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sexta-feira, agosto 29, 2014

CONVIDADA DA SEMANA: *MAMÃE ANÔNIMA - QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU?


Enfim chega uma fase na vida do seu filho que o “doce” e a “bala” já não são mais um problema para os dentes de leite, mas um bicho papão muito mais perigoso. E neste momento que os primeiros passos, aquela disciplina que você impôs (ou não) vão se fazer presentes e conduzir esse caminho. 

As crianças crescem (é só imaginar que nós, os pais, um dia também fomos crianças) e os perigos aparecem. É claro que estou falando das drogas. Longe de mim querer levantar qualquer bandeira, mas eu sempre preferi me manter longe até do cigarro. Sou asmática, alérgica e, extremamente pão dura. Não consigo admitir para mim mesma torrar meu dinheiro com algo absolutamente inútil e nocivo. Mas o pânico tem ainda um motivo mais concreto: vai que tenho aquele organismo pronto para se viciar? Não posso perder minha vida, meu tempo, na sarjeta, tentando sair de onde não deveria ter entrado. 

É claro que sempre tentei passar essa neurose para o meu filho. Programa de TV com penitenciarias mostrando traficantes? Olha, Gustavo. Outro mostrando a Crackolandia? Olha bem se isso aí é o que você vai querer para tua vida! Fui hereditariamente e sem vergonha passando a ideia adiante. 

Acontece que, muitas vezes, aquele monstro que estava de baixo da cama vem te assombrar, do nada, a luz do dia. No último final de semana estava eu em uma festa de família. E lá estava meu filho e um primo (um ano apenas mais velho) conversando com outros primos que são da “minha idade” e já perderam a vida e muito dinheiro em clínicas de recuperação – que eu nunca entendi bem pra que, se sempre voltam ao mesmo ponto de partida como se fosse possível sair dessa com os mesmos hábitos, amigos, lugares, etc – quando meu ouvido, sempre alerta, flagra o diálogo: 

- Um dia vocês vão experimentar... Você sai do chão... he he he!

Eu poderia descrever o que foi o diálogo que seguiu daí, mas reúne mais palavras de baixo calão, ofensas e verdades guardadas há anos, do que propriamente um discurso que possa ser transcrito. Em resumo, coloquei meu filho, o primo, a prima mãe dele e as outras duas crianças dela dentro do carro, junto com minha mãe, não sem antes acabar com a festa.

- Nunca vai se esperar que o aliciamento de menor vá acontecer dentro da sua família, embaixo do seu nariz - Eu esbravejava no carro. 
Ao que diante daquele ódio, Gustavo vira para mim e diz:

- Mãe, você não confia na educação que me deu? Hoje você estava aqui, mas não vai poder me defender do lobo mau sempre. Meu vício é tecnologia e olhe lá. Preciso de dinheiro pra jogar... E isso é um barato, tá ligada?! 

De imediato voltei lá no início do post. A vida inteira demonstrei que não se pode gastar com o que vai te prejudicar, nunca ele me viu envolvida mesmo com as drogas lícitas. É... Ele só tem 14 anos e tudo pode mudar (o telhado é e sempre será de vidro), mas esse foi até aqui a maior sensação de trabalho bem feito que já tive na vida. Se eu posso dar um conselho de mãe? Dê bons exemplos. As crianças copiam. 

*Esse post foi feito por uma grande mãe e amiga. Seu nome foi preservado para garantir a privacidade da família.
 

quinta-feira, agosto 21, 2014

CONVIDADO DA SEMANA: PAOLA MACHADO - LIBERDADE E RESPONSABILIDADE


Olá, sou Paola, tenho 30 anos, casada há 6 com o Bruno e com 2 filhos: Gustavo de 4 anos e Felipe de 3 anos.

Sim, eu engravidei de outro e o primeiro ainda nem engatinhava, rsrs.
Sonhei a vida inteira em ter filhos, era a meta mais importante da minha vida, mas a endometriose e os ovários policísticos não iriam me deixar seguir com tanta facilidade. Mas acho que isso é assunto pra um post inteiro.

Hoje vim falar de outra coisa. Meu amor pela maternidade e os parâmetros que eu estabeleci para ser a mãe que eu sempre desejei ser.

Desde que os meninos nasceram, um amor infinito e arrebatador me consumiu por inteira. Não foi de imediato, mas depois conto sobre isso também rsrs.

Sempre fui uma pessoa muito racional, controladora em relação aos meus sentimentos e sempre deu muito certo ser mais realista e menos sentimental. Mas com os meninos muita coisa mudou. Meu lado realista fez uma lista de coisas que eu queria e não queria com a maternidade.

  • Queria muito ficar barriguda e com "cara de grávida";
  • Jamais, em tempo algum ficaria vestida como um saco de batatas e nunca estaria descabelada;
  • Não seria escrava da maternidade;
  • Não iria me submeter às birras;
  • Iria criá-los da forma que lhes desse mais liberdade de pensamento, independência e responsabilidade;
  • Seria amorosa e carinhosa como jamais imaginei ser;
  • Seria justa, mesmo que isso causasse conflito;
  • Seria dura em relação a educação e no que eu imagino ser importante, para criar melhores homens para o futuro;
  • Fotografar e filmar tudo que eu conseguisse;
  • Eles seriam melhores amigos, parceiros em tudo;
  • Não daria privilégios para um ou outro, seria a mesma mãe para os dois;
  • Seria a melhor amiga deles, dentre outras coisas.
É claro que nem tudo deu certo.
Mas a liberdade de querer ser o que eles quiserem, a independência pra fazer as próprias coisas sozinhos e a responsabilidade, que para tudo que se faz tem uma consequência, já estão bem claros nesses pequenos seres aqui de casa.
Tenho dois exemplares COMPLETAMENTE diferentes no quesito personalidade, mas com IGUAL responsabilidade.

Cada um arruma seu material da escola, carrega sua mochila e cuida de seus pertences, se vestem, fazem seu próprio leite com chocolate pela manhã, tomam banho sozinhos, arrumam o quarto; se derrubam algo no chão, a primeira coisa que fazem é pegar um pano pra limpar (tudo evidente, com a minha supervisão, que eles nem sabem que existe e eu prefiro que seja assim. Eles tem a real impressão que fazem sozinhos).

Dentro desse pensamento, coisas muito doidas já aconteceram. Um dia estávamos em casa e o Guto reclamou que o Lipe estava muito fedorento. Ele tinha feito cocô na fralda.

Eu, num tom de brincadeira, disse então: vai lá e troca a fralda do irmão!
Ele nem pensou em dizer não, pegou todos os ítens necessários para isso... Lenço umedecido, fralda limpa, pomada... Tudinho e trouxe para o colchão que estava no chão da sala.

No mesmo momento eu liguei a câmera para fotografar. Logo que ele chamou o irmão para deitar e trocar a fralda, eu passei de foto para filmagem e fiquei sem interferir em nada, só filmando.

E o Guto, metódico e organizado como sempre, começou o ritual de troca de fralda com muita calma e concentração. O Lipe com toda sua energia ja deitou para trocar a fralda querendo levantar e agitar um pouco mais.

Guto tirou as tiras da fralda e quando foi pegar o lenço para limpar a sujeira do Lipe, este se virou de repente e levantou, começou a cair e levantar no colchão carimbando tudo que estava pela frente... Em meio a uma crise de risos e meu objetivo de continuar filmando, gritei o marido que estava no quarto.

Quando ele se deparou com a cena começou a gritar e andar de um lado para outro sem conseguir fazer nada. Eu ainda rindo e filmando continuava sentada para não perder nada.

O Guto paralisou, não fazia nada, não ria, não chorava, não corria não fazia nadinha, quando o marido saiu do surto e conseguiu pegar o Lipe e levar direto pro chuveiro.

No final o Guto só conseguiu dizer:

MAMÃE, DEPOIS QUE O IRMÃO FIZER COCÔ DE NOVO, VOCÊ SEGURA ELE PRA MIM????

Com tudo que a maternidade me proporcionou dias bons e ruins, eu não poderia ter feito melhor escolha.
 

quarta-feira, agosto 13, 2014

FESTA DE 15 ANOS - Por Yvonne Dimanche


Virtualmente, conheço Yvonne Dimanche há uns 10 anos, ou pouco menos que isso. Se for menos, é só um tiquinho menos. Essa carioca teve um blog muito bacana, onde partilhava histórias gostosas de um Rio que eu não conheci, além de histórias de sua infância, sua criação e dos costumes da década de 1960, época essa, que sempre tive curiosidade e muito respeito, já que os movimentos estudantis, o enfrentamento de uma parte da sociedade ao Regime Militar Brasileiro, bem como a postura dos jovens, era de encher de orgulho. 

Então, através de seu olhar, eu podia viajar no tempo, como se estivéssemos frente a frente, batendo um bom papo. E Yvonne fazia um puta sucesso como blogueira. Era papo de mais de uns 50 comentários por post. Quando estava fraco, dava uns 20. 

Outros tempos? Pode ser que sim. Só que eu tive a sorte de conhecê-la em Guarapari, sua nova cidade, em frente à Praia das Virtudes, com direito a muito papo, crianças, mar calmo e quentinho, abraços, fotos e muuuuita cerveja. Nem conto pra vocês como eu saí de lá e isso é irrelevante agora. 

Fato, é que eu tenho a felicidade de recebê-la nesse post e dividir um pouco dessa amiga com vocês, meus queridos leitores. 

Com vocês, Yvonne Dimanche, salve, salve!


Minha filha nasceu em 1985, então no ano de 2000 tivemos uma proliferação de festas de 15 anos das amiguinhas de escola. Foram algumas maravilhosas, outras nem tanto. A amiga mais abastada fez uma festa para ninguém botar defeito (será?).  Ela simplesmente comemorou em um dos espaços mais caros do Rio de Janeiro, com direito à cerimonialista e tudo. Foram alguns rituais do tipo ela dançar em um palco apagando 15 velas imensas. A cerimonialista, com voz de Iris Letieri, tinha um discurso super pomposo do tipo “agora fulana vai beijar o seu padrinho” e lá entrava o pobre coitado com a cara mais sem graça do mundo. O vídeo então foi de lascar, ela mergulhando no mar, trepada no galho de uma árvore, com caras e bocas. 
Bom, um monte de cafonices sem fim e na nossa mesa estávamos eu, meu marido e mais dois casais amigos morrendo de rir. Isso foi no mês de junho e a minha filhota iria fazer a sua festa em setembro do mesmo ano.

Como eu não tinha grana para fazer algo do tipo e muito menos vontade, pesquisei alguns lugares e optei por festejar a nossa festa no Clube Federal no Alto Leblon. Pois é, acreditem se quiserem, foi o local mais em conta naquele ano. Visual lindo, tudo maravilhoso e sem contar que, como a grande maioria dos convidados eram menores, ficamos com o bufê mais caro com relação aos petiscos, só que, como a única bebida alcoólica foi cerveja, ficou uma coisa pela outra, pagamos o menor preço e de brinde uma garrafa de champanhe para nós pais.

Bom, agora vão os detalhes pitorescos. Fotógrafo profissional? Nem pensar, não sobrou dinheiro para tal. Cinegrafista? Muito menos, pelo mesmo motivo. Os parentes e amigos filmaram e fotografaram. A única coisa relativamente pomposa foi a mesa de bolo e doces, como também as diversas flores espalhadas no espaço e nas mesas dos convidados. E a valsa? Minha filha e meu marido se recusaram a dançar qualquer coisa composta por Richard Strauss. Maridão despejou antes no chão da sala vários CDs para que ela optasse qual música que ela queria. Ela ouviu várias músicas em uns dois ou três dias e optou por Do you wanna dance? Com Johnny Rivers para dançar com o pai. Eu quase morri de tanta emoção, exatamente por ter dançado com o meu avô essa mesma música em 1969, por ocasião dos meus 15 anos. E com o irmão, ela escolheu Great Pretender com The Platters. Foi lindo ver o meu filhote super tímido e desengonçado “mandou lembranças” dançar com a irmã, rs.

E a roupa da filhota foi um vestido preto tubinho comprado em uma loja no Shopping Tijuca por R$ 19,90 com uma blusa cinza linda mesmo e super carésima por cima. Ficou lindinha com uma roupa não condizente com o evento. Enfim, um monte de pequenos detalhes do tipo nada a ver. 

Maridão e eu deixamos os amigos dela a vontade, mas, de longe, víamos as cervejas. Não dava para controlar adolescentes enchendo a cara, então a saída era os garçons “se esquecerem” dos meninos, minha filha inclusive.

Agora vem a segunda melhor parte. Passadas as músicas jovens que praticamente ninguém deu bola, chegou a vez dos coroas. E tome de músicas da nossa época. Os pais amigos descalços, bêbados, dançando freneticamente Havaí 5.0 e tantas outras músicas. Os “nenéns” acabaram caindo na gandaia com os velhotes. Uma delícia. E essa farra foi até não sei que hora. Terminada a festa, todo mundo se beijando e indo embora. 
A melhor declaração de amor que recebi dessa garotada foi “Obrigado(a) tia”. Essa foi a primeira melhor parte. A festa não foi pobretona, uma vez que foi comemorada em um dos espaços VIPs do Rio, mas o clube não era caro, ao contrário. Não teve ninguém dando o bedelho ou decidindo o que era melhor para a nossa família e amigos. Em compensação, todos estavam à vontade, inclusive para serem ridículos.
Resumindo a ópera, foi saber que, apesar do mundo em que vivemos em que cada um quer ser melhor do que cada um, a simplicidade sempre fala mais alto. Os adolescentes amaram porque não tiveram de participar de nenhuma chatice e muito menos obrigados a colocar roupas pomposas para dançar a valsa. 
Enfim, uma festa deliciosa para todo mundo. 

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