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terça-feira, setembro 11, 2012

VIDA EM SOCIEDADE E O PREÇO QUE SE PAGA

 
Estou terminando um exercício que sugere que do ponto de vista socioantropológico, meninos têm uma tendência natural para jogar bola desde pequenos e meninas para pular corda, ou conversar desde cedo. O que claro, é uma inverdade. Tanto meninos quanto meninas, estão aptos para bater uma bolinha e por que não (?), juntos.
 
No entanto, o padrão de nossa sociedade é masculinizar o menino desde cedo oferecendo a bola, como forma de tentar garantir sua sexualidade padrão. E à menina, dá-se uma boneca, brinquedos de casinha, etc.
Balela.
Estou eu aqui com Dona Miúda vivendo entre dois meninos, amando batons, adorando saias e vestidos e brigando pelos carrinhos dos irmãos ao mesmo tempo, disputando as bolas deles, etc. Aqui em casa, as definições de gênero até o momento, estão bem marcadas sem imposição alguma. Eles estão seguindo o caminho que se identificam, idependente de bonecos, bonecas, bolas ou vestidos.

Mas essa linha não representa o padrão vivido em sociedade.

Geralmente, os adultos morrem de medo de que seu filho ou filha escolha o caminho do meio. O diferente. Seja por preconceito, seja por amar demais e temer o pior pra seu filho, que se traduziria em sofrimento; pai ou mãe nenhuma sonha que seu filho seja gay.
Eu mesma, debaixo do meu discurso liberal e odiando hipocrisia/ discriminação, não sonho em ter filho gay. Minha orientação sexual é hetero. Ponto. No entanto, minha consciência entende que o amor que sinto por eles é muito maior que as escolhas que eu poderia fazer no lugar deles.
 
Eu escolhi transar antes do casamento. Eu escolhi não casar. Eu escolhi ter filho aos 35, mas eles vieram bem antes. Eu escolhi a minha vida e entendo que amar é deixá-los escolher o que quer que sejam, mesmo que essas escolhas não compartilhem da minha opinião.
 
Temo como toda mãe. Engraçadão teme também como pai zeloso que é. O temor faz parte da maternidade/ paternidade. A gente teme porque ama e porque quer a felicidade deles. E para viver em sociedade sem surtar, vc meio que tem q andar junto com a boiada. Mesmo afirmando que eu seja meio autista desde sempre, ter um filho excluído por uma escolha que tenha feito, é algo sim assustador para qualquer pai. Só que em pleno século XXI, é impensável na minha concepção termos conceitos arcaicos que não reconheçam o homem/ mulher como cerumano, indivíduo que é, independente de raça, cor, gênero, cultura, sabor.
 
É simples.
Basta fechar os olhos, amar o próximo e pagar o preço.
Simples.

8 comentários:

Anônimo disse...

Simplesmente lindo o seu post. Disse tudo. Beijos
Yvonne

Paola Porto Machado disse...

Essa semana esses foram os pensamentos q passaram pela minha cabeça... Meu filho quer um aniversário da Dora Aventureira...vc deve conhecer... mas TUDO é cor de rosa... isso é um problema?!?!? Pra mim e pro meu pequeno NÃO!!!! Ele ainda não faz ideia dessa separação q fizeram nas cores... e se eu resolvesse mesmo assim fazer cor de rosa... imagina a cara dos convidados chegando na festa de um menino de 3 anos com td cor de rosa!!! Revoltada com essa separação.. com a masculinização excessiva .. e se no ano q vem ele quisesse da cinderela...!:?!?! Inadequado?? NÃO!!!! Temos princesas e príncipes em todas as historias... mas a sociedade não te dá nem opções de escolher.... Cabe a nós tentar crias esses miúdos de uma forma mais justa e diversificada... livre desses padrões furados de uma sociedade q não atura o diferente.... UFFA...desabafei...rsrsr

Engraçadinha disse...

Paola,

Longe de mim querer dizer o q vc deve ou não fazer na festa do seu filho. Eu assim como vc me veria entre a cruz e a caldeirinha.
Se meu filho quisesse muito esse tema, eu o faria, mas como mãe inserida na sociedade que sou, alternaria as cores.
Mesmo que a toalha de mesa do bolo fosse rosa, compraria outros enfeites coloridos, porque a Dora não anda sozinha. Ela anda com mais dois bichinhos se não me engano, portanto eu focaria neles também.
Eu sempre fui assim. Sempre paguei o preço pelas minhas escolhas e tendo esse esclarecimento, por amor a eles, faria o tema q quisessem tentando ao mesmo tempo diminuir o impacto na sociedade. Mesmo q isso significasse ir no Saara, comprar e montar coisas por conta própria.

Bjim e adorei ter seu comentário super oportuno por aqui!

Renato Siqueira disse...

Show de bola o comentário da Paola. Acho que é bem por aí mesmo. Eu tenho uma menina linda (na verdade, ela é um troll disfarçado, mas fazemos de conta que não sabemos) e se ela me pedir uma festa do Ben10 ou do Max Steel, ela terá uma festa do Ben10 ou do Max Steel. Qual é o problema? Menina não pode gostar de heróis? Nossa sociedade, politicamente correta, está criando uma geração de crianças aleijadas emocional e psicologicamente. E cabe a nós mesmos lutar contra estas regras loucas e dar aos nossos pequenos uma educação plena, integral e multidisciplinar. Além de uns cascudos de vez em quando, né? Rsrsrs.

Tutti disse...

Sosseguem! As crianças índigo e cristal estão chegando pra acabar com toda essa divisão! São eles que vão nos ensinar a sermos mais livres!

Lulu disse...

Os pais devem amar e aceitar o filho como ele é. Cada um escolhe seu caminho e independente de ser hetero ou não, os pais querem que o filho seja feliz não é mesmo?
Big Beijos

Jôka P. disse...

Não sonho em ter um filho hétero, e sim um menino gay, como eu. Acho que teria dificuldade para aceitar um filho héterossexual, mas tentaria fazê-lo.

Danilo B. disse...

A Tuti falou bonito: nossos filhos vão acabar com essa divisão. Pelo menos é como eu imagino o mundo daqui há 30 anos. O preconceito contra gays causará tanta indignação no futuro quanto causa hoje em relação a atos racistas públicos. Eu tenho fé.

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