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quinta-feira, novembro 13, 2014

DAS RELAÇÕES ENTRE MÃES E FILHAS



Se os pais têm maturidade psíquica para reconhecer no filho um outro, diferente deles mesmos, as fronteiras psíquicas entre pais e filhos podem desempenhar uma importante função na qualidade desse relacionamento.Mariana Ribeiro, (Psicanalista, professora do curso "Entrelaces psíquicos entre mães e filhas" no Instituto Sedes Sapientiae; autora do livro Infertilidade e reprodução assistida - Desejando filhos na família contemporânea (Casa do Psicólogo, 2004), mestre e doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC-SP, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae) 
Falamos sobre quase tudo, menos das relações entre mães e filhas. Pode parecer óbvio para a grande maioria das mães, que se trata de um contato quase cercado de magia. A magia do amor. A mágica e simbiótica relação mãe - filha. Apesar de parecer óbvio para um multidão de mulheres, para mim essa relação teve data de validade.

Claro, vivenciei aquele primeiro amor da infância, onde filhas são apaixonadas, do tipo, quatro pneus arriados pelas mães. Admirava profundamente minha mãe, era louca por ela, achava-a a pessoa mais linda do mundo, fazia juras de amor eterno diariamente em seu nome. Era o tipo de fidelidade canina que só se vê entre mães e filhas, ou seria entre filhas e mães? Isso perpetuou até a chegada da adolescência, quando o véu da inocência definitivamente se rompe.

Em contato com outras amigas, a gente fica sabendo que os pais transam, a gente descobre que sexo é bom e que inclusive nossas mães praticam com gosto. Mesmo ignorando o fato de que pra eu nascer ela teria de ter se deitado com meu pai, naquela época isso tirou um pouco a aura de santidade que havia em torno da minha mãe. Depois vieram os conflitos acerca de uma separação pré-anunciada, mas que nunca chegava às vias de fato, bagunçando a cabeça materna e desviando o foco da adolescência de sua única filha: eu.
Conto isso para ilustrar que a própria vida se encarrega de promover o afastamento entre mães e filhas, seja lá por qual motivo.

Eu penso que a maternidade não é pra todas. É imprescindível que mães prestem atenção nesse amor inicial que constitui a essência da criança. Para que esse elo entre mães e filhas não se quebre prematuramente. E não me refiro a mimar sua filha e atendê-la em todos os seus caprichos – isso criará um monstrinho – mas a perpetuar esse elo, alimentar esse amor e ainda que sua filha discorde de você, é ela quem decide qual caminho seguir, que aprendizados prefere ter. Ainda que discorde do seu modus operandi, sua filha tem esse direito. O que você pode fazer é orientá-la e abrir os braços para que se eventualmente venha a cair, o carinho, o conforto, o colinho e a orientação estarão de braços abertos para recebê-la de volta. É simples assim. No entanto o egoísmo e aquela mania de autoridade que a gente tem, acaba nos afastando delas.

O primoroso texto da psicanalista Mariana Ribeiro para o portal Ciência e Vida, aborda a dificuldade de as mães administrarem e reconhecer nas próprias filhas mundos diferentes, o que seria responsável por verdadeiros desastres na relação. Geralmente, ignorar seus próprios medos, traumas, frustrações ou até fetiches e empurrá-los para debaixo do tapete, acaba por provocar uma espécie de transferência psíquica nas gerações seguintes. Filhas absorvem, filhas reproduzem e ao expor para suas mães as feridas escondidas se instalaria aí o conflito. Outra dificuldade é quando as mães enxergam nas filhas extensões de si mesmas. Preciso completar a frase?

Foi o que me deixou traumatizada e morrendo de medo de ter uma menina: a famigerada competitividade entre mães e filhas; certo tipo de mãe que tem o hábito de minar a autoestima da filha de pouquinho em pouquinho, todos os dias. E isso acontecia debaixo de diversos tetos além do meu. Tem mãe que adora dizer pra filha o quanto ela está gorda, quando a própria não representa modelo de magreza; tem mãe que parece sentir prazer em dizer que sua filha é uma vagabunda se esta não se mantém casta até o casamento (e olha que isso ainda acontece hoje em dia!); existem aquelas que parecem sentir ódio, ao invés de orgulho das filhas que estudaram, que chegaram a algum lugar, que conseguiram um diploma, ao invés de sentirem orgulho de ver o sucesso de suas crias e tantas outras que profetizam o quanto suas filhas são e serão fracassadas, antes de dar um voto de confiança, ou tentar ouvir uma nova ideia que pode ser bem sucedida amanhã. Recusam-se a ouvir suas crias simplesmente por não confiarem nelas próprias, afinal se a própria mãe morre de preguiça de lutar, de sair do lugar, como suas filhas têm esse poder? Também conhecida como inveja.

Por tudo isso, eu morria de medo de ter meninas. Eu vi a transformação acontecer comigo, vi acontecendo com amigas minhas, salvo raras exceções. Foi uma geração filha da ditadura que não sei que tipo de defeito deu. Danou a competir e descontar nas próprias filhas suas próprias frustrações. Eu tinha medo que acontecesse comigo. Tinha medo de sofrer algum dano cerebral, que minasse meu amor por ela. Talvez por isso tenha passado quase nove meses de mau humor, deprimida, chorando por qualquer motivo, morrendo de medo dela.

Claro, esse medo se desfez assim que pus os olhos na galega. A galega personifica esteticamente a mulher que eu sempre quis ser, mas nem por isso vou chama-la de feia por inveja. Sua beleza é tão reluzente, seu jeito de ser despachado, toca a qualquer pessoa; ela é meio maluquinha e fala as coisas assim, na lata, como uma taurina deve ser sem perder a docilidade (coisa que não sei fazer); faz caretas hilárias que eu passei a reproduzir sem querer (quem imita quem? Provavelmente eu a imito); ela é companheira para todas as horas e já dá pra notar um mulherão ali dentro, preso num corpitcho de criança – Dona Miúda é mais mulher que eu e têm me ensinado muito sobre feminilidade - , é das que perde o amigo, mas não perde a piada (também) e é caprichosa com as coisas que faz; adora ajudar; é fashionista toda vida desde que nasceu e melhor, quando me olha nos olhos, eu enxergo aqueles coraçõezinhos que eu tinha no olhar. A galega me põe num pedestal do qual há muito tempo caí.

Sei que sou a pessoa mais importante na vida dela, quer dizer, das mais importantes. E eu prometo ficar atenta. Ainda que discorde de algumas questões, eu já faço o exercício de deixá-la dar seus próprios passos, ainda que saiba que alguns não darão certo. É o amor com liberdade. É amor.
Um dia, uma antiga funcionária que já mora na companhia de Deus vendo meu desespero ao estar grávida de uma menina (tinha 4 filhos e 1 filha) me disse que filha é pra vida toda e em sua simplicidade falou assim:
- Você vai ver! Com menina a parada é diferente!


Só posso concluir que ela estava certíssima! Com menina, a parada é mesmo diferente. É ver para crer e para amar infinitamente.

sábado, setembro 06, 2014

SEU FILHO PRECISA DE TERAPIA? CONHEÇA LUDOTERAPIA

ESSE POST NÃO É PUBLIEDITORIAL!
 
Um dia, por causa da Psoríase que o Sr. Cabeça de Bolinha começou a apresentar no dedinho, eu me vi forçada a ler textos acadêmicos sobre terapia infantil e acabei descobrindo que se tratava de uma doença psicossomática. 

Você sabe o que é isso? 
A grosso modo, são doenças de fundo emocional. 
Uma grande verdade. Eu já havia tentado de quase tudo para fechar a ferida no dedinho que ora cicatrizava, ora voltava a abrir. Afinal, sabia que Psoríase não tem cura. Numa das passagens, constava que o tratamento da Psoríase deveria ser acompanhado de terapia, além do tratamento tópico, ou seja, cuidados no local do ferimento.  Assim começou a busca por um profissional que pudesse atendê-lo e com a ajuda da escola das crianças, consegui a indicação de uma Psicóloga cuja especialidade era Ludoterapia. Mas que raio é isso de Ludoterapia? 

Elementar meu caro Watson, se você quiser aprofundar, esse site aqui vai te ajudar, mas na minha linguagem for dummies é mais fácil. Te explico. É psicologia para crianças dos 03 aos 12 anos, no entanto, de forma lúdica (o nome vem daí). Através da brincadeira, com jogos, desenhos, colagens, pinturas, o psicólogo tem condições de avaliar a criança por meio de comportamento, sentimentos, bem como se há indicação para pais ou terapia familiar.

No nosso caso, Sr. Cabeça de Bolinha levava o irmão para a sessão por vontade própria e nossa querida terapeuta apontou a necessidade de Pacotinho fazer sessões individuais também. Sr. Cabeça de Bolinha nunca apresentou o desejo de levar a irmã mais nova, o que foi respeitado por nós. 

Na ocasião não colocamos Pacotinho de imediato, contudo, com a mudança radical das escolas, achamos apropriado ele também ter sessões. Como se trata de um pré-adolescente a sessão é um pouco diferenciada da do irmão menor. Inclui jogos, bate papo, leitura de livros e muito esclarecimento, já que Pacotinho está bem na fase dos questionamentos.

Existe uma coisa em terapia que é o enfrentamento, né? Geralmente é nessa hora que os pais correm. As pessoas querem que o terapeuta conserte seu filho, mas não querem ser consertados. 
Aqui não é bem assim que a banda toca. A gente enfrenta a cada quatro semanas aproximadamente. Já teve choradeira, tiro, porrada e bomba. Já teve conotações de terapia de casal, coisa que gente como eu, que odeia uma DR, evitava a todo custo. Mas é bom, sabia? Conhecimento é sempre bom. A gente se torna seres humanos melhores à medida que vai se conhecendo melhor, sem contar que eu e marido ficamos mais unidos desde então. 

Sem contar que a nossa querida terapeuta já me tirou de algumas sinucas de bico por telefone. Me orientou muito em situações de stress, onde me via com vontade de esganar as crianças (quem nunca?) e acabava ligando pra ela pedindo socorro. Foi ela, a Drª Rosana Turlão que me ensinou REPETIÇÃO, PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA (multiplica por 3, já posso me rasgar toda?). Palavras chave na tarefa de educar filhos.

Então qual o propósito de uma criança fazer terapia? No nosso caso, foi por meio da doença, depois por meio da dificuldade financeira. Mas morre aí? Claro que não.
Crianças que passam por problemas de separação; crianças que apresentam um baixo rendimento escolar; aquelas que têm um dos cônjuges muito ausente; as que são extremamente abastadas com uma realidade muito distante da maioria da população; as que têm contato com a fama muito cedo... as que sofrem abusos de todo tipo e infelizmente isso existe de sobra; as crianças que apresentam histórico de violência na escola; fora os problemas de ordem psicológica que são evidentes, dentre tantas outras indicações.

Partindo da premissa que nós pais não somos perfeitos, que erramos com eles muito embora tentemos o melhor diariamente, a terapia vai ajudar a criança a se conhecer melhor, a adquirir segurança, a entender as diferenças familiares e por fim se sentirem amadas, porque saberão que seus pais estão de mãos dadas lhes dando autonomia para caminhar. 

A terapia dá isso a criança. Por meio da brincadeira, eles aprendem coisas que nós simples pais mortais nem sempre conseguimos ensinar. O barato da terapia é a visão neutra sobre as coisas e diferentemente da sua ou da minha visão, é salutar, dentro de valores éticos e educacionais.

Mas não adianta fazer terapia e na reunião de feedback correr. Ou ainda, pai ou mãe não levar as crianças às sessões, delegando esse "fardo" a terceiros. Faz parte do tratamento, a criança sair da sala e ver um dos dois esperando por ela. Nesse momento, o sorrisão da criança mostra o quanto estar ali para ela é importante. Eles se sentem cuidados.

Depois de quase um ano e meio fazendo Ludoterapia e faltando a pouquíssimas sessões, a Psoríase do Sr. Cabeça de Bolinha deu um descanso. Descobrimos nesse meio tempo, que a culpa que eu sentia em relação ao nascimento da Dona Miúda acabava por passar insegurança a ele, no entanto, não era esse o problema central. Que nada! Esse problema era muito mais meu que dele! O que mais afetava esse menino era a mania de perfeição. É um extremado perfeccionista e levava a sério demais esse negócio de querer ser o melhor em tudo. 

As atividades físicas que ele fazia no SESC e que teve de parar, por conta da mudança na gestão esportiva, vieram também atrapalhar as coisas. Antes, ele nadava duas vezes por semana e com a mudança, crianças abaixo dos 7 anos ficaram a ver navios. Então, esse tempo ocioso prejudicou os sentimentos dele, ainda que de uma maneira inconsciente. Não fosse a terapia, jamais teríamos descoberto, afinal, a vida com sua rotina de rolo compressor nos atropela e a gente não se dá conta de certos detalhes.

Hoje, os meninos fazem atividades ao longo da semana, além da terapia. O Sr. Cabeça de Bolinha está numa escola bem grande, onde pode jogar futebol quase todos os dias e aos sábados, é conhecido como Jojô do Agogô na Bateria de Jovens Surdos patrocinada pela TIM, no Centro Municipal de Referência da Música Carioca, projeto esse que terei o grande prazer de mostrar pra vocês aqui no blog.

Por tudo isso, a Ludoterapia nos ajudou e eu sou uma defensora, pois acredito que amor e cuidado, vem de dentro para fora. No coração e na cabeça. 

Fonte:

Definição de Ludoterapia, site Psychs
Drª. Rosana Turlão - Ludoterapia e Psicoterapia - Tel.: (21) - 98181-8511
Posts sobre Psoríase Infantil neste blog: Post 1 e Post 2

quarta-feira, junho 05, 2013

PSORÍASE INFANTIL - CHOQUEI!


O Sr. Cabeça de Bolinha apareceu com um machucado feio do dia pra noite. Disse ele, que foi puxar uma pele (cutícula) no cantinho do dedo e deu naquilo. Estava horrível! Lavei o local com sabonete bactericida, em seguida, usei água oxigenada, pomada cicatrizante e isolei a área.
Dia seguinte, retirei o envólucro do dedo, pois abafar machucado não é legal e apesar da melhora significativa, nos dias subsequentes, o dedo não melhorava.

Claro, suspeitei de herpes. Eu tenho herpes labial, o troço é genético, portanto, a culpa é minha certo? Já vi gente com herpes no rosto, o que seria umazinha no topo do polegar, afinal? Liguei pro pediatra e ele descartou de cara essa possibilidade. Semanas haviam passado e a herpes já devia ter involuído. É, tem razão - pensei.

Marcamos então a dermatologista infantil que acompanha a família já há alguns anos, só que quem levou foi o pai e este como não é tão detalhista quanto eu e só acompanhou o caso de longe, deixou de detalhar informações preciosas. A médica é tão boa, que receitou baseada no quadro de melhora que presenciava e nos recomendou algumas medidas, como deixá-lo afastado do Nintendo DS para não lesionar o dedo ainda mais, com a pressão no polegar e apesar de eu ter ligado explicando o histórico, ela foi categórica em medicar de acordo com que estava vendo.

Voltamos lá semana passada, dessa vez eu fui junto e meu queixo caiu quando ela diagnosticou Psoríase. Pronto. A culpa é do pai. Doença genética, eu não tive, mas o pai teve. Então voltamos pra casa com novos remédios e novas medidas. Só que, olha o que eu encontrei ao pesquisar o assunto! 
Antes de irmos direto pro popular senso comum da bagaça, procurei por fontes acadêmicas sobre o assunto e choquei, porque apesar de eu não ter transmitido o gene, estou diretamente ligada ao problema:


Ao ler esse artigo baseado no conceito de Wittin, a criança não conhece bem os limites de onde começa ou termina seu eu e a derme delimita esse espaço no ser (entre corpo e espírito) e em todos os casos, a criança tem dificuldade de expôr seus sentimentos, porque simplesmente não sabe fazê-lo. Há relatos de agressividade por parte da criança, ansiedade dela ou materna e abandono em diversos níveis, além dos traumas que quem é vivo, invariavelmente é acometido por ao menos unzinho.
Infelizmente, eu reconheço meu filho em todos os casos citados, com exceção do trauma.

Sr. Cabeça de Bolinha é agressivo. Seu lado leão dá uma porrada primeiro, pra depois perguntar o que foi e isso têm sido trabalhado há tempos, inclusive melhorou bastante. Pacotinho já não apanha diariamente do irmão. Acho que ele transferiu as porradas no irmão para sua  brincadeira preferida, que é botar os bonecos pra brigar, tendo inclusive quebrado parte deles, já que o som das porradas devem atingir as unidades vizinhas à nossa; apesar de estar prestes a completar 6 anos, esperar na concepção do Sr. Cabeça de Bolinha ainda é uma tortura, coisa que ele já deveria ter aprendido. 

O abandono, eu posso com segurança caracterizar pela chegada da Dona Miúda. Quando ela nasceu, Sr. Cabeça de Bolinha estava para completar 3 anos. Antes disso, nossa relação era muito próxima, de amor, cuidado, admiração, encantamento... lembro que a gente tomava banho junto quase todo dia, ria e brincava muito, eu contava muitas histórias e tenho isso filmado inclusive... Posso dizer que foi um baque, porque tudo isso acabou com a chegada dela, de uma só vez ou parte, foi transferida para o pai, que também nessas horas bate um bolão.

Não que eu não tivesse consciência disso. Eu sofri muito nas semanas antes de Miúda completar 1 mês. Eu senti esse afastamento, além do mais,  Sr. Cabeça de Bolinha é turrão pra dedéu. As coisas têm que acontecer no tempo dele e não  no meu. Então se naquela hora eu não podia dar carinho, não adiantava tentar depois. Já era tarde demais. E a rotina, infelizmente faz a gente se adaptar a tudo. Com o afastamento,  com os carinhos minguados, com o filho botando os bonecos pra brigar em detrimento do quebra-cabeças que amava antes.

Nesse artigo que li, os dois exemplos de meninos avaliados com psoríase, monstram crianças controladoras, ansiosas, que mudam as regras em seu favor. Todas adoram jogos de guerra ou que envolvam virilidade. Ao ler, me deparei com meu filho. Mas o que fazer a essa altura pra mudar nosso padrão?

Bem, além da medicação tópica, consta terapia para ele e é de suma importância que eu esteja presente, levando-o nas sessões, que eu me envolva e faça com que ele acredite que é amado. E é claro que ele é amado, só que talvez não sinta isso. 

Comprovadamente, desde o dia da última consulta, passando pelo tratamento que eu pessoalmente venho cuidando, notei que o ferimento está melhor. Passo hidratante todo dia nele, cuido quando ele já dormiu e ponho o adesivo-remédio no dedinho... outro dia tomamos banho juntos e eu cuidei dele como há muito não fazia, porque a galega ocupou esse lugar e já com uma semana de carinho intensivo, cuidado e atenção, ele está apresentando melhora.

Claro que quem me vê contando, pensa que o moleque tá com o corpo cheio de feridas e não chega nem perto disso. É uma feridinha no topo do dedão esquerdo que teima em não fechar. Às vezes sangra. O que nos deixa em pânico. 
Ok, EU fico em pânico. Mas pela primeira vez está evoluindo.

O tratamento além do psicoterápico, envolve medicação cutânea, hidratante na área afetada, sabonete de glicerina para não sacrificar o local e banho de sol nos horários saudáveis (até às 10h e após às 16h). 
Carinho, atenção, amor, muita conversa e paciência, porque as crianças que sofrem dessa doença, têm algo em comum: o temperamento explosivo ou agressivo e têm uma necessidade de acreditar que são amadas. 
Acho que o meu não acredita tanto, mas como minha própria irmã me disse, eu tenho o dom de desfazer minhas cagadas e recuperar o tempo perdido.

O meu leãozinho costuma rugir alto às vezes e a chicotada, definitivamente NÃO é a melhor saída. Nesse caso, o lenitivo é só o amor através das minhas atitudes. Basta isso.

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