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quarta-feira, agosto 13, 2014

FESTA DE 15 ANOS - Por Yvonne Dimanche


Virtualmente, conheço Yvonne Dimanche há uns 10 anos, ou pouco menos que isso. Se for menos, é só um tiquinho menos. Essa carioca teve um blog muito bacana, onde partilhava histórias gostosas de um Rio que eu não conheci, além de histórias de sua infância, sua criação e dos costumes da década de 1960, época essa, que sempre tive curiosidade e muito respeito, já que os movimentos estudantis, o enfrentamento de uma parte da sociedade ao Regime Militar Brasileiro, bem como a postura dos jovens, era de encher de orgulho. 

Então, através de seu olhar, eu podia viajar no tempo, como se estivéssemos frente a frente, batendo um bom papo. E Yvonne fazia um puta sucesso como blogueira. Era papo de mais de uns 50 comentários por post. Quando estava fraco, dava uns 20. 

Outros tempos? Pode ser que sim. Só que eu tive a sorte de conhecê-la em Guarapari, sua nova cidade, em frente à Praia das Virtudes, com direito a muito papo, crianças, mar calmo e quentinho, abraços, fotos e muuuuita cerveja. Nem conto pra vocês como eu saí de lá e isso é irrelevante agora. 

Fato, é que eu tenho a felicidade de recebê-la nesse post e dividir um pouco dessa amiga com vocês, meus queridos leitores. 

Com vocês, Yvonne Dimanche, salve, salve!


Minha filha nasceu em 1985, então no ano de 2000 tivemos uma proliferação de festas de 15 anos das amiguinhas de escola. Foram algumas maravilhosas, outras nem tanto. A amiga mais abastada fez uma festa para ninguém botar defeito (será?).  Ela simplesmente comemorou em um dos espaços mais caros do Rio de Janeiro, com direito à cerimonialista e tudo. Foram alguns rituais do tipo ela dançar em um palco apagando 15 velas imensas. A cerimonialista, com voz de Iris Letieri, tinha um discurso super pomposo do tipo “agora fulana vai beijar o seu padrinho” e lá entrava o pobre coitado com a cara mais sem graça do mundo. O vídeo então foi de lascar, ela mergulhando no mar, trepada no galho de uma árvore, com caras e bocas. 
Bom, um monte de cafonices sem fim e na nossa mesa estávamos eu, meu marido e mais dois casais amigos morrendo de rir. Isso foi no mês de junho e a minha filhota iria fazer a sua festa em setembro do mesmo ano.

Como eu não tinha grana para fazer algo do tipo e muito menos vontade, pesquisei alguns lugares e optei por festejar a nossa festa no Clube Federal no Alto Leblon. Pois é, acreditem se quiserem, foi o local mais em conta naquele ano. Visual lindo, tudo maravilhoso e sem contar que, como a grande maioria dos convidados eram menores, ficamos com o bufê mais caro com relação aos petiscos, só que, como a única bebida alcoólica foi cerveja, ficou uma coisa pela outra, pagamos o menor preço e de brinde uma garrafa de champanhe para nós pais.

Bom, agora vão os detalhes pitorescos. Fotógrafo profissional? Nem pensar, não sobrou dinheiro para tal. Cinegrafista? Muito menos, pelo mesmo motivo. Os parentes e amigos filmaram e fotografaram. A única coisa relativamente pomposa foi a mesa de bolo e doces, como também as diversas flores espalhadas no espaço e nas mesas dos convidados. E a valsa? Minha filha e meu marido se recusaram a dançar qualquer coisa composta por Richard Strauss. Maridão despejou antes no chão da sala vários CDs para que ela optasse qual música que ela queria. Ela ouviu várias músicas em uns dois ou três dias e optou por Do you wanna dance? Com Johnny Rivers para dançar com o pai. Eu quase morri de tanta emoção, exatamente por ter dançado com o meu avô essa mesma música em 1969, por ocasião dos meus 15 anos. E com o irmão, ela escolheu Great Pretender com The Platters. Foi lindo ver o meu filhote super tímido e desengonçado “mandou lembranças” dançar com a irmã, rs.

E a roupa da filhota foi um vestido preto tubinho comprado em uma loja no Shopping Tijuca por R$ 19,90 com uma blusa cinza linda mesmo e super carésima por cima. Ficou lindinha com uma roupa não condizente com o evento. Enfim, um monte de pequenos detalhes do tipo nada a ver. 

Maridão e eu deixamos os amigos dela a vontade, mas, de longe, víamos as cervejas. Não dava para controlar adolescentes enchendo a cara, então a saída era os garçons “se esquecerem” dos meninos, minha filha inclusive.

Agora vem a segunda melhor parte. Passadas as músicas jovens que praticamente ninguém deu bola, chegou a vez dos coroas. E tome de músicas da nossa época. Os pais amigos descalços, bêbados, dançando freneticamente Havaí 5.0 e tantas outras músicas. Os “nenéns” acabaram caindo na gandaia com os velhotes. Uma delícia. E essa farra foi até não sei que hora. Terminada a festa, todo mundo se beijando e indo embora. 
A melhor declaração de amor que recebi dessa garotada foi “Obrigado(a) tia”. Essa foi a primeira melhor parte. A festa não foi pobretona, uma vez que foi comemorada em um dos espaços VIPs do Rio, mas o clube não era caro, ao contrário. Não teve ninguém dando o bedelho ou decidindo o que era melhor para a nossa família e amigos. Em compensação, todos estavam à vontade, inclusive para serem ridículos.
Resumindo a ópera, foi saber que, apesar do mundo em que vivemos em que cada um quer ser melhor do que cada um, a simplicidade sempre fala mais alto. Os adolescentes amaram porque não tiveram de participar de nenhuma chatice e muito menos obrigados a colocar roupas pomposas para dançar a valsa. 
Enfim, uma festa deliciosa para todo mundo. 

6 comentários:

Flavia Moura disse...

Yvonne, eu me lembro da minha festa de 15 anos que nem foi das mais rycas, ouso dizer que foi das mais pobrinhas, mas teve de tudo.
Comida, DJ, bebida à rodo, um bolo e valsa com família e amigos.
Foi muito divertido, embora eu não tenha optado por uma festa e tenha sido ideia da minha mãe.
Adorei o post e me senti dançando com a sua família.

Anônimo disse...

É uma data muito especial mesmo, né amiga?
Beijocas
Yvonne

DO disse...

Sou dos que acham que o melhor é o que toca o coração . E,certamente,esta festa foi feita com muito carinho.
Vc tem razão,Flavia,a Yvonne faz falta no mundo blogueiro,ainda que sejamos considerados jurássicos,rsss

Amanda Schuler disse...

Se tem algo que eu não me arrependo na minha vida foi ter feito a festa de 15 anos. É um sonhooo! Tudo de bom....
Adorei o post :D
beijocas

rendasepaetes.com

Lulu on the Sky disse...

Que saudades da Yvonne blogando. Eu era leitora do blog dela e ela escreve com tanta naturalidade. Amo.
big beijos

Chris Ferreira disse...

Adorei o relato da festa de 15 anos. Passei e estou passando por essa fase. MAs a minha filha optou por viagem.
beijos
Chris
Inventando com a Mamãe

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