Subscribe:

segunda-feira, janeiro 19, 2015

BATE-PAPO: TRUQUES PARA NAMORAR MEU MARIDO COM A CHEGADA DOS FILHOS


De repente eu olho pra ele, a casa silenciosa, crianças na cama e o beijo rotineiro se transforma em algo mais intenso. Crianças reunidas no quarto, geralmente os dois menores dormindo e um ainda acordado assistindo TV. Portas intermediárias fechadas, do quarto, do corredor... estamos isolados na sala. A gente reza pra que não seja interrompido e se despe ali mesmo. Partiu namorar pelado! Houveram casos e jeitos pra tornar esse momento, especial e inesperado. Já me tranquei com marido no banheiro quando o fogo ardeu, já fomos interrompidos com as calças na mão, ao ouvir um choro imaginário, mas felizmente, nunca, nunca fomos pegos em flagrante, o que deve ser o terror dos casais que têm filhos. Mas claro, que nunca se diga "dessa água não beberei!"

Consegui reunir algumas mães e blogueiras para falar sobre essa parte do relacionamento, que em muitos casos fica relegada a segundo plano, que é a atenção ao marido, ao nosso relacionamento e sentimento sim (porque não admitir?) pelos nossos maridos, namorados, caras-metade, aqueles que deram início a tudo, ou melhor, que estavam ao nosso lado desde o princípio.

Eu e Engraçadão já vamos para 22 anos de relacionamento. Demoramos quase oito anos para engravidar e de surpresa. Naquela época, sexo era todo dia, com oportunidade, várias vezes ao dia! Mas essa rotina foi drasticamente alterada com a chegada de um, dois, três filhos. Na verdade, prum casal que sonhava muito mais com outro tipo de bens, foi o fato de ele ser guerreiro, a ambição, os projetos e sonhos de vida das principais características que me atraíram. O caráter, o senso de humor, a amizade, cumplicidade, o jeito com que ele se envolvia na família e o carinho com que tratava sua mãe e as pessoas que o cercavam, o que mais me fez apaixonar e sonhar com uma união duradoura a seu lado. 

A seguir, as mães contam como elas se viram nesse quesito e o que viram de especial nesse homem chamado papai!

Janis Souza - Blog Dedicação de Mãe

Conheci meu marido em 2011 e começamos a namorar, até eu dar um fora nele. Ficamos separados um pouco mais de um ano, nesse meio tempo existiram outras pessoas, tanto na minha vida quanto na dele, em dezembro de 2012 os dois ficaram solteiros e o amor falou mais forte e ele começou a me procurar, ficamos, mas nada sério. Até que eu resolvi fazer uma surpresa pra ele e o pedi em namoro em janeiro de 2013. Voltamos a namorar e dois meses depois ele me pediu em casamento. Hahaha!

Mas vamos para a parte do namoro! Quando fomos morar juntos, a Lara estava com quase 5 anos. E isso foi algo com que tivemos que nos acostumar, até hoje nossa melhor técnica é usar o chuveiro, sim, boto a pequena pra tomar banho, deixo a bacia dela encher e ela fica brincando, mas sempre acontece dela chamar, bem naqueles momentos mais ahhh – se é que me entendem kkkk – e já estou pensando quando forem dois kkkk!

Blog Dedicação de Mãe - Descrição:

Dedicação de Mãe é um blog que relata a caminhada de uma mãe, na superação de uma perda gestacional, a criação de uma filha, abordando temas como comportamento, alimentação, dificuldades enfrentadas no meio do caminho, conquistas, superações e a gestação do terceiro bebê.
 
Palavra chave: Lara  


Mi Gobbato - Espaço das Mamães

Quando temos filhos nossa rotina toda muda, inclusive a rotina para "namorar" nossos maridos, no começo nos sentimos cansadas, devido as horas que ficamos acordadas para amamentar, trocar fraldas, fazer eles dormirem, sem contar quando ele tem cólicas, que aí fica mais difícil, mas também não podemos nos esquecer do marido e de nós também, mas com o tempo vamos aprendendo a lidar com essa nova vida, até porque os filhos chegam para acrescentar as nossas vidas e não para diminuir, certo?!
Aqui mesmo com o Gui junto, quando estamos vendo filmes, desenho, ficamos abraçados, juntos e para ter um momento só nosso, aproveitamos a hora que ele está dormindo, às vezes no meio da noite ou quando acordamos mais cedo que ele, e de um tempo para cá ele tem passado o dia na casa da vó, dos padrinhos, ai também aproveitamos para ter um momento só nosso, sem correr o risco de ouvir um "mãe" no meio.
A única coisa que ainda não fizemos (mas por opção nossa) é sairmos a noite para um jantar, um cinema sozinhos, estamos esperando ele ficar maior.
 
Espaço das Mamães - Descrição:

Conheça o Blog Espaço das Mamães, onde você encontra um pouco mais sobre o nosso universo materno, com dicas de passeios, receitas, brincadeiras, jogos. 

Gisele Cirolini - Sou Mãe.Org 

Então, aqui em casa não temos muito "problemas" para conseguir namorar, além da canseira do dia a dia... A Isabela tem rotina e dorme no quarto dela desde que tinha 20 dias... e desde que passou a dormir a noite inteira, (com 4 meses) hoje ela está com 1 ano e 7 meses, sempre as 20:30 começa a rotina da hora de dormir, banho, leite, história e cama, e assim ela vai para a cama dela as 21h e temos o resto da noite para a gente, que pode ser namorar, ver filmes, jogar ou apenas ficar conversando, mas é o nosso momento de casal! 

SouMãe.Org - Descrição:

Meu blog é o SouMãe.org, com várias dicas de decoração de festas infantis, chá de bebê, organização e muitas dicas para facilitar a vida de mães e gestante! 


Raquel - Eu Dona de Casa

A dica que eu dou para namorar o marido se chama 'casa da vovó'! Só assim podemos ficar mais a vontade, sair para jantar a dois, curtir um cinema. Claro que nem sempre isso é possível e o jeitinho é esperar as meninas ferrarem no sono e mesmo assim namorar de orelha em pé e ficar esperto com qualquer barulho.  

Por que o Renato é o pai das minhas filhas? 
Simplesmente pq ele é e sempre será o amor da minha vida. O conheci pela internet há 11 anos atrás. Não foi amor à primeira vista. Nosso relacionamento nasceu de uma amizade sincera e foi construído assim... sem meias verdades, um aceitando o outro como realmente somos.
Eu Dona de Casa - Descrição:
O ‘Eu, dona de casa!(?)’ – EDC – está no ar desde 2010. Desde então, eu venho tratando de assuntos do meu cotidiano relacionados ao universo feminino: dicas para donas de casa, maternidade, atividades domésticas, culinária, cultura… tudo na visão de uma mulher comum igual a você.' 

Elaine - Mãe de Moleque

Olá pessoal me chamo Elaine e sou autora do blog Mãe de Moleque (www.maedemoleque.com ) hj vamos falar de truques para namorar o marido rsrs

Quando o moleque nasceu, optamos por ter cama compartilhada e foi a melhor coisa que fizemos...as noites foram tranquilas e voltamos as aventuras antigas de época de namoro. Nossa casa inteira virou ninho de amor rsrs. 

O moleque cresceu foi para o quarto dele e para nossa alegria dorme como uma pedra rsrs,  mas como amor não tem hora rsrs conversamos muito com ele.
Então sempre que a porta está fechada ele não pode interromper pois estamos namorando e queremos ficar sozinhos e não é que ele entende? 

Esse meu moleque é show, então não precisamos de malabarismo nenhum só vontade de estar juntos♡
E a gente curte muito, nas férias ainda vem o tio e leva o moleque pra casa dele, aí temos uma semana nossa... vamos jantar, cinema e namorar muito mais.
É isso, aqui o moleque teve um ciuminho básico qdo tinha um aninho, depois descobriu o qto é bom ver o pai e a mãe abraçados, se beijando e curtindo a vida a dois.
E se hj perguntarem pra ele se casamento e bom?
Ele vai responder meu pai e minha mãe gostam, então é bom ♡
Bj queridos, até mais.
 

quarta-feira, janeiro 14, 2015

COMEÇOU O PROJETO BOTINHO 2015


Se é de graça, beneficia as crianças e significa riqueza de experiências na vida delas, eu dou um jeito de inserir meus filhos.

No finalzinho de 2014, um amigo de infância de Engraçadão me chamou pela inbox do Facebook para comentar que as inscrições estariam abertas em apenas dois dias de Dezembro. O Projeto Botinho, conduzido pelos Bombeiros em parceria com a iniciativa privada ou entidade do governo, recebe todo ano cerca de 200 crianças da Capital e Estado do Rio de Janeiro, para durante um mês inteiro (Janeiro) passar noções de disciplina, primeiros socorros, comportamento no mar e noções de preservação ambiental.

Utilizando uma linguagem de quartel, entoando canções enquanto correm ou caminham, crianças à partir dos 7 anos aprendem a obedecer a voz de comando do sargento, formam fila, fazem flexões, entram no mar em grupo e aprendem pequenas noções de socorro por afogamento.

O projeto funciona de segunda à sexta em diversas praias cariocas e apesar de ter sido notícia em diversas mídias na semana de seu lançamento, a data da inscrição e a forma como isso é feito, é meio que guardado à boca miúda. Nós mesmos, se não tivéssemos esse amigo bombeiro, jamais saberíamos onde, quando e como. 

Portanto, queridos leitores, dar-vos-ei o caminho das pedras para o próximo ano! Anotem na agenda do celular, programem o despertador e voltem aqui em Dezembro do corrente ano para ler novamente e se preparar para as inscrições.

Como tudo hoje em dia, a inscrição é feita pelo site do Botinho. Os jornais também costumam informar da proximidade do projeto. Este ano, li no jornal O Dia, no dia exato do início. Daí que se você mamãe ou papai, não têm o costume de ler o jornal de papel, fique atento e busque especificamente pelo assunto, já que ler notícias do site faz com que a gente acabe dispersando e fugindo do foco! E não adianta entrar antes, porque a mensagem que fica é de que o site está fora do ar. Só abre mesmo nos dias de inscrição.

Outra dica, é se ater à data de inscrição e fazê-lo já nas primeiras horas, pois as praias mais concorridas acabam primeiro. Praias como Barra da Tijuca, Copacabana, Leblon, Ipanema são as mais visadas e as vagas preferenciais são para as crianças que já participaram em anos anteriores.

Feita a inscrição, preenchido o cadastro com os dados da criança, é enviado um email de confirmação a ser impresso junto com os dados cadastrais. O próximo passo é reunir a documentação e levar numa unidade dos Bombeiros para efetivar a inscrição e é nesse momento que muitos perdem a vaga, já que relaxam no prazo. É aí que surge a oportunidade dos azarões. Falta de documentos, ou levar a documentação fora do prazo, é motivo para perda da vaga. Fique alerta!

As aulas têm início às 8h em ponto, quando a turma de Golfinhos, Tubarões e Moby Dick forma e se divide entre meninos e meninas. As famílias acompanham tudo no entorno e aproveitam para tomar um banho de mar, que nessa época do ano, é programa obrigatório pro carioca; então é importante que seu filho tenha a companhia de um adulto que guarde seus pertences e leve lanche e líquidos para que se hidratem durante e após a aula. As meninas e os pequenos são liberados mais cedo, geralmente à partir das 10h e os maiores ficam até no máximo 10:30h ou 11h. Depois a água do mar fica repleta de crianças de todas as idades e tamanhos e cores de sunga. É até esquisito pra se banhar, porque elas descem na onda pegando jacaré todas ao mesmo tempo, ou com prancha de bodyboard e o haole ali é o adulto!

Esse ano, duas emissoras de TV acompanharam de perto a atividade dos Botinhos: SBT e Record estiveram na Praia da Barra de olho no que as crianças aprendiam. 
Tanto Pacotinho, quanto Sr. Cabeça de Bolinha ficaram animados com a possibilidade de aparecer na TV. Acabamos não acompanhando a matéria, já que acordar cedo todos os dias para ir ao projeto e sobreviver nesse calorão do Hell de Janeiro, turva nossas mentes e nos deixa com preguiça de viver. Os meninos são acometidos por uma inércia, se rendendo ao videogame, ou ao computador no período da tarde e à noite quando está mais fresquinho, perturbam a gente para os levar no Bowl do Maracanã ou mesmo no Parque de Madureira.

Mesmo com os preços surreais do verão carioca, vale ficar de olho nos programas gratuitos espalhados pela cidade e em projetos oferecidos pela Prefeitura. Dá pra ter uma infância rica e de graça, ainda que a divulgação dessas iniciativas seja "pobre".

quinta-feira, dezembro 18, 2014

HOJE, 18 DE DEZEMBRO É ANIVERSÁRIO DE BRAD PITT


Ontem por meio do facebook de uma querida amiga, vi uma reportagem muito de relance, onde aparecia Brad Pitt e os filhos. Dentre eles, um lourinho de olhos azuis, lindo demais, trajando terninho assim como os outros irmãos na pré-estreia do filme Invencíveis, estrelado pela mamãe, Angelina Jolie.

Até fiz um comentário safadeenho no post da amiga, dizendo que a Dona Miúda ia beijar mooooito o filho em questão, quando me detive na legenda da foto e perplexa, li que se tratava de Shiloh Jolie-Pitt e não de um menino. 

Hoje, papai Brad completa 51 anos e muito me deixa orgulhosa sua postura diante do figurino e da escolha da filha biológica. Sim, a verdade foi dita diante de todos. Shiloh não se reconhece menina e prefere ser chamada de John. Simples assim. 

Que outra atitude um pai amoroso teria diante da imprensa inteira? Vergonha da própria filha? Esconderia e tentaria forçá-la a pôr um vestidinho para parecer menina diante da sociedade? 
Não né? No amor não cabe isso. Apesar das pautas dando conta de que para ele foi difícil ver sua esposa jogando a preferência de sua filha em vestir roupas masculinas no ventilador, (sou capaz de entender ambos), o posicionamento de Angelina em entender e aceitar mais rápido, é típico das mães. Se fosse comigo, talvez fosse tão prática quanto.

E é admirável o quanto esse casal está sabendo colocar o amor, a sinceridade e a verdade na frente de tudo, não importando o que as más línguas hipócritas dirão. Elas não pagam as contas, elas não ajudam na criação de seus filhos e não limpam o bumbum das crianças entre uma refeição e outra. As más línguas só podem falar e destilar veneno, unicamente.

É um fenômeno e está acontecendo agora nas melhores famílias. Não se trata de pecado, não se trata de abuso sexual na infância, nem de perda da inocência. Tanto não se trata disso, que justamente por serem inocentes, as crianças têm a sinceridade de assumir suas identidades. É natural para eles como um tênis que está apertado no pé e não serve. 

Assim como aqui em casa minha galega aos dois anos chorava muito diante da minha recusa, pois queria pôr um vestido rodado de festa ao chegar da escola para ficar em casa, imagino Shiloh reclamando que não queria usar vestidos na mesma idade. E se repararmos bem as fotos nos sites de notícia, a última ocasião em que trajava vestidinhos, data da época em que ainda andava no colo dos pais. Logo que cresce, não mais. Só shortinhos e bermudas, além do cabelo curto.

O que dirão os conservadores hipócritas? Que partiu do casal vestir a menina como menino? Que se trata de marketing? Que a garota está sendo forçada? Que será a nova Thammy? E se for? Ok que Gretchen sempre foi chegada a atenções da mídia, no entanto sempre deixou claro seu amor incondicional e apoio a filha, demonstrando com isso que cabe aos pais amar e desejar a felicidade do filho somente. Já existe toda uma sociedade para avacalhar e tacar pedras. Esse papel não pertence a nós pais. Portanto o amor que a gente sente, está acima de qualquer orgulho ou egoísmo diante dessa realidade. Nossa ética inclusive nos impele a apoiá-los em casos assim e isso não é feio ou pecado. É exemplo a ser seguido.

Fiz questão de nesse post não incluir nota de especialista algum para embasar minha opinião, nem psicólogo, nem advogado, nem terapeuta holístico, nem espírita ou protestante, porque se trata da minha opinião e felicidade em compartilhá-la com meus leitores. Eu penso desse jeito e acho importante mostrar que influenciadores como Brad Pitt e Angelina Jolie estejam dando um belo chute no preconceito e na homofobia. 

Desde muito antes de termos filhos, Engraçadão e eu sempre concordamos em duas questões bastante polêmicas: o que faríamos em caso de uma gravidez inesperada ou se algum de nossos filhos fosse gay ou transsexual. Nos dois casos sempre fomos a favor da vida e do amor, independente de como viessem nossas crias.

Daí que no post de ontem, primeiro morri de vergonha, porque claro, meu fogo diante de um par de olhos azuis de cabelo louro me fez prometer minha filha para a criança em questão, que é linda. Depois de ler melhor o artigo, confesso que se Dona Miúda se encantasse por alguém do mesmo sexo, eu a apoiaria incondicionalmente desde que essa pessoa a amasse e respeitasse do mesmo jeito. E isso independe de gênero. 

Por tudo isso, canto parabéns de pé para Brad Pitt, cinquentão suspirado por balzacas e pós-balzacas; homem esse que mostra ser lindo não só por fora como por dentro, paizão maravilhoso e acredito, marido idem. O fato de Angelina Jolie tê-lo escolhido como homem para dividir uma vida, além de ele ter tido a coragem de trocar uma vida fútil e vazia para assumir uma mulher de fibra e personalidade, só faz aumentar minha admiração pelos dois. Eles realmente se merecem.

Brad, parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades e muitos, muitos anos de vida.

quarta-feira, dezembro 10, 2014

ENTREVISTANDO MANGUEIRINHA - MESTRE DE BATERIA DO PROJETO TIM


“Não dou mole pra criança nenhuma não!” – MANGUEIRINHA, DIRETOR DE BATERIA DA UNIDOS DE VILA ISABEL E IDEALIZADOR DO PROJETO BATERIA DE JOVENS SURDOS TIM
Filho do samba (o pai foi intérprete e compositor de escolas de samba e a mãe, integrante da ala feminina), tendo crescido em Vila Isabel, desde pequeno Carlos Henrique da Silva Vicente, o Mangueirinha deu os primeiros passos no mundo do samba através da bateria mirim da escola de samba Unidos de Vila Isabel.

Apesar de jurar que o voluntariado não foi aprendido em família, faz questão de enfatizar que aprende mais com os alunos do Projeto Bateria de Jovens Surdos patrocinado pela Tim, do que ensina. Carioca, morador do Morro dos Macacos, Vila Isabel no Rio de Janeiro, desde a mais tenra idade esteve em contato com o mundo do samba. Foi através de um projeto social que aos 6 anos aprendeu a tocar o primeiro instrumento. Hoje, se torna um multiplicador da experiência que viveu. Além de diretor de bateria pela escola de samba Unidos de Vila Isabel, está envolvido em diversos grupos de percussão dentro e fora do samba. 

E não para por aí, ensina o ofício a crianças carentes com e sem deficiência pelo Rio, inclusive no Centro Municipal de Referência da Música Carioca. 

Nessa entrevista, Mangueirinha fala da sua infância, de seus influenciadores e mestres e garante: “Sou um cara muito rígido com meus alunos!”

Flavia Moura – Como foi a relação com o samba na sua família?

Mangueirinha – Meu pai nasceu na Mangueira. Quem era ligado a Mangueira era meu avô, que saía numa ala tradicional da escola de samba. Quando meu pai foi morar em Vila Isabel... Pô, é estranho... Meu pai quando foi morar lá (em Vila Isabel), ele disputava samba enredo na Vila, mas foi integrar o Salgueiro. Ele foi diretor de harmonia no Salgueiro e tinha uma ala também! Na Vila, ele tinha uma participação no canto. As pessoas o chamavam porque interpretava muito samba dos outros e compunha também, porque tinha uma boa voz e o pessoal sempre o convidava, não só na Vila, como em outras escolas. Aí logo depois, quando eu cresci e comecei a desfilar na bateria mirim, ele veio pra Vila pra eu não ir sozinho. Aí, ele e minha mãe montaram uma ala na Vila e passaram a diretores de harmonia na Vila. Ele como diretor de harmonia e ela no departamento feminino.

FM – E essa parte de se dedicar a projetos? Foi aprendido na família ou você foi pioneiro no tocante ao voluntariado?

Mangueirinha – Ah, o meu pai era muito festeiro. Tinha grupo de mulatas, era mestre de cerimônias de blocos, apresentava os blocos, convidando os outros... mas essa veia de projeto, veio da bateria mirim que eu comecei. 

FM – E os demais projetos, as pessoas iam te chamando ou foram acontecendo? 

Mangueirinha – Então, eu ingressei nessa bateria mirim, aí só tinha uma bateria. Aí em 1988, essa bateria deu vida a uma escola de samba mirim. Eu era ritmista dessa escola de samba mirim e fui fundador dessa escola de samba mirim, né? Daqui a pouco eu passei a ser mestre dessa bateria e escola de samba mirim. Aí foi começando, eu fui pegando experiência com isso e as portas se abrindo pra mim. Aí comecei a dar aula ali, comecei a dar aula aqui... foi assim.

FM – E você sente frio na barriga quando vai liderar uma nova turma? Tem esse lance de ficar nervoso como no dia de estreia?

Mangueirinha – Tem, tem. Porque se você não ficar nervoso e não sentir o frio na barriga, a coisa não tá normal. Tudo o que é novo, você tem certa dificuldade né? Aí sempre tem esse lance de ficar nervoso, a boca seca... é a adrenalina né? Enquanto isso acontecer é porque você tá funcionando! No dia que isso parar de acontecer, você não tá funcionando mais. 

FM – A gente sabe que adolescente tem aquela fase tinhosa e aqui (no Centro de Referência da Música Carioca onde acontecem as aulas do projeto) a gente vê que tem as crianças menores e os adolescentes. Eles te dão algum tipo de trabalho ou seu carisma encanta até eles?

Mangueirinha – Olha, graças a Deus eu tive uma educação muito boa, tanto pelos meus pais, quanto meus avós. Fui criado pelos meus avós, porque meus pais tinham que trabalhar, mas eu tive uma professora particular antes de ser alfabetizado, porque eu morei no pé do Morro dos Macacos e tinha uma senhora chamada Dona Belinha, que todo mundo passava por ela, antes de ser alfabetizado. E ela era uma pessoa muito rígida, então fez parte da minha educação. E o outro mestre de bateria, o mestre Trambique, também era muito rígido. Então eu me vejo neles. Essa rigidez toda que eu tenho com as crianças, eu me vejo neles, mas eram pessoas também muito carinhosas. 

Essa dona Belinha, caraca, era uma senhorinha... Nossa Senhora! O morro todo dos Macacos e Pau da Bandeira passaram por ela. Num quadro negro só, ela dava aula do Jardim à 8ª série. Só num único quadro. Eu nunca vi isso. Hoje você tem amplas formas de educar e na minha época, era uma cartilha do ABC e ela muito rígida e ao mesmo tempo carinhosa. Eu trato as crianças assim. Eu sou rígido, falo a verdade pra eles, eu não conto mentira, porque também nunca me contaram mentira... eu os trato assim. Não dou mole pra criança nenhuma não! Aquele que tá titubeando um pouquinho, saindo da linha um pouquinho, eu vou pra cima dele firme e falo a verdade.

FM – Como foi que você aprendeu a ensinar de maneira diferenciada as crianças com deficiências diversas (visual, auditiva) e até as mais graves, como algumas crianças com deficiência mental que frequentam esse espaço? E você coordenando isso com maestria. Você aprendeu ou foi instintivo?

Mangueirinha – Olha de fato eu nunca trabalhei anteriormente com crianças com deficiência. Eu tive vontade de fazer esse projeto para crianças surdas, falei com meu coordenador, que me apoiou; fomos pra um colégio trabalhar. A primeira semana muito complicada, porque eu não sabia libras; a segunda semana continuou complicada e a terceira também. Eu fiquei um pouquinho desesperado porque tava entrando num mundo novo. Foi quando a diretora do colégio falou pra eu manter a calma, que quando menos esperasse ia ter uma resposta. Quando eu menos esperei tive a resposta de um, aí veio outro e foi dando uma resposta. Aprendi mais com eles, do que eles aprendem comigo e continuo aprendendo com eles. 
Cada criança com uma deficiência diferente que hoje chega, eu aprendo. Eu deixo eles. Cada criança tem seu tempo e você tem que respeitar isso, então eu deixo eles livres, bem a vontade e vou aprendendo e vou tirando deles o que eles têm de melhor. Eu não forço nada, eu os deixo à vontade. O projeto é de integração, né? Então eles têm que se sentir bem. Eles se sentindo bem, eu aprendo com eles e eles aprendem um pouquinho comigo. É uma troca.

FM - Você já tem algum projeto pra 2015, depois que passar o carnaval?

Mangueirinha – Não. Projeto é continuar aqui, no projeto da TIM porque eu acho que é importante pra caramba. Sem a ajuda deles como parceiros eu não conseguiria. Porque as crianças com deficiência necessitam, os pais... e eu tenho que dar um conforto a eles. Porque não tem como você dar aula ou fazer qualquer coisa pruma criança sem dar o mínimo de conforto. Eles têm que ter um lanche, eles têm que ser bem tratados, os instrumentos tem que ser de qualidade, porque não basta só a sua boa vontade, mas você tem que ter parceiros que possam te ajudar e você possa caminhar. Porque sozinho você também não é nada!

Serviço: O projeto da Bateria de Jovens Surdos TIM está em recesso em função das férias escolares. Trata-se de um projeto gratuito de integração, que voltará suas atividades no dia 16/01/2015. Para inscrever-se basta entrar em contato pelo telefone (21) 3238-3831.
O Centro Municipal de Referência da Música Carioca Arthur da Távola fica situado à R. Conde de Bonfim, 824 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 20530-002

Linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...