Ontem pela manhã fuçando o Facebook de uma amiga, ela desabafava que sua filha não a deixava mais conversar com o marido. Uma enxurrada de comentários corroborava com os queixumes da minha amiga. Gente criativa até citando Chaves e a célebre frase do Kiko, VOCÊ ME DEIXA LOOOOOUUUUCOOOO! Então eu não podia perder tempo. Tinha que dividir aqui com vocês essa fase angustiante que nós pais passamos, que é essa da interrupção.
Como mãe de três filhos já passei por isso várias vezes e ainda passo. Bebendo da fonte, eu mesma fiz minha mãe passar por certas vergonhas, quando não só a interrompia, como a corrigia quando era testemunha dos acontecimentos. Queria que ela contasse os fatos sem florear a versão. Tinha que ser exatamente igual, palavra por palavra, sem errar, realiza?! Quando isso acontecia, minha mãe me crivava seu olhar de demônia e eu serelepe, nem me abalava. Na verdade, me sentia a mais inteligente das pessoas. É certo que sempre tive talento pra cara de pau. Isso já estava latente desde a mais tenra infância.
Dando um salto quântico agora, Pacotinho teve essa fase e dos três, nem sei dizer se foi o mais chato. Ele é um fofo nato e eu ponho a culpa no amor imenso e novo que a gente sentia. Éramos aquela espécie de pais babacas que se viam refém do excesso de gostosura do pequeno. Isso é um saco. Outro dia fui à casa de uma amiga que tem filho pequeno e o papo era interrompido a cada dois minutos, porque a mãe derretida, dava atenção a cada mãããe, que o menino falava. Porra! Tipo, a conversa não foi adiante né? A criança interrompeu o tempo inteiro e ela lá de quatro, nem se dava conta que está criando um mini-monstro. Essa atitude é meio típica de pais de primeira viagem. Sem querer julgar, também fomos assim e foi quando o caldo começou a entornar, ou seja, quando recebemos um feedback sutil de um ser mais sábio, que já havia criado 4 filhos, mas daqueles que nenhum pai gostaria de ouvir, tratamos de pôr ordem na casa. Foi nesse dia que Pacotinho deixou de ser o rei absoluto, foi devidamente enquadrado e com papai e mamãe falando exatamente a mesma língua, ele tomou jeito. COERÊNCIA SEMPRE!
Nada melhor e mais suculento que um irmão mais novo para ajudar a educar o mais velho. Essa receita é tiro e queda. Desfoca o ego, põe o sujeito em seu devido lugar. E aí, mermão, se faltava algo para seu filho se enquadrar, a chegada do caçula termina por fazer a mágica.
O Sr. Cabeça de Bolinha se sentiu muito confortável com o título de caçula. Perspicaz desde sempre, quase um mini-ditador, seu esporte favorito era dar esporro no irmão mais velho, ainda com dois anos. Vocês não acreditariam nas coisas que ele falava. Como perfeccionista louco de guerra, teve seus momentos de interromper conversas, telefonemas e conferências, só que a gente não era mais bobo e não cedeu à sua sedução. Ele quando percebeu que era feio esse tipo de conduta, tratou de segurar a onda e eu realmente não lembro de ter tido problemas com isso. Lembro sim, de ele e o irmão disputando pra contar seus respectivos dias na escola, mas não mais as interrupções. Então Deus mandou a Dona Miúda nas nossas vidas para que o Sr. Cabeça de Bolinha não se tornasse um egocêntrico sem educação. Ele certamente dominaria o mundo, já que é um líder nato e possuidor de uma inteligência diferenciada. Agora já tenho algumas dúvidas sobre isso.
Dona Miúda está bem no meio dessa fase chata que é interromper pais e telefones, ou conversas cazamigue. E acredite, da pior forma possível. Tá chato, tá cansativo, tá escroto. Mas fazer o quê numa situação dessas? Educar, não ceder, repetir incansavelmente até do túmulo, não se esqueçam.
A Miúda faz pior que os irmãos. Ela berra. Bem assim:
DONA MIÚDA INTERROMPENDO - Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai! Pai!
Aposto que vocês dariam um tiro de doze na testa, não é? Não, não dá. Muito embora eu imagine essa cena algumas vezes. Nunca com sangue, claro. Afinal é minha amada filha e linda. Mas dá um revertério no cérebro e a gente pira. E não importa se o assunto é importante ou trivial. Ela começa com isso e só para quando a gente já está possuído.
Os psicólogos advertem que essa é a pior maneira de fazê-los entender que tal atitude é errada. Há que se respeitar o desenvolvimento cognitivo da criança e a melhor maneira, é não constrangê-la na frente de estranhos e fazer o possível para não se alterar. O jeito mais eficaz ainda é a conversa e a repetição. Chamar de canto e explicar que não é legal, que você está conversando e que logo dará atenção quando acabar sua fala, explicar que todos têm sua vez de falar é o caminho. Esse imediatismo que a gente por vezes acaba cedendo, corrobora para que a criança aprenda a não esperar. Com isso, a gente incentiva a ansiedade, algo tão presente hoje em dia.
Com a Dona Miúda, a gente deu uma emburrecida mesmo. Às vezes eu tenho medo de estar criando um monstro, já que ela tem plena consciência aos 4 anos, de sua inteligência e beleza. Então, quando ela está em grupo, seja de adultos ou crianças, muda a personalidade e veste a chata, mimada, amostrada, o que me deixa apreensiva. Acende meu alerta.
Eu e Engraçadão partimos pra conversa. Aconteceu há dois dias atrás. Sempre quando o pai chega em casa, rola aquela histeria coletiva nas crianças. Os meninos até seguram a onda, mas a Miúda quer todas as atenções. Então papai virou-se para ela e pediu calmamente que esperasse sua vez de falar. Pediu que parasse de berrar do jeito que ela chama, irritantemente, ao que ela foi baixando o tom de voz e obedecendo. Outra tática que passei a usar, é avisar quando vou falar ao telefone que não quero ser interrompida e eles já obedecem, inclusive ela, ao ponto de uns falarem pros outros "Sshh! Mamãe tá no telefone!"
Então é isso amigos. Se está acontecendo com você, não se desespere. Reúna forças, converse, eduque sempre, converse, explique... vale até um castiguinho se a coisa ficar mais crítica. E lembrem-se, os reis e rainhas da casa são vocês. Eles são apenas os pequenos príncipes.












