Não sei se é a terapia, não sei se sou eu mesma chegando a alguma conclusão de tanto me analisar, fazeendo um comparativo da minha vida de 20 anos atrás (posso dizer assim) com a de agora... fato é que preciso pegar as rédeas sem medo.
Vejo que apesar de ser uma pessoa bastante determinada (quando quero), para certos assuntos sou deveras cagona, indecisa (?).
Uma pergunta simples bate à minha porta desde que me entendo por gente.
O que você quer ser quando crescer?
Não riam.
Não é tão fácil quanto parece. E morro de medo de algum dos meus filhos terem esse mesmo problema. O da dúvida.
Esse problema me atormenta não é de hoje. Digno daquelas pessoas cheias de qualificação, cheia de opções, mas totalmente sem saber pra onde vai! Perdidinha.
Dona Engraçada contava que muito antes eu queria ser enfermeira. Duvido. Ela me serviu de espellho em tão tenra infância, que já aos 5 anos tinha esquecido que era isso o que queria.
Aí depois encasquetei que seria professora. Demorei muito a decidir. Porém aos 12 anos plenamente convicta de que seria professora, mãe e vó me desmotivaram.
A mãe principalmente, dizia que se eu continuasse a dizer isso diante da família, que eu a estava envergonhando. Professora ganhava mal demais e a reprovação era de geral. E olha que eu daria uma excelente professora! Seria daquelas que explicam com paciência, até o aluno renitente perguntar 2 vezes a mesma coisa e ganhar um apagador no quengo como resposta. Ah...
Passei por cantora, atriz e modelo aos 14 anos. Nada disso veio à baila. Nem de perto!
Cantar, cantava bem. Meus amigos que me conhecem sabem q era verdade. Teve coral, 3 bandas, concurso, bar com voz e violão; botando voz em fita para novos compositores...
A merda foi a mania de querer emprego fixo, repetindo o exemplo dos meus pais. Sempre eles. Isso realmente boicotou meus dons artísticos!
E modelo... bem... não tive apoio, nem altura, nem cabelo.
Só magreza. Não dava né?
Mas atriz, fiz alguns sacrifícios. 1 ano de Comedia Dell'Arte, vendendo rifa, aprendendo, me apresentando e nada. Naufraguei no nervosismo e no tom da pele do casting selecionado. Pena.
Aí entrei em crise aos 26 anos.
Morando sozinha, ganhando mal, sendo tratada como mero número, com um pé na dívida, sem condições de bancar aquele sonho todo.
Queria sair do país, queria trocar de homem, de casa, de responsabilidades... me sentia sufocada e doente.
E de fato, adoeci. Aprendi a comer, porque nem isso eu conseguia fazer direito.
Depressão.
Então tudo o que eu tinha para decidir, a vida foi seguindo o seu curso e decidindo por mim. Era tempo de me curar. A faculdade foi ficando, porque comprar um apartamento era muito melhor aos 28 anos.
E a pergunta também deixou de ser respondida naquele tempo. Ainda não sabia o que queria ser quando crescesse.
Não houve crise dos 30, claro que não. Eu estava ocupada demais sendo mãe.
Só que a vida sempre volta pros pontos mal resolvidos. Aliás, a gente vem aqui pra resolver. Se não resolve, mais cedo ou mais tarde é chamado à responsabilidade! E de novo isso está acontecendo.
Eu estou naquela velha encruzilhada amiga minha. Mais uma vez estava inclinada a escolher o que queriam que eu fizesse, ao invés do meu dom, da minha paixão.
Ah não contei?
Pois é... no meio do caminho, mais precisamente eu me recordei de qual era a coisa que eu mais sabia, mais fazia, mais inventava quando pequena. Adivinha?
Era escrever. Siiim, eu escrevia e ficava horas fazendo isso. Novelas, peças de teatro, poesias, pensamentos... as palavras saíam no xixi e eu pude ir aprimorando.
Com o advento do blog, eu finalmente encontrei o meu clube e isso me ajudou a decidir. Só que a vida sempre me botou na encruza da paixão versus razão. Eu nunca, jamais em tempo algum tive a coragem de pegar as rédeas do meu sonho.
Era sempre privilegiando fazer o que a vida me empurrava pra fazer e não aprender a lidar com meu sonho. A Comunicação.
Pense estratégico, se forme rápido, faça o que tem haver com o seu trabalho! - Ela berrava.
Não é nada disso. A Xuxa já dizia! Os sonhos são possíveis... lua de cristal, que me faz sonhar, traga meu amado em 7 dias e blá-blá-blá!
É isso. A gente vem aqui pra ser feliz, mesmo que essa felicidade dure só 3 horas, mas é nossa obrigação reconhecê-la e vivê-la em sua plenitude. Simples assim. E a simplicidade deprime não é? Quando se sabe q a felicidade está logo ali, o quão simples ela é, muitas vezes a gente fica complicando o bagulho, colocando uma série de e ses? na frente.
E se? nada. Vai e faz!
Bem, eu cansei de e ses?! Cansei mesmo com todas as minhas forças.
Acabei de romper com aquilo que não me faz bem. Defini o que não quero mais. Vomitei metade porque a outra metade, vomitarei daqui há 1 mês aproximadamente.
Mas fato é, expelindo aquilo que não me faz bem, deixando de me sujeitar àquilo que me envenena, o bom virá.
E não me venha com lamentações estéreis sabe? Isso não cola mais.
Eu sou uma mulher que rala desde a mais tenra idade, carreguei e tentei consertar o casamento falido dos meus pais nas costas; saí pra batalha aos 18 porque não me deixaram antes; construí uma numerosa família quando achava q ainda não estava pronta e agora, vou romper com tudo para ir em busca de myself.
É simples. Mas claro, poderia ter pego vários atalhos, só que eu sou lentinha. Preciso entender, aprender, vivenciar, respirar aquilo que aprendo. Senão não vale de nada.
E está decidido.
Ponto.



