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segunda-feira, setembro 10, 2012

A IMPORTÂNCIA DE SE TER UM BLOG

 
Estava euzinha lá, sentada na frente em sala de aula, com meus zócolos hypster (é o que dizem) prestando atenção em tudo, quando a fessora nos apresentava o blog que ela em parceria com outra fessora da área de comunicação estavam criando.
 
Daí ela diz assim:
"Temos até uma blogueira em sala de aula."
E aponta pra euzinha ali esprimida na frente.
 
Então eu fiquei matutando acerca desse ser blogueira e me bateu uma vergonha atroz que me fez encolher na cadeira mais assim dentro de mim mesma, do que externamente, porque ninguém percebeu.
Eu já fui muito mais blogueira do que hoje em dia. Do tempo em que ter blog, era criar um mundo todo especial pra si mesmo, pra uma multidão, ou pra ninguém. Você podia contar a verdade, você podia mentir, ninguém questionava se era ou não, porque virtual está longe! As pessoas acompanhavam, davam pitaco, deixavam comentários em cima de algo que bem poderia ser verdade ou mentira. A gente até tinha o privilégio de se esconder atrás de um pseudônimo. Coisa q eu ainda faço com muito amor, já que estou prestando uma homenagem ao Anjo Pornográfico - Nelson Rodrigues. Hoje as coisas mudaram. Agora, usa-se nomes de verdade. Cruzes! Pé de pato, mangalô três vezes!
 
A vantagem pura e simples de se ter um blog a 8, 10 anos atrás, era cuspir nossas ideias, sermos apenas amados ou odiados, ou ainda as duas coisas. Tem gente que ainda consegue esse prodígio mesmo em tempos modernos como esses.
 
Então chegaram os caça-talentos, o Google Adsense, os publiciteiros de plantão de olho num anônimo com muito a dizer e como tudo na vida, blog virou PRO. Gente anônima ganhando dinheiro que nem gente grande e vivendo de blog. Fifty-fifty.
O meio jornalístico também descobriu que haviam muitos talentos na massa blogueira, os amantes da escrivinhação pura e simples começaram a visar lucro e perderam sua essência.
Segmentaram-se.
 
Minha irmã mesmo vivia dizendo que eu deveria ter um tema. Que meu blog estava fora do perfil para me colocar em certos freelas, porque né? Euzinha tenho uma casa que não é segmentada, não tinha teto, não tinha nada...
Só escrever bem não basta, assim como não basta saber só juntar lé com cré, coisa que eu faço bem desde sempre. Tem que ter mais, tem que SER mais. E eu não sou nada. Eu nem ao menos sei se pretendo...
 
Daí que me senti muy envergonhada quando a fessora falou em blogueira em sala de aula. Não sou PRO, muito menos sou segmentada. Posso mesmo chamar esse diarinho sem-vergonha de Blog?
Sei que aqui eu falo de música, de filme, de filhos, de relacionamentos, de festas e acontecimentos, com um único senão, todos voltados pra minha vida, como se eu fosse ALGUÉM. Aliás, os blogs de raiz tinham esse poder, de fazer a gente se sentir alguém. Só que com tanta modernidade, descobri que eu sou ninguém praticamente, se levarmos em consideração que o blogueiro de raiz morreu.
E o maior problema, é que eu só sei fazer assim. Tenho um olhar sarcástico e bem humorado sobre as coisas. Até na hora de falar de aula, eu boto uma pitada de sacanagem, sem querer ofender ninguém claro.
Chamo professora de fessora, adoro ressaltar os bafos que rolaram, dou ênfase na escrotidão humana, eu sou assim e foi pra isso que criei o blog. Mas posso continuar a chamá-lo de blog mesmo?
Só porque tenho 8 anos initerruptos de escrivinhação, tenho ainda esse direito?
 
Pois é, são mais perguntas do que respostas. De toda forma, acho legal a faculdade estar provocando isso em mim. Essa reflexão acerca do universo ao meu redor. Ela está sacodindo meus alicerces pra valer.
Eu só espero que a fênix ressurja das cinzas e vença no final.

5 comentários:

Morena disse...

Diga-se de passagem q vc já venceu!

Pois é blog está tão diferente, tão cheio de anúncio p ganharmos uns trocados idiotas! rsrs

Mas sim somos blogueiras e assim mesmo de n ter linha e falar de tudo e qualquer coisa!!!

Beijos saltitantes, já com saudades
Boa semana

Lulu disse...

Somos blogueiras com orgulho. Não tenha vergonha. Cada um tem seu espaço, sua forma de pensar e escrever. Cansa ver tantos blogs de maquiagem e moda que parecem cópia um dos outros.
Big Beijos

Tutti disse...

Tenho um blog, mas não sei se sou blogueira. Gosto de tê-lo pra escrever meus contos, minhas poesias, coisas de outras pessoas, mas que de alguma maneira me tocam. Não uso meu blog como um diário. Mas meus sentimentos e vivências estão lá pra quem souber ler nas entrelinhas. Tenho preguiça de mudar a cara dele, que é a mesma desde a sua criação e gosto do jeito que está. Não me interesso em colocar outras coisas em volta do meu espaço de escrever, por que só ele me interessa. Não me interesso em ganhar dinheiro com ele, nem em saber quantas pessoas estão on-line, se me seguem, etc, Gosto de ter aquele canto e se alguém entrar e ler, ótimo! Se ninguém entrar, tudo bem também! Acho que não tenho um blog (rsrs) Mas afinal o que é um blog??
bjss

Anônimo disse...

Pois sabe que para mim tanto faz? Desde o meu primeiro blog, em 2003, nunca soube direito o que queria, para onde ia, para o que servia - servia? A mim, sim. Com blog eu fiz alguns conhecidos, com blog ganhei uma namorada (que lia a Engraçadinha e Engraçadinha me lia, então foram três anos bem lindos da minha vida - vc lembra disso?), com blog tive dor de cabeça, e perdi uma amiga de seis anos... Ainda tô lá, ainda tô aqui. E olha, o quanto eu amogostoadmiro seus escritos, só eu sei.

Bêj!

Eu (que já fui Mrs. Dalloway, Lis, nada e tantas outras, e hoje sou apenas eu mesma - e dá trabalho pra cacete!)

Anônimo disse...

Querida, o que é um blog? Tem o do Ricardo Noblat, daquele japonês de São Paulo. Tem um monte por aí, mas poucos têm conteúdo. Minto, poucos têm a alma do blogueiro. O seu felizmente tem. Eu estou amando a sua fase de crises (será?. Continue assim, se questionando. Vai dar muito certo.
Beijocas
Yvonne

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