não vê-la entrando numa passarela por ser muito pequena e envergonhada. Dizem suas professoras da agência, que longe de mim ela tem muito potencial e faz tudo direitinho, portanto, eu não devo pressioná-la pedindo que desfile. Basta deixar o barco correr, que ela própria será autocrítica a ponto de querer fazer como os colegas.

Oremos.

sábado, novembro 23, 2013

QUANDO A MEGA MODELS CHAMA


Muita gente pode desconhecer o nome Mega Models.
Trata-se de uma agência de modelos brasileira, de porte internacional. Já exportou Raica Oliveira (ex-Ronaldinho Fenômeno), Isabeli Fontana, lançou Ana Hickman e é parceira do quadro Menina Fantástica do Fantástico, evidente.

Aqui em casa a gente já rezava. Mas não aquelas rezas decoradas. A gente reza conversando. E se conversa muito, mas muito mesmo, principalmente ultimamente. Além de saúde e amor, o que mais pedimos é trabalho, estágio, milagre ou uma simples saída, pra ontem! E então, na semana anterior ao meu aniversário, eu disse que não aguentava mais, que estava começando a ficar cansada e fraca. Pedia forças, sobretudo.

Dias antes, Pacotinho disse que teve um sonho esquisito, onde todos os seus desejos em oração se realizavam. No dia seguinte, quando o levei à escola, disse que estava sentindo uma felicidade inexplicável... talvez pelo simples fato de estar vivo. Nós e nossos papos cabeça, como sempre.

Pois voltando ao dia da oração, enxuguei as lágrimas e fui, claro, atrasadita buscar as quionça. Peguei Pacotinho primeiro e partimos pra escola dos irmãos. Lá chegando, Sr. Cabeça de Bolinha foi o primeiro a ser posto no carro e quando eu já voltava com a Miúda pela mão, fui abordada por uma moça, que perguntou:

MOÇA PERGUNTANDO - Você é mãe da Lola?
EU - Sim, sou preta, não sou linda, mas sou mãe dela! claro.

Então, além de todo o blá blá blá-Whiskas Sachê sua filha é linda, ela falou a palavra mágica!

PALAVRA MÁGICA - Então, eu sou a fulana de tal, sou da agência Mega Models e... sua filha é liiiindaa! Toma meu cartão, me dá seu número, vai lá, yada yada yada...

Então eu peguei e fiquei com aquele troço na cabeça, juntando as pecinhas, lembrando da minha semana e da oração que acabara de fazer. É... liguei.
A produtora de casting que me atendeu, foi super simpática e disse que já estava gostando de mim. Repetiu isso três vezes. Eu quase ofereci música no Fantástico, mas achei que não seria apropriado naquele momento.

Naquele dia mesmo fui conhecer a agência e fiquei empolgada, porque parecia uma agência de verdade. Mesmo eu desconhecendo o fato de a Mega estar presente no Rio. Pois é, o escritório fica em São Paulo.
 
Levei os três e fiz severas recomendações. Preparei o espírito deles todos de não serem escolhidos. O que valeu. Apesar de ter ficado encantada e ter feito um verdadeiro scanner deles, ela disse que o mercado agora estava interessado em meninas, porém, que as coisas mudam.  E concentrou todas as atenções na Dona Miúda.

Dona Miúda não deixou barato, ficou toda trabalhada na sedução da moça, coisa que nem é do feitio dela. Ela não puxou a mãe, nesse caso.

Infelizmente, tudo tem um preço e Deus quando apontou pra mim, ordenou que nada viesse de graça! De maneira que teríamos de fazer um book, já que ela não tem um, no padrão deles.
Tipo, justo nesse momento de contas menstruadíssimas. No plural.

Daí que qual jeito, senão recorrer á família?
Todos os que levantaram o dedo e socaram o computador nesse momento, perguntando pela opinião de Engraçadão acertaram. Apesar de ele não ter me chamado de louca, balançou a cabeça negativamente e me chamou de sem noção, só com o olhar. Então eu vomitei as evidências.
Fora as que já descrevi, tem o fato de Dona Miúda amar ser clicada por uma câmera profissional desde 1 ano de idade, fazendo as poses por si própria, sem ser dirigida.
Taí a filha da tia Verinha pra provar, já que é fotógrafa.

Partindo desse bando de premissa, catei família e amigos e apelei merrmo!
Foi surpreendente como as pessoas que mais amo ajudaram, além de tantas outras que conheço e adoro de longa data, das quais não esperava ajuda, mas que ajudaram. Até o último minuto tive amigos queridos apoiando a causa e enviando doações.

Antes de soltar a vaquinha, aproveitei minha veia jornalística, liguei pra Sampa a fim de descobrir se aquilo tudo, era aquilo tudo mesmo. Lá no fundinho, eu queria que não fosse, porque seria mais trabalho, recorrer a ajuda de terceiros e quartos, etecéteras infindos. Só que uma a uma dúvida foi caindo por terra. Eu dei uma de migué e fiz que só queria informação. Contei uma historinha e eles deram o endereço que eu fui, falaram os nomes das pessoas que me atenderam, desde recepcionista, fotógrafo, produção, pessoal do casting...e a cada confirmação, meu estõmago dava voltas e eu pensava em Deus. Uma oportunidade dessas, é quase como tirar a sorte grande. Quem curte moda. sabe.
E a Miúda contando os dias para fotografar.

Finalmente o dia chegou. Confesso que eu estava com aqueles medinhos do tipo, ela amarelar, ela chorar, ela não gostar das roupas, ela dar pití... Partimos com Dona Engraçada à tiracolo, das primeiras incentivadoras, além da tia Verinha que ficou torcendo de casa, com 6 looks na bolsa, além de sapatos.
 
Quando enfim chegou o momento, teve pití sim. A Miúda não queria deixar NINGUÉM pentear seu cabelo e ainda estava dando pitaco na roupa, que aliás, não é função dela. Chorou com aquela garganta potente inclusive, mas não era porque não queria tirar foto, mas porque não admitia que a penteassem ou maquiassem -> Entendam por maquiagem, um blush pra ressaltar as bochechas e batom cor de boca e mais nada.
Não fosse a mãe gênea que tem, nada disso seria possível. Fui lá, metendo a mão e fazendo sem que ela se contrariasse, até o maquiador poder participar.

Quando a câmera apontou pra ela... a bicha esqueceu de tudo e se trabalhou toda na sedução da lente.
O mais impressionante e sim, eu ainda me impressiono, foi o fato de ela não ser dirigida, a exemplos de outras meninas mais velhas que estavam lá.
Gente, ela só tem 3 anos!
 
Ficamos cerca de uma hora trocando de roupa e fotografando e ela já dava mostras de cansaço. Percbemos, porque ela começou a repetir pose. Depois falou:
 
DONA MIÚDA - Chega né, mãe? Já tá bom!
 
Ainda bem que quando ela determinou, já tínhamos acabado mesmo.
Daqui três meses receberemos o book completo. São 70 fotos e 10 impressas.
Estamos tocendo por trabalho à partir daí e acreditem, eu tenho a plena certeza que ao menos ela, já está brilhando!
 
E claro, vou contar tudo tudo pros meus 5's queridos leitores, além daqueles que amo e participaram.
Obrigada.
 

Linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...