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segunda-feira, agosto 25, 2014

A ESCOLA PÚBLICA - VILÃ OU HEROÍNA?


Como já contei outro dia, faço parte de um grupo de mães no facebook, onde é possível trocar algumas ideias, conhecer mães blogueiras e participar de discussões sadias acerca da maternidade - dores e delícias Ltda.

Lá, eu pude conhecer uma mãe que criou o filho em escola pública, a Débora Domingues e pôde trocá-lo recentemente para a particular, o que em situações normais de temperatura e pressão, seria aplaudida de pé pela comunidade. 

Infelizmente, não foi essa Coca-Cola toda. Como se trata de uma mãe atuante, pôde perceber diferenças gritantes entre uma e outra, e cogita fazer justamente o caminho inverso. Retirar seu filho da particular e colocá-lo de volta na Pública. Seria simples, não fosse a pressão da família, das outras mães da escola particular e da sociedade em geral.

Não é de hoje, existem escolas e escolas e profissionais bons e ruins trabalhando em ambas.
O exemplo dos meus dois meninos está aí pra provar essa máxima.

Sr. Cabeça de Bolinha foi parar numa escola muito bem recomendada. Daquelas públicas que quando há greve de professores, eles não param. É uma escola imensa, com atividades bem compatíveis a idade dele (7 anos) e na medida do possível, mas é fraca em termos de atividades extra-curriculares. Os dirigentes da escola é que são bastante rígidos em relação às próprias normas. Por exemplo, não toleram atraso de forma alguma, tanto na entrada, quanto na saída. O Sr. Cabeça de Bolinha apesar de adorado, um dia ficou do lado de fora por eu ter escolhido um caminha infeliz e engarrafado. Felizmente, eu podia ficar com ele, mas imagina se eu trabalhasse? Teria de faltar o trabalho?
Então essa falta de negociação, me faz pensar que estão ali mais por obrigação cumprindo horários rígidos, que por amor à profissão. Inclusive, essa fama já é conhecida até em outras escolas da região.
Se ano que vem tiver oportunidade na escola de Pacotinho, pedirei transferência sem piscar. Quanto ao ensino, eu realmente não tenho do que reclamar.

A escola de Pacotinho é um achado. Ela visa a meritocracia e está acima da média do IDEB, já tendo sido matéria em jornais de bairros, pelo sucesso dos alunos.
Esse ano, Pacotinho ganhou uma bolsa de Inglês de 3 anos do IBEU, onde duas vezes por semana, chega mais cedo para estudar. Semana passada mesmo, premiaram os melhores 15 alunos da escola, com um curso na SOS Computadores e novamente Pacotinho foi contemplado. 
Eventualmente fazem passeios e fazem parcerias com ONGs que fornecem bolsas de estudo em universidades e colégios de expressão no Rio, cujo critério é a participação do aluno, notas altas e bom comportamento, fator que também reprova.

Portanto, a melhor coisa que eu fiz, apesar de todo o sofrimento, foi colocá-los para viver essa experiência na escola pública. Mas só isso não basta. A gente dá um duro danado aqui em casa com eles, fazendo apostilas para que estudem todos os dias e não deixem a peteca cair. Pois às vezes eles se acomodam. 

É muito comum ver pais e mães colocando os filhos na escola, relegando o fator educação a terceiros. Eu era assim também. Quando trabalhava, todos três ficavam no integral e era muito cômodo nem ter que mandá-los estudar. A fase de adaptação aconteceu quando parei de trabalhar e agora, com o pezinho na adolescência, está bem difícil. Ele tem muita preguiça de estudar, então é um trabalho diário de não desistir dele. Não deixá-lo esmorecer, desmotivar  (O Sr. Cabeça de Bolinha nasceu responsável e perfeccionista, então não precisa ser mandado). Afinal, ter responsabilidade com os nossos filhos, é prova do nosso amor e amor plantado é felicidade colhida.

7 comentários:

Cascatino disse...

Muito bom que vc cumpra o seu papel de mãe, guapa, porque, o que eu mais vejo "estando do lado de cá" são pais e responsáveis achando que a escola é que precisa fazer tudo...

Agora, falando também como quem está do lado de cá (particular e pública) posso te dizer que as coisas que vc mais admira nas escolas são as que os professores das escolas públicas lutam para que não seja como é - quando se colocam ONGs e afins para se fazer o papel do Estado e se trabalha em cima da meritocracia, uma parcela imensa das crianças fica de fora desse sistema.

O legal seria que todos conseguissem isso ... Pelo o ESTADO. Porque, vai por mim, tem alguém ganhando muito dinheiro com essas "bolsas" do IBEU e afins... E é a gente que tá pagando por isso...

Anônimo disse...

Ser mãe, pai, responsável, não é brincar de boneca, não é só alegria. Participar é a palavra que falta no convívio com os pequenos. Tem que se engajar e acompanhar tudo, não é só largar na escola e achar que o professor deve cuidar de tudo, criança tem que vir educada de casa e na escola deve respeitar o professor os amigos e o ambiente...onde foi que erramos? onde foi que deixamos as coisas irem pelo avesso? Sinto pela educação no Brasil, fico feliz que existem mães, pais, responsáveis, professores e escolas que acreditam no futuro.
Felizmente coloquei meus problemas no grupo e recebi outra visão da minha decisão, descobri que não estou sozinha e que a escolha vai depender de inúmeros fatores. Deveríamos brigar por uma educação mais justa. Meu filho em escola particular não é sinal de que eu não deva me intrometer na educação das escolas publicas, ao contrario, sonho no dia que as crianças tenham os mesmos direitos.
Não gostei da escola particular onde meu filho esta e não acho que pagar mais em outra escola seja a solução.
Bjão. - Débora Domingues - Do grupo Mães e Pais com Filhos - @debydd - facebook/deboradenise

Cris Philene disse...

Amiga, adorei sua colocação, aqui quando estava a por o Joseph na creche,(pq infelizmente não posso deixar de trabalhar...) me espantei com o preço que se cobras nas particulares... e sim arrisquei e coloquei o Joseph em creche pública, confesso que morri de medo, insegurança e etc... mas não tenho o que reclamar Joseph está lá desde o ano passado, aprende e se desenvolve a cada dia.
Eu e o papai somos presentes e participativos em tudo o que se refere a creche, os professores são ótimos, sempre estamos nesse diálogo porque o nosso pequeno é preguiçoso pra falar... e o que percebemos é q a diferença são quem está na escola e o que quer dela, vejo diretores, juntamente com professores buscando cada dia o melhor para todos os alunos.
Fui muito criticada ao colocá-lo na creche pública, talvez por preconceito, e falta de sonhecimentos de outros que preferem julgam ao invés de ir atrás e conferir o que é de fato.
bjs

Flavia Moura disse...

Meninas, eu vou correr atrás da informação acerca do curso de Inglês. Eu posso ter errado, porque fui informada de que a meta do governo é que as crianças falem Inglês até 2016. Portanto, foram oferecidas 40 vagas em todS as turmas e depois rolou um sorteio e nessa Pacotinho entrou por uma desistência, nem foi sorteado de prima.
Chris, o que existe do lado de cá, são pais preguiçosos, pois se forem na escola e cobrarem seus direitos, custo a crer que a criança sairá perdendo e sua atitude em relação à creche é digna de aplausos.
Enxaqueca, minha prima é professora de escola pública a vida toda. Ela é contemporânea da minha mãe, leciona em Bangu e me contou que tudo é oferecido, inclusive intercâmbio internacional e são poucos os alunos que se esforçam para ir, portanto a meritocracia é uma saída para os que querem mais da vida.
Isso é papo pra outro post.

Cascatino RJ disse...

Amiga, essa do IBEU se metendo é pra gente ganhar dinheiro, vai por mim... rsrs... Ainda mais que 40 bolsas não resolvem o problema de todas as crianças do município falando fluentemente inglês até 2016, né?

Tem muita gente empenhada para que as coisas realmente melhorem... Mas tem muita gente também querendo se dar (muito) bem... O que é triste e acaba nos desiludindo um pouco.... :-/ ... Que ele aproveite a bolsa! :-)

Anônimo disse...

Flavia, você é uma mãe muito especial, ou melhor, não tem nada de especial, você é o que toda mãe deveria ser. Meus parabéns por ser antenada com os seus filhos. Você ainda está apresentando o programa?
Beijocas
Yvonne

Amanda Schuler disse...

Primeiro que amei a ideia do grupo de mães no Facebook. Acho demais a possibilidade de interação que a tecnologia nos trás. Depois, quero dizer que tive a oportunidade de estudar em escola pública e comprovar o como ela nos faz crescer como pessoa! Já disse que adoro suas histórias, né? Me inspiram, hehehe
Beijocas

rendasepaetes.com

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